Resumo objetivo:
O livro "Teia Popular – Soberania Digital" será lançado em Porto Alegre, defendendo que movimentos sociais e sindicais construam sua própria infraestrutura de comunicação para reduzir a dependência das grandes plataformas digitais. A obra argumenta que as redes sociais, com seus algoritmos opacos, não são espaços neutros e que a "soberania digital" é essencial para a autonomia política, propondo um método para criar ecossistemas de comunicação autônomos e cooperativos.
Principais tópicos abordados:
1. Crítica ao poder das Big Techs como infraestruturas estratégicas que controlam fluxos de informação.
2. Defesa da "soberania digital" e da construção de infraestruturas próprias de comunicação pelos movimentos populares.
3. Apresentação de um método prático ("Inverter Sete" e "tarrafa digital") para criar redes alternativas e cooperativas.
O livro Teia Popular – Soberania Digital: Para vencer esta guerra, do publicitário e estrategista político Henrique Pereira, será lançado na sexta-feira (13), às 19h, na sede do Sindicato dos Bancários de Porto Alegre e Região (SindBancários), em Porto Alegre. O evento contará com debate público entre o autor, o sociólogo Sérgio Amadeu da Silveira e o ex-prefeito Raul Pont. A atividade terá transmissão ao vivo e o livro pode ser aquirido por meio do site oficial.
Na obra, Pereira analisa o que chama de “virada tecnopolítica global” e defende que movimentos populares, sindicatos e mandatos parlamentares precisam construir infraestrutura própria de comunicação para reduzir a dependência das grandes plataformas digitais. Segundo o autor, as Big Techs deixaram de ser apenas empresas de inovação e passaram a operar como infraestruturas estratégicas de poder — organizando fluxos de informação, dados e relações econômicas em escala global.
O livro sustenta que as redes sociais não constituem um espaço neutro de organização política. Ao contrário, funcionam a partir de algoritmos opacos e interesses privados que determinam alcance, visibilidade e relevância. Nesse ambiente, argumenta Pereira, a comunicação popular passou a se adaptar às regras das plataformas para evitar o apagamento digital, muitas vezes priorizando conteúdos de impacto imediato em detrimento de processos formativos mais profundos.
Por uma “soberania digital”
“Sem soberania digital, não há autonomia política no século XXI”, afirma o autor em um dos trechos da obra. Em outro momento, alerta: “Bater continência para algoritmo não é estratégia, é submissão”.
A proposta central de Teia Popular não é abandonar as redes, mas redefinir sua função. O autor apresenta o conceito de “tarrafa digital”, no qual as plataformas deixam de ser o espaço principal da ação política e passam a atuar como ferramenta de captação, direcionando contatos para ambientes próprios, organizados e verificáveis.
Inspirado na pedagogia de Paulo Freire, o livro apresenta o método Inverter Sete, estruturado em sete eixos que orientam a construção de um ecossistema de comunicação autônomo. A articulação dessas estruturas dá origem à chamada Teia Popular — uma rede cooperativa que, ao interligar diferentes organizações sob o mesmo protocolo, forma um “tecido de resistência” frente à concentração de poder digital.
O prefácio assinado por Sérgio Amadeu reforça essa perspectiva. Professor da Universidade Federal do ABC e pesquisador das relações entre tecnologia e democracia, ele define a obra como “mais do que um livro — um método para a construção coletiva de resistência e soberania digital”.
Com 112 páginas, Teia Popular encerra com um chamado à ação imediata: não esperar condições ideais para começar a construir alternativas. Para Pereira, “tecer é organizar. Organizar é disputar poder”.
O lançamento nacional da obra está previsto para maio, em Brasília, durante o Segundo Encontro Nacional pela Soberania Digital.
Sobre o autor
Henrique Pereira é publicitário, especialista em comunicação sindical e estrategista político com mais de três décadas de atuação nacional. Militante de esquerda desde 1979 e atuando na comunicação desde os anos 1980, participou da formulação de estratégias eleitorais que contribuíram para a eleição de dezenas de prefeitos e parlamentares, além da organização e posicionamento de centenas de direções sindicais.
É fundador da Interlig Comunicação Sindical e Popular, onde atua desde 1995.