Resumo objetivo:
O Kremlin declarou que considerará a instalação de armas nucleares na Finlândia uma ameaça direta à sua segurança e prometeu tomar medidas retaliatórias. A posição russa é uma resposta à proposta do governo finlandês de alterar sua lei de 1987, que proíbe armas nucleares no território, justificando a mudança pelas necessidades de defesa após a adesão à Otan. O governo finlandês afirmou estar preparado para a reação russa, enquanto o Kremlin avalia que a medida aumenta as tensões e a vulnerabilidade regional.
Principais tópicos abordados:
1. Ameaça e retaliação nuclear da Rússia contra a Finlândia.
2. Proposta finlandesa de alterar sua lei para permitir armas nucleares em alinhamento com a Otan.
3. Contexto de escalada da retórica nuclear na Europa e fim da neutralidade finlandesa.
4. Justificativas de ambos os lados (defesa coletiva vs. ameaça à segurança regional).
O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, declarou que a Rússia considerará a instalação de armas nucleares na Finlândia uma ameaça à sua segurança e que irá tomar medidas de retaliação.
A declaração do Kremlin surge no contexto da afirmação do ministro da Defesa finlandês, Antti Häkkänen, que anunciou na última quinta-feira (5) que o governo propõe permitir a importação e a instalação de armas nucleares caso estejam relacionadas à defesa da república.
O Ministério da Defesa finlandês declarou que isso se deve às necessidades surgidas após a adesão à Otan e que o país está “absolutamente preparado” para a resposta da Rússia.
De acordo com o porta-voz, a Rússia tomará medidas retaliatórias se armas nucleares forem implantadas na Finlândia.
“O fato é que, ao implantar armas nucleares em seu território, a Finlândia começa a nos ameaçar. E se a Finlândia nos ameaça, tomaremos as medidas apropriadas”, disse Peskov a repórteres.
Ainda segundo o porta-voz da presidência russa, as declarações finlandesas “levam a uma escalada das tensões no continente europeu” e “aumentam a vulnerabilidade da Finlândia”.
A retórica nuclear foi intensificada na última semana entre alguns países da Europa. Em particular, o presidente francês, Emmanuel Macron, declarou na última segunda-feira (2) que seu país está entrando em um período de “dissuasão nuclear avançada”.
Segundo a nova doutrina, Paris aumentará o número de ogivas nucleares, e os aliados poderão participar de exercícios conjuntos de dissuasão. Entre eles, estão, segundo informações, Grã-Bretanha, Alemanha, Polônia, Holanda, Bélgica, Grécia, Suécia e Dinamarca.
Finlândia perde status de neutralidade
Já a Finlândia, por sua vez, possui uma Lei de Energia Nuclear, aprovada em 1987, que proíbe a importação, produção, armazenamento e detonação de armas nucleares em seu território. Agora, o governo finlandês propõe uma emenda a essa lei.
“A emenda é necessária para garantir a defesa militar da Finlândia como parte da aliança e para utilizar plenamente as capacidades de dissuasão e defesa coletiva da Otan”, disse o ministro da Defesa finlandês, Antti Häkkänen, em uma coletiva de imprensa em 5 de março.
O presidente finlandês, Alexander Stubb, por sua vez, afirmou que as mudanças propostas na lei colocariam Helsinque em uma posição unificada com os demais países nórdicos. “Não estamos falando de nenhuma ameaça urgente ou repentina à Finlândia”, disse Stubb.
A Finlândia tornou-se membro da Otan em 4 de abril de 2023. O país mantinha um status de neutralidade desde 1945, com o fim da Segunda Guerra Mundial, mas em maio de 2022, após o início da guerra da Ucrânia, a Finlândia e a Suécia solicitaram a adesão à Aliança do Atlântico Norte. Na ocasião, o presidente russo, Vladimir Putin, afirmou que o ingresso da Finlândia à Otan seria um erro, pois não havia “ameaças à segurança do país”.