Resumo objetivo: O artigo acusa a grande mídia de defender a privatização do BRB para atender a interesses de especuladores e banqueiros, ocultando a responsabilidade de uma "organização criminosa" liderada pelo governador Ibaneis Rocha por um prejuízo bilionário ao banco. Afirma que a crise foi um "golpe" deliberado e não um simples problema de gestão, e critica a atuação do Banco Central autônomo por supostamente favorecer o setor privado em detrimento dos bancos públicos.
Principais tópicos abordados:
1. Crítica à grande mídia, acusada de ser neoliberal e de defender privatizações para beneficiar o setor financeiro privado.
2. Denúncia de uma "ação criminosa" do governador Ibaneis Rocha e seu grupo que causou um prejuízo bilionário ao BRB.
3. Defesa dos bancos públicos e ataque à autonomia do Banco Central, vista como um mecanismo de controle do sistema financeiro pelos banqueiros.
4. Reivindicação por responsabilização dos envolvidos na crise do BRB e por uma auditoria da dívida pública.
A mídia hegemônica e hereditária, representante do neoliberalismo, segue seus ataques contra o patrimônio público, preservando uma longa história contra os interesses do povo brasileiro, a classe trabalhadora e, agora, o povo de Brasília ao defenderem a privatização do Banco de Brasília (BRB), sempre para atender os especuladores, acionistas e magnatas que sustentam o discurso dessa imprensa que somente quer preservar seus anunciantes e lucros.
Verdadeiros panfletos neoliberais, querem privatizar tudo, para eles somente devem ser mantidos seus subsídios e privilégios dentro do Sistema Financeiro. O caso BRB/Master mostra a sanha em enfraquecer o patrimônio público, para depois se apropriarem.
A situação de risco que o BRB enfrenta é real, foi criada pela ação predadora coordenada pelo governador Ibaneis Rocha (MDB) e seu grupo, que acreditou que poderiam usar o patrimônio do povo de Brasília como um bem privado a serviço de seus negócios. Toda a ação criminosa teve o apoio da grande imprensa, que defendia a transação, assim como de parlamentares distritais e federais que participaram direta ou indiretamente da organização que causou o prejuízo bilionário ao BRB.
Alguns veículos chegam a publicar editoriais falando que a transação que levou o BRB a tentar comprar um banco falido teve a aprovação pela Câmara Legislativa, mas não dão nomes aos causadores do prejuízo, verdadeira ação criminosa contra um banco público, vetada pelo Banco Central depois da pressão, denúncias e mobilização do Sindicato dos Bancários de Brasília.
Se existe a necessidade de um aporte de R$ 6,6 bilhões para equilibrar as contas do BRB, é devido ao golpe que a organização criminosa deu no banco; nada disso a grande imprensa cita.
Colocam o prejuízo como se não existissem responsáveis pela ação criminosa, dando a entender que foi apenas um problema de gestão e não um golpe. Que os fraudadores paguem, que os responsáveis sejam identificados e responsabilizados civil e criminalmente. Nada disso a grande imprensa fala.
Alguns veículos apresentam o Fundo Garantidor de Crédito (FGC) como se não tivesse a função de garantir o sistema financeiro, sendo que a criação do FGC, em 1995, devidamente aprovada pelo Conselho Monetário Nacional, tem entre suas finalidades socorrer os bancos para garantir o funcionamento do sistema financeiro.
Quando buscam defender seus interesses privados, o FGC deve ser usado, mas para garantir um banco público, não.
As soluções apresentadas pelo governo de Ibaneis, diz um jornal, se deve à falta de transparência dos fundos, o que seria a causa do que chamam de “imbróglio do Master”. A falta de transparência tem sido uma prática comum no sistema financeiro, fortalecida a partir de 2021 com a aprovação da autonomia do Banco Central, que, no lugar de regulamentar e fiscalizar os bancos, passou a ser controlado por eles, em uma inversão dos papeis.
Por isso, é necessário que o Banco Central volte a integrar o Estado brasileiro e seja democratizado, uma exigência histórica e de segurança nacional. O pagamento dos juros da dívida pública, a maior sangria do orçamento da União, é a prova da mamata que tem sido para os banqueiros saquear os recursos públicos.
