Resumo objetivo:
A presidenta da Petrobras, Magda Chambriard, descartou aumentos nos preços dos combustíveis no curto prazo, apesar da alta internacional do petróleo devido ao conflito no Oriente Médio. A empresa avalia que pode absorver o impacto internamente, reduzindo sua margem de lucro recorde, e compensar parte com os ganhos nas exportações. No entanto, distribuidoras privadas podem reajustar seus preços livremente, o que pode afetar regionalmente o consumidor final.
Principais tópicos abordados:
1. Estabilidade dos preços dos combustíveis no Brasil no curto prazo, garantida pela Petrobras.
2. A alta volatilidade e disparada do preço internacional do petróleo, impulsionada pelo conflito EUA/Israel-Irã.
3. A capacidade financeira da Petrobras (com lucros recordes) de amortecer o choque externo sem repassá-lo imediatamente ao consumidor.
4. O risco de reajustes pontuais nos postos devido à atuação de empresas privadas no setor de distribuição e refino.
Em meio a uma disparada no preço do petróleo, devido aos ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, a presidenta da Petrobras, Magda Chambriard, descartou a possibilidade de aumento nos preços dos combustíveis no Brasil, no curto prazo.
Durante a apresentação dos resultados de 2025 da estatal, nesta sexta-feira (6), Chambriard ressaltou que a situação internacional ainda está muito volátil e precisa ser analisada com calma, antes de uma decisão sobre reajustes nos preços dos combustíveis.
“Nesse momento, a gente se pergunta qual a tendência, onde isso vai ficar, é spike [pico] momentâneo? Esta pergunta ainda não está respondida”, explicou a presidenta da Petrobras.
Com a intensificação do conflito, que já deixou mais de 1300 mortos no Irã e no Líbano, além do risco de fechamento do Estreito de Ormuz, onde passa grande parte da produção de petróleo no mundo, a cotação do barril tipo Brent superou os US$ 90, pela primeira vez desde abril de 2024. O aumento no preço passa dos 10%.
No entanto, o Ministro da Energia do Qatar afirmou que o preço do barril pode chegar a US$ 150, com a continuidade do conflito.
A economista Juliane Furno considera que, apesar do cenário adverso, a Petrobras tem trunfos para manter o preço estável aos brasileiros, sem sofrer um impacto financeiro grave: ser estatal e atuar da produção ao refino.
“A Petrobras tem plenas condições de absorver esse impacto [da alta do preço internacional] internamente. Mesmo que a Petrobras importe uma parte do combustível refinado internamente, o grosso da precificação é doméstica, em reais. Então a Petrobras pode diluir esse aumento dos preços internacionais, reduzindo sua margem de lucro, para suavizar esse impacto internamente. Veja, não é que a Petrobras vá tomar prejuízo. Ela apenas vai reduzir a sua margem de lucro, que diga-se de passagem, bateu recordes em 2025”, explica Furno.
Porém, a economista destaca que a perda seria pequena, já que a Petrobras também exporta combustível. “Ela vai compensar essa ‘perda’ na venda doméstica, com o aumento dos lucros na exportação. Então, se ela fosse apenas uma empresa concentrada no refino, talvez ela tivesse mais dificuldade de amortece esse impacto, mas como ela também atua na exploração, ela compensa”, afirma.
Nesta sexta, a Petrobras comercializa a gasolina com uma diferença de R$ 0,69 por litro a menos do que a paridade de importação medida pela Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis. No caso do Diesel, a diferença chega a R$ 2,04 por litro.
Porém, distribuidoras e refinarias privadas podem praticar preços diferentes daqueles fixados pela Petrobras, o que pode impactar o bolso dos consumidores em algumas regiões do Brasil, como no Norte, onde a Reman é a única refinaria de combustível do Amazonas e toda região.
A Petrobras registrou alta de 201% nos lucros em 2025, em relação a 2024, com ganhos de R$ 110,1 bilhões.