Resumo objetivo:
Venezuela e Estados Unidos anunciaram o início do processo para restabelecer relações diplomáticas e consulares, rompidas desde 2019. A decisão ocorre após diálogos bilaterais e paralelamente a uma revisão dos contratos petrolíferos assinados durante o governo Maduro, que visavam contornar sanções norte-americanas. Ambos os países expressaram expectativa de que o reaproximação promova estabilidade e recuperação econômica na Venezuela.
Principais tópicos abordados:
1. Restabelecimento das relações diplomáticas entre Venezuela e EUA.
2. Contexto da ruptura anterior (2019) e o apoio dos EUA a Juan Guaidó.
3. Processo de revisão dos contratos petrolíferos do governo Maduro.
4. Declarações oficiais sobre diálogo bilateral e expectativas de benefícios mútuos.
Venezuela e EUA anunciam restabelecimento de relações diplomáticas e consulares
Decisão ocorre após visita de secretário de Trump a Caracas e processo de revisão dos contratos petrolíferos assinados durante governo Maduro
Os governos da Venezuela e dos Estados Unidos anunciaram nesta quinta-feira (05/03) o início do processo de restabelecimento das suas relações diplomáticas e consulares.
A informação foi confirmada por Caracas a partir de um comunicado assinado pelo chanceler Yván Gil, no qual ele atribui a retomada das relações ao “diálogo diplomático estabelecido com as autoridades dos Estados Unidos” desde janeiro.
Na nota, o ministro das Relações Exteriores ressalta a “disposição (da Venezuela) em avançar para uma nova etapa de diálogo construtivo, baseado no respeito mútuo, na igualdade soberana dos Estados e na cooperação entre nossos povos”.
Caracas também expressou sua “confiança de que este processo contribuirá para fortalecer o entendimento e abrir oportunidades para uma relação positiva e mutuamente benéfica”.
“Essas relações devem resultar no bem-estar social e econômico do povo venezuelano (…) e acompanha o diálogo frutífero que os venezuelanos mantêm entre si, visando fortalecer a convivência, a paz e o entendimento nacional”, acrescentou Gil.
Por sua vez, o Departamento de Estado norte-americano informou que as relações diplomáticas e consulares, uma vez retomadas, “facilitarão nossos esforços conjuntos para promover a estabilidade, apoiar a recuperação econômica e avançar a reconciliação política na Venezuela”.
A ruptura nas relações entre os dois países ocorreu em fevereiro de 2019, quando o então presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, durante seu primeiro mandato (2017-2021), passou a desconhecer a Presidência de Nicolás Maduro e a apoiar um dos líderes da oposição de extrema direita, Juan Guaidó, que se apresentava à época como “presidente encarregado” do país.
Nesta mesma quinta-feira, Trump afirmou em uma entrevista que “a Venezuela está em uma excelente situação” e descreveu a atual presidente interina Delcy Rodríguez como “uma pessoa maravilhosa”.
“As novas autoridades venezuelanas fizeram um trabalho fantástico junto com os Estados Unidos”, afirmou o mandatário estadunidense.
Auditoria a contratos de Maduro
A retomada das relações diplomáticas ocorre durante visita a Caracas do secretário do Interior dos Estados Unidos, Doug Burgum.
Segundo o site Bloomberg, também acontece em paralelo à visita de Burgum um processo de revisão dos contratos petrolíferos assinados durante o governo do presidente Nicolás Maduro, sequestrado em janeiro pelas forças militares dos Estados Unidos.
De acordo com a reportagem, os acordos revisados formam parte de um mecanismo impulsionado pelo governo de Maduro para contornar as sanções impostas pelos Estados Unidos ao petróleo venezuelano.
A matéria afirma que o processo de revisão é feito com a anuência e colaboração do governo venezuelano.
Por sua parte, a petrolífera estatal venezuelana PDVSA não divulgou a lista oficial das empresas detentoras de contratos assinados antes do sequestro de Maduro.