A grande imprensa não fala da auditoria da dívida pública, prevista na Constituição Federal, mas inaceitável para os banqueiros e especuladores.
Não se pode esquecer que a ação em favor do Banco Máster começou durante a gestão de Roberto Campos Neto, quando presidente do BC, logo após a aprovação da PEC que deu autonomia ao BC, um duro golpe no Sistema Financeiro Nacional, que deveria servir aos interesses nacionais, não ao mercado.
Um jornal diz que o melhor seria a classe política aprender com a crise e aproveitar para privatizá-lo. Esse é o verdadeiro objetivo dos áulicos do mercado, porta-vozes dos banqueiros, que atuam como aves de rapina contra o Sistema Financeiro Nacional com a finalidade de acabar com os bancos públicos e ter o controle total do sistema financeiro no Brasil.
São contra a existência de bancos de fomento, que apoiem a economia nacional e o desenvolvimento com justiça social.
Afirmam que a manutenção do BRB como banco estatal é um retrocesso. Retrocesso para as aves de rapina dos bancos e financistas, não para os interesses da população, dos trabalhadores e do Estado. A defesa da privatização dos bancos públicos é a essência do discurso contra os interesses nacionais, o que esses veículos de comunicação têm feito e difundido permanentemente, com ataques aos bancos públicos para serem entregues ao setor privado.
Ora atacando os bancos, ora atacando os funcionários, mas sempre com a finalidade de abocanhar mais lucros, aprofundar as desigualdades sociais e impedir que o Estado brasileiro tenha um sistema financeiro estatal forte que atue para fomentar o desenvolvimento das pequenas, médias e grandes empresas e da economia do país.
Vozes da especulação
Na década de 1990 o Brasil acompanhou o caso do Banco do Estado do Paraná (Banestado), dilapidado por agentes do sistema financeiro privado, que enviaram para o exterior cerca de U$ 30 bilhões por meio das contas CC-5. Quebraram a instituição para depois vendê-la ao Banco Itaú por R$ 1,6 bilhão.
A ação criminosa foi garantida pelos mesmos que atuaram em outra atuação fora da lei, a Lava Jato, pela “República do Paraná”, como a quadrilha ficou conhecida. É o mesmo que estão tentando fazer agora com o BRB. Dilapidam e enfraquecem o banco, depois entregam-no aos bancos privados com valores insignificantes.
O BRB tem a história de um banco sólido e que cumpria um papel importante para a economia e a população do Distrito Federal. Com Ibaneis Rocha, essa política financeira mudou, provocou a atual situação, tudo com a finalidade de se apropriar de um banco público, para entregar a instituição aos bancos privados.
Devido à tentativa de entregar o BRB ao Master ter dado errada, com a descoberta do crime, as mesmas vozes que apoiaram o assalto ao patrimônio público agora querem privatizá-lo. São as vozes da especulação, da usura e dos ataques aos interesses do povo brasileiro, que continuam com sua propaganda enganosa, manipuladora e criminosa contra a economia e o sistema financeiro nacional por meio de seus veículos.
Se não existirem as condições para obrigar que os responsáveis pelo prejuízo causado ao BRB paguem os bilhões que sacaram em transações criminosas, que o Banco siga público e estatal, com o Governo Federal e os bancos estatais encontrando uma saída que garanta a manutenção da instituição como um banco de fomento e barre a especulação, os ataques e mais um golpe dos bancos privados e seus porta-vozes que querem privatizar o BRB.
*Pedro César Batista é jornalista, bacharel em Direito com especialização em Antropologia. Diretor e apresentador há 11 anos do programa letras e livros na TV Comunitária de Brasília. Autor de 17 livros, entre os quais “João Batista, mártir da luta pela reforma agrária” (Expressão Popular, 2009) e “Marcha interrompida” (Thesaurus, 2006). Vive em Brasília.
**Este é um artigo de opinião. A visão do autor não necessariamente expressa a linha editorial do jornal Brasil de Fato – DF.
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