Resumo da notícia:
A 39ª Conferência Regional da FAO na América Latina e Caribe debateu a abordagem de "Saúde Única", destacando a necessidade de cooperação multissetorial para transformar sustentavelmente as cadeias agroalimentares. Foram apontados desafios regionais, como doenças transfronteiriças (gripe aviária e peste suína), que ameaçam a segurança alimentar e os meios de subsistência. Como recomendações, propôs-se a institucionalização de governança integrada, o desenvolvimento de força de trabalho, o uso de tecnologias digitais e o investimento em vigilância sanitária.
Principais tópicos abordados:
1. Abordagem de "Saúde Única" como estratégia multidisciplinar para sistemas agroalimentares.
2. Desafios regionais: desigualdades estruturais, doenças endêmicas e ameaças transfronteiriças.
3. Recomendações para fortalecimento institucional, cooperação técnica e inovação tecnológica.
4. Impactos econômicos e sociais de surtos, como a gripe aviária, na produção e segurança alimentar.
Uma abordagem de “Saúde Única” na América Latina e Caribe se tornou o centro do debate na manhã desta terça-feira (3) da 39º Conferência Regional da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO), no Palácio do Itamaraty, em Brasília (DF). Foram discutidos os desafios, oportunidades e recomendações fundamentais para a transformação sustentável das cadeias agroalimentares.
Entre os pontos levantados para o fortalecimento do sistema na região, os painelistas destacaram o desenvolvimento da força de trabalho, modernização dos marcos regulatórios em conformidade com órgãos de saúde, aprimoramento da vigilância integrada por meio de tecnologias e fomento de parcerias público-privadas.
“Uma saúde não é um setor. Precisamos de uma forma de trabalharmos juntos. Uma abordagem multidisciplinar para lidar com os desafios complexos que enfrentamos juntos. E uma saúde funciona só quando a governança, a coordenação, a inovação estão robustas o suficiente”, explicou Thanawat Tiensin, diretor de Produção e Saúde Animal da FAO.
O cenário regional da saúde enfrenta desafios há alguns anos. A região, marcada por grandes desigualdades estruturais, precisa lidar com doenças endêmicas com novas ameaças transfronteiriças, como a gripe aviária e a peste suína. Esses surtos são ameaças aos meios de subsistência de camponeses e a segurança alimentar das populações mais vulneráveis.
Segundo o relatório da FAO, entre 2005 e 2024, mais de 633 milhões de aves foram sacrificadas ou morreram por causa da gripe aviária, o que perturbou o comércio e os mercados em escala mundial. No Chile, o surto provocou a perda de 1,5 milhão de aves em 2023, o que equivale a um valor bruto de produção estimado em 106 milhões de dólares.
Presente no debate, a Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA) destacou a importância do trabalho conjunto com órgãos de outras áreas de saúde e o investimento na esfera animal. Para o representante da entidade Francisco D’Alessio o ano será especialmente significativo para a agenda global de saúde animal.
“Nós precisamos dar suporte uns aos outros para achar as formas mais eficazes para responder de melhor forma às necessidades dos nossos membros sem duplicar os nossos esforços. Acreditamos que juntos a FAO e a OMSA fornecem um contínuo global que nenhuma outra instituição pode atingir”, declarou.
Recomendações
Ao final da mesa, a FAO sugeriu algumas recomendações para uma abordagem de saúde única que fomente a colaboração, a coordenação e o fortalecimento da comunicação entre setores. Constaram na lista:
- Institucionalização de uma estrutura nacional de governança baseada em uma abordagem sistêmica com elaboração de programas;
- Apoio da FAO em atividades de cooperação técnica na aplicação de mecanismos de governança e regulamentação;
- Desenvolvimento da força de trabalho de profissionais dos mais variados campos da saúde;
- Uso de ferramentas digitais, como a Inteligência Artificial para execução de programas de saúde;
- Investimento de recursos em órgãos públicos para reduzir riscos e combater de forma eficaz as ameaças à saúde animal, vegetal e humana.
Congresso da FAO
Entre os dias 2 e 6 de março, Brasília sedia a 39ª Conferência Regional para a América Latina e o Caribe (LARC39). O objetivo central do evento é definir as prioridades durante os próximos dois anos na região.
A conferência também apresenta os resultados alcançados durante o biênio 2024-2025, com destaque para os progressos em sustentabilidade, inovação agrícola, dietas saudáveis, resiliência climática e desenvolvimento rural, bem como parcerias e iniciativas que contribuíram de forma efetiva.
Nesta edição, foram definidas quatro prioridades regionais, refletindo os “Quatro Melhores” do Marco Estratégico da Organização – quatro dimensões interconectadas que contribuem para a transformação dos sistemas agroalimentares:
- Produção eficiente, inclusiva e sustentável. (Melhor Produção)
- Acabar com a fome e alcançar a segurança alimentar e a nutrição. (Melhor Nutrição)
- Gestão sustentável dos recursos naturais e adaptação à mudança climática. (Melhor Ambiente)
- Redução das desigualdades e da pobreza e promoção da resiliência. (Uma Vida Melhor)
A abertura oficial está prevista para ocorrer na quarta-feira (4) e contará com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, os ministros Paulo Teixeira (Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar) e Carlos Fávaro (Ministério da Agricultura e Pecuária). Outras autoridades participarão de mesas durante a semana. Devem comparecer o ministro Wellington Dias (Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome) e Mauro Vieira (Relações Exteriores).