Resumo objetivo:
O banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, foi encaminhado ao presídio federal de Brasília, onde cumprirá inicialmente 20 dias no Regime Disciplinar Diferenciado (RDD), em cela individual com isolamento rigoroso. A transferência foi determinada pelo STF a pedido da Polícia Federal, que alegou risco devido à sua capacidade de articulação e influência. O presídio, inspirado no modelo americano de segurança máxima, abriga outros presos de alta periculosidade, como líderes do PCC, e adota medidas extremas de controle, como monitoramento total e visitas sem contato físico.
Principais tópicos abordados:
1. A prisão e as condições rigorosas do RDD para Daniel Vorcaro.
2. A estrutura e protocolos de segurança máxima do presídio federal de Brasília.
3. A justificativa da PF e do STF para a transferência, baseada no perfil de influência do banqueiro.
4. O contexto do presídio, que abriga outros presos notórios do crime organizado.
O banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, chegou a um presÃdio federal de BrasÃlia nesta quinta-feira (6), por volta das 17h.
Como parte do procedimento padrão de ingresso no sistema penitenciário federal, ele deverá raspar o cabelo e permanecer 20 dias no RDD (Regime Disciplinar Diferenciado), como medida de segurança.
Nesse perÃodo inicial, o preso fica isolado em uma cela de 6 m² e sem contato com outros detentos. Dentro dela há apenas uma cama, banheiro com pia e chuveiro e uma mesa para as refeições. O banho de sol é realizado dentro da própria cela.
Após esse perÃodo, o setor de inteligência da penitenciária analisa o perfil do detento para definir em qual ala ele será alocado dentro da unidade.
Ao ingressar no presÃdio federal, Vorcaro também recebe o kit padrão fornecido aos presos, composto por duas calças, dois shorts, quatro camisetas, um casaco, uma sandália, um par de tênis, além de lençol, cobertor, travesseiro e itens de higiene pessoal.
As visitas no presÃdio federal ocorrem em parlatório, espaço separado por vidro, sem contato fÃsico e sob monitoramento. Antes de chegar ao presÃdio federal, ele passou por exame de corpo de delito no IML (Instituto Médico Legal), em BrasÃlia.
O presÃdio federal de BrasÃlia que recebeu Vorcaro é um dos mais vigiados do paÃs e onde cumprem pena chefes da facção criminosa PCC, entre eles o lÃder do grupo, Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola.
Além dele estão Cláudio Barbará da Silva, o Barbará, Reinaldo Teixeira dos Santos, o Funchal, Antonio José Muller Junior, o Granada, Gilberto Aparecido dos Santos, o Fuminho, aliado de Marcola, embora não seja considerado membro do PCC. Há outros presos famosos como Patrick Assisi, mafioso italiano, e Nicola Assissi, pai deste, que também aguarda extradição.
Todo o mobiliário interno das celas é feito de concreto, para evitar que os materiais sejam transformados em armas ou ferramentas. O modelo dessas celas é inspirado nas prisões de segurança máxima americanas (supermax), com o objetivo principal de desarticular o crime organizado através do isolamento.
A Penitenciária Federal de BrasÃlia foi inaugurada em outubro de 2018. Para presos submetidos ao RDD (Regime Disciplinar Diferenciado), o isolamento é ainda mais rigoroso. O interno permanece 24 horas trancado, com direito a apenas duas horas de sol, na companhia de mais um ou dois presos.
Os presÃdios federais são localizados propositalmente afastados de centros urbanos para dificultar comunicações externas indevidas.
Todos os meios de comunicação e movimentação dentro da unidade são monitorados em tempo real. As visitas ocorrem sem contato fÃsico. As conversas ocorrem no parlatório por meio de telefones, separados por vidros, e tudo é gravado em áudio e vÃdeo.
Não existe visita Ãntima.
Vorcaro e o cunhado dele, o pastor e empresário Fabiano Zettel, também alvo da operação, estavam desde a manhã de quinta na Penitenciária 2 de Potim, a 195 quilômetros de São Paulo. O ex-banqueiro foi transferido para a penitenciária federal de BrasÃlia por determinação do ministro André Mendonça, relator do caso no STF (Supremo Tribunal Federal), a pedido da PF. Zettel segue preso em Potim.
A corporação disse haver necessidade "premente de tutela da integridade fÃsica do custodiado". De acordo com a PF, as peculiaridades do caso exigem cautela redobrada.
"Elementos informativos coligidos ao longo da investigação indicam que o referido investigado [Daniel Vorcaro] detém significativa capacidade de articulação e influência sobre diversos atores situados em diferentes esferas do poder público e do setor privado, circunstância que, inclusive, constituiu um dos fundamentos que justificaram a adoção de medidas cautelares de natureza pessoal no presente caso", disse a PF ao ministro.
A unidade de Potim tem capacidade para 844 pessoas, sendo 472 reeducandos. O presÃdio em BrasÃlia, por sua vez, tem 12,3 mil m² e conta com 208 celas individuais distribuÃdas por quatro blocos âcada bloco é subdividido em quatro alas, com 13 celas cada. A penitenciária integra a rede de cinco presÃdios federais, que é administrada pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública.
Vorcaro é acusado de integrar um grupo informal conhecido como "A Turma", que, segundo a PF, atuaria para monitorar, intimidar e coagir pessoas consideradas adversárias do banqueiro e atrapalhar as investigações sobre o Banco Master.
O banco é alvo de uma série de apurações por suspeitas de fraude bilionária, lavagem de dinheiro e organização criminosa conduzidas pela PolÃcia Federal na Operação Compliance Zero.
Em depoimento, Vorcaro negou os crimes.
A defesa do ex-banqueiro pediu ao STF que determine à PF o detalhamento das informações que sustentaram a prisão preventiva do empresário.
Segundo seus advogados, "o cumprimento do mandado de prisão preventiva ocorreu sem que a defesa tivesse acesso prévio aos elementos que fundamentaram a medida".