Três estudantes da USP criaram um chatbot chamado "Tá certo isso aí?", integrado ao WhatsApp, para verificar a veracidade de mensagens suspeitas (texto, áudio, imagem, vídeo ou link). A ferramenta, que analisa o conteúdo e busca confirmação em fontes confiáveis, já foi premiada internacionalmente no programa AI4Good da Brazil Conference. Os principais tópicos abordados são o combate à desinformação, o funcionamento técnico da ferramenta, sua acessibilidade no WhatsApp e o reconhecimento internacional obtido pelos criadores.
Numa época em que a desinformação se espalha mais rápido do que a verdade, especialmente em aplicativos de mensagem como o WhatsApp — principal meio de comunicação dos brasileiros —, três estudantes de ciência da computação da Universidade de São Paulo (USP) desenvolveram uma ferramenta simples, acessível e poderosa para combater as fake news: o chatbot “Tá certo isso aí?”.
Criado por Cauê Paiva Lira, Luiz Felipe Diniz Costa e Pedro Henrique Ferreira Silva, o projeto funciona como uma plataforma pública de análise diretamente integrada ao WhatsApp. A iniciativa já conquistou reconhecimento internacional: foi vencedora do programa AI4Good, um desafio da Brazil Conference, evento da comunidade brasileira de estudantes nos Estados Unidos. Com o resultado, os jovens pesquisadores irão apresentar a ferramenta na 12ª edição da Brazil Conference, que ocorre de 27 a 29 de março, reunindo estudantes e lideranças brasileiras nos campi da Universidade de Harvard e do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), em Cambridge.
A proposta é tão simples quanto necessária: qualquer pessoa pode adicionar o número do bot aos contatos do WhatsApp e, ao receber uma mensagem suspeita — seja texto, áudio, imagem, vídeo ou link —, encaminhá-la para verificação.
“Ele vai pegar aquela notícia, enviar para a nossa API de análise e a gente vai separar por afirmações que estão presentes naquela notícia”, explica Pedro Henrique Ferreira Silva ao Conexão BdF da Rádio Brasil de Fato. “Para cada afirmação, a gente vai fazer uma busca na web em sites confiáveis para verificar se aquilo é verdade ou não.”
O resultado é apresentado de forma clara: quantas afirmações são verdadeiras, quantas são falsas. Quando não há fontes suficientes para a checagem, o bot avisa que não foi possível verificar a informação.
A ferramenta é capaz de processar diferentes tipos de mídia. “Quando a pessoa envia a mensagem, a gente verifica o tipo de mídia. A pessoa pode enviar um áudio, uma foto, um vídeo, um link de um site. A gente vai transcrever essa imagem, fazer a análise dela ou fazer a análise do vídeo, pegar o conteúdo do link que a pessoa enviou”, detalha o estudante.
Um dos grandes acertos do projeto foi escolher o WhatsApp como plataforma. “A maioria dos brasileiros utiliza o WhatsApp, tem esse aplicativo instalado. Atualmente, é o maior meio de comunicação no Brasil. Então, a gente fez de uma forma que seria o mais fácil possível para todo mundo conseguir utilizar a ferramenta”, destaca Pedro.
O número do bot é +55 35 98424-8271 e também pode ser acessado pelo site tacertoissoai.com.br, onde o usuário encontra um link direto para iniciar a conversa. Basta adicionar o contato e enviar a mensagem suspeita, simples como encaminhar uma corrente para aquele tio ou aquela avó, mas com o potencial de frear a propagação de desinformação.
Reconhecimento internacional e expectativas para o futuro
A vitória no programa AI4Good, da Brazil Conference, abre portas para os jovens pesquisadores. Será a primeira experiência internacional para Pedro e Luiz. “A gente vai dia 25 de março desse ano apresentar o projeto lá. Vai ter várias pessoas muito relevantes do Brasil, vários empresários, pessoas famosas, acadêmicos também”, conta.
A expectativa é não apenas mostrar a ferramenta, mas também estabelecer parcerias. “A gente tá bem ansioso para mostrar essa ferramenta e o impacto social que ela pode trazer para a sociedade brasileira, e também conseguir talvez parcerias com outras pessoas influentes lá para levar essa ferramenta para cada vez mais pessoas”, afirma.
Pedro faz questão de destacar que o projeto é resultado de um esforço coletivo. “Nosso time é bem complementar, cada um faz uma parte específica. Cada um tem habilidades que se complementam”, explica, dividindo os créditos com Cauê e Luiz.
Para ouvir e assistir
O jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira às 12h e a segunda às 17h, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.