Resumo objetivo:
O governo de São Paulo avança com a remoção da Favela do Moinho, última favela do centro da capital, enfrentando resistência da comunidade. A operação tem sido marcada por violência policial, incluindo a morte de um morador e a prisão de lideranças como Alessandra Moja, criminalizada por sua atuação na luta por regularização do território. Em resposta, organizações convocam uma audiência pública para denunciar as violações e pressionar por justiça.
Principais tópicos abordados:
1. Remoção forçada e violência estatal na Favela do Moinho.
2. Criminalização de lideranças comunitárias e violações de direitos humanos.
3. Discurso oficial versus relatos das testemunhas sobre a ação policial.
4. Mobilização da sociedade civil e audiência pública como forma de resistência.
Enquanto o governo Tarcísio de Freitas avança com a remoção da Favela do Moinho, a última favela do centro de São Paulo, a comunidade resiste sob escombros e sob balas. No último dia 8 de setembro, a liderança comunitária Alessandra Moja foi presa. Em 19 de dezembro, o morador Felipe Petta, conhecido como “Pôde”, foi morto a tiros dentro de sua casa pela Polícia Militar. Dos 11 moradores detidos em operações recentes, apenas dois foram libertados.
“A Favela do Moinho se ergueu com o fim trágico de uma grande empresa da iniciativa privada, num terreno que ficou em disputa por anos até ser apropriado pela União. Famílias que trabalhavam no centro, ganhando pouquíssimo pela precarização do trabalho, precisando de moradia, ocuparam aquele espaço para reclamar o direito constitucional à moradia”, destaca Raphaella Reis, advogada, gestora de comunicação da Defemde (Rede Feminista de Juristas) e uma das organizadoras da audiência pública que acontece na quinta-feira (5) contra a criminalização da Favela do Moinho.
Em entrevista ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, ela aponta que a atual gestão estadual está empenhada em retomar ideais bastante atrasados. “Promove o higienismo por meio de táticas de terrorismo. Não entendo que exista outra forma de tratar isso. Em relatório preparado pela Defemde a partir de ocorrências que atendemos no Moinho, o que dizemos é: o que a polícia está fazendo ali não pode ser visto de outra forma que não seja o enquadramento na lei do terrorismo.”
O caso de Alessandra Moja é emblemático: ela foi presa no dia 8 de setembro, por ser uma das vozes mais firmes contra a política de expulsão que está ocorrendo no Moinho. “É feita toda uma propaganda inflamatória em cima dela, que é presidenta da Associação de Moradores desde sua formação, há mais de 20 anos, lutando para que aquele território seja regularizado.”
“Se não fosse ela, não tinha água encanada, não tinha rede de esgoto, não tinha regularização da rede precária de energia elétrica. Se não fosse ela, inclusive, a gente não teria sequer esse acordo mambembe entre Estado e União para que as pessoas saiam dali com pelo menos algum dinheiro”, lista.
Reis contrasta a narrativa oficial com o que as testemunhas e vídeos mostram. “O que a grande imprensa diz, o que a assessoria de comunicação da Secretaria de Segurança Pública diz, é completamente diferente do que as pessoas nos relatam. No caso do Felipe Petta, existem vídeos daquela operação policial. São dois mundos diferentes.”
Ela questiona as ações da polícia após o ocorrido. “É um absurdo a gente ter que sair às vésperas do Natal de casa para fazer corredor humanitário para testemunhas, porque a polícia estava procurando essas testemunhas. Procurando por quê? Qual o medo da testemunha? Por que desligaram a câmera corporal para entrar no lugar e procurar testemunha? Isso ninguém responde, isso vira vento.”
Audiência pública como resposta
Reis convoca a sociedade para a audiência pública que acontece nesta quinta-feira (5). “Estamos reunindo autoridades e instituições para debulhar os fatos, tratar do que está acontecendo ali no Moinho. Chega de esconder, chega de maquiar. A gente precisa falar do que está acontecendo de verdade.”
O evento ocorre às 17h na sede da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-SP) na Bela Vista, em São Paulo, com inscrições gratuitas neste link. A audiência também marcará o lançamento oficial da campanha Alê Livre. “Almejamos não só conseguir a liberdade da Alessandra, mas dar suporte a ela nesse tempo em que está detida, isolada, sem condições mínimas. Precisamos garantir que ela tenha o básico.”
A advogada conclui com uma mensagem de esperança na mobilização popular. “É importante mostrar para as autoridades que o povo não está com a cabeça embaixo da terra, vendo tudo acontecer sem tomar atitude. Estaremos lá, na quinta-feira, lutando por justiça e liberdade.”
Para ouvir e assistir
O jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira às 12h e a segunda às 17h, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.