Resumo objetivo:
Há um mês, o bloqueio dos EUA a Cuba se intensificou com foco no estrangulamento do fornecimento de petróleo, gerando risco de colapso energético. No entanto, Cuba demonstra resistência através de organização interna, avanços em energia solar para serviços essenciais e apoio da solidariedade internacional. A situação permanece crítica, pois a quebra do bloqueio energético é considerada vital, enquanto o país enfrenta também ameaças de grupos violentos baseados em Miami.
Principais tópicos abordados:
1. O aprofundamento do bloqueio energético dos EUA e seus impactos na crise de combustível em Cuba.
2. As estratégias de resistência cubana, incluindo investimentos em energia solar e organização estatal.
3. A ameaça de ações violentas por grupos da direita cubano-americana.
4. O papel crucial da solidariedade internacional e a necessidade urgente de romper o bloqueio.
Completou-se um mês desde que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou uma ordem executiva aprofundando o bloqueio contra Cuba, com medidas específicas para estrangular o fornecimento de petróleo à ilha. As importações que vinham do México e da Venezuela foram interrompidas, e o temor era de um colapso energético total. Mas, como relata o correspondente do Brasil de Fato em Havana, Gabriel Vera Lopes, a realidade é mais complexa – e a resistência mais forte – do que se poderia imaginar.
“É uma situação urgente, complicada, complexa. Mas também há uma fortaleza do povo e do Estado cubano para enfrentar situações muito difíceis, muito violentas”, declara no Conexão BdF da Rádio Brasil de Fato.
Ele explica que Cuba produz hoje apenas 30% da energia que necessita. “A grande aposta é conseguir, de novo, um jeito de importar, trazer, fornecer petróleo e combustível. Não é uma coisa que você possa deixar esse tipo de aflição para os próximos anos.”
“Tem um plano para construir energia solar para os lugares que mais precisam, e isso está avançando. Isso faz com que a situação mais urgente – hospitais, locais de estudo, produção de alimentos – não seja a mesma de um mês atrás. Tem muito mais avanços, muito mais fortaleza para enfrentar essa situação difícil”, explica.
Vera Lopes comenta a recente interceptação de uma lancha vinda da Flórida com supostos planos de ações violentas contra a ilha. Ele contextualiza o episódio dentro de uma história mais longa de agressões. “Quando os Estados Unidos apertam, a direita de Miami também fica mais violenta. Não é a primeira vez que Cuba sofre ataques terroristas. Nos anos 90, durante o Período Especial, muitos setores de Miami se dedicaram a colocar bombas em hotéis para evitar o turismo em Cuba.”
O correspondente aponta que essa direita cubano-estadunidense tem uma lógica particular. “Muitas vezes está alinhada com Washington, mas também tem uma relativa independência e essa vontade muito violenta contra a ilha.”
Solidariedade internacional
Sobre as doações de Brasil e México, Vera Lopes é enfático a respeito de sua importância. “Quando não tem medicamento num hospital, é a ajuda internacional que faz com que alguma pessoa que tem alguma doença, tenha a possibilidade de acessar esse tipo de coisa.”
“Nem sempre o pessoal fica sabendo de todas essas ajudas. Há muitos jovens cubanos fazendo trabalho para melhorar um pouco isso e tratar de fazer essa conversa pública sobre as ajudas que a ilha está recebendo de outros países”, conta.
O correspondente também alerta que apesar da ajuda humanitária, a situação da ilha não vai mudar até que consiga reconstruir o fluxo de energia. “É preciso o medicamento, é preciso a maquinaria para o setor agrícola – tudo isso é muito importante. Mas é vital quebrar o bloqueio energético.”
“Cuba tem uma história de enfrentar situações muito difíceis. O povo e o Estado têm uma fortaleza construída em décadas de bloqueio. Isso não significa que não haja sofrimento, mas significa que há estratégias, há organização, há uma determinação de seguir em frente”, destaca.
O correspondente conclui com um alerta para um olhar para o futuro. “O bloqueio energético é a arma mais cruel neste momento. Rompê-lo é vital. Enquanto isso não acontece, a solidariedade internacional e a criatividade popular são o que mantém o país de pé.”
Para ouvir e assistir
O jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira às 12h e a segunda às 17h, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.