Resumo objetivo:
O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Serguei Lavrov, acusou os Estados Unidos de buscar controlar outros países, citando como exemplos Venezuela, Irã e Cuba, e alertou que essa ambição não se limitará a essas nações. Ele criticou a postura dos EUA por violar o direito internacional, enfatizou que as ações estadunidenses podem incentivar a proliferação nuclear no Irã e na região, e reafirmou a posição russa contra a interferência em assuntos de Estados soberanos.
Principais tópicos abordados:
1. Crítica russa à política externa dos EUA, vista como uma busca por controlar outros países.
2. Ameaça de proliferação nuclear no Irã e no Oriente Médio como suposta consequência das ações estadunidenses.
3. Defesa do direito internacional e da soberania nacional, condenando a interferência estrangeira.
4. Contexto dos ataques militares dos EUA e de Israel contra o Irã e suas repercussões nas negociações nucleares.
O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Serguei Lavrov, declarou nesta terça-feira (3) que o desejo dos Estados Unidos de controlar outros países não se limitará à Venezuela, Irã e Cuba. A fala foi durante uma coletiva de imprensa conjunta com o segundo ministro das Relações Exteriores de Brunei, Erivan Yusof.
O chanceler russo chamou a atenção para declarações recentes do secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, afirmando que o chefe da diplomacia estadunidense, em resposta à pergunta de um jornalista, sugeriu a possibilidade de os Estados Unidos “governarem o Irã”.
“Marco Rubio, em resposta à pergunta de um repórter, sugeriu recentemente a possibilidade de os Estados Unidos governarem o Irã da mesma forma que anunciaram que governariam a Venezuela. Agora, estão testando um esquema semelhante para Cuba. E isso provavelmente não é tudo”, disse Lavrov.
Segundo ele, já passou da hora de haver uma conversa fundamental com Washington sobre como ele vê o mundo e qual papel atribui aos outros nele. O ministro observou que os países estão enfrentando uma ausência de direito internacional que remete ao século XIX.
Serguei Lavrov também acrescentou que as ações da Casa Branca podem fortalecer as forças pró-nucleares no Irã e nos países vizinhos.
“Esta ação, esta guerra que foi desencadeada contra o Irã, pode, em primeiro lugar, impulsionar um movimento em direção ao desenvolvimento de armas nucleares, e não apenas no Irã. Tal movimento surgiria imediatamente nos países árabes vizinhos da República Islâmica do Irã”, disse Lavrov.
O ministro também chamou a atenção para uma declaração do enviado especial do presidente dos EUA, Steven Witkoff, que afirmou que as negociações com o Irã fracassaram devido à intenção do país de enriquecer urânio. “O direito de enriquecer urânio para energia nuclear pacífica é inalienável”, enfatizou Lavrov.
Segundo o chanceler russo, ainda não há provas de que o Irã estivesse desenvolvendo armas nucleares, o que era a principal, senão a única, justificativa para a guerra.
No contexto dos ataques dos EUA e de Israel contra o Irã, iniciado no último 28 de fevereiro, Moscou declarou repetidamente a inadmissibilidade da interferência nos assuntos internos de Estados soberanos e a necessidade de construir relações internacionais com base no direito internacional.
A Rússia vem condenando de forma veemente a agressão dos EUA e Israel contra o Irã. Em uma declaração na última segunda-feira (2), em meio a uma série de conversas telefônicas com líderes do Oriente Médio, o presidente russo, Vladimir Putin, afirmou que os ataques contra Teerã prejudicaram o progresso nas negociações sobre o programa nuclear iraniano.
“O progresso existente foi interrompido por um ato não provocado de agressão armada contra um Estado soberano em violação dos princípios fundamentais do direito internacional”, disse ele, citado pelo serviço de imprensa do Kremlin.
Em 28 de fevereiro, Israel e os Estados Unidos lançaram ataques aéreos em território iraniano. Como resultado, o Líder Supremo do Irã, Ali Khamenei, e vários altos líderes militares foram mortos. O Irã respondeu com ataques a bases militares dos EUA no Oriente Médio e em território israelense.