Resumo objetivo:
A Polícia Federal enviou à CPMI do INSS arquivos do celular do ex-proprietário do Banco Master, Daniel Vorcaro, contendo mensagens íntimas sem relação com as investigações de fraudes previdenciárias. A defesa do empresário protocolou no STF um pedido de inquérito para apurar o vazamento dessas comunicações sigilosas, argumentando violação de privacidade e do dever funcional das autoridades. O caso ocorre no contexto da Operação Compliance Zero, que investiga corrupção no sistema financeiro.
Principais tópicos abordados:
1. Vazamento de mensagens íntimas de Daniel Vorcaro à CPMI.
2. Pedido de investigação ao STF sobre a quebra de sigilo.
3. Conflito entre a exposição de dados privados e o andamento das investigações legislativas.
4. Operação Compliance Zero e as suspeitas de corrupção no sistema financeiro.
A Polícia Federal (PF) encaminhou à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) arquivos extraídos do celular de Daniel Vorcaro, ex-proprietário do Banco Master, que contêm mensagens de teor íntimo e sexual.
O material foi disponibilizado ao colegiado após o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, autorizar a transferência de dados sigilosos obtidos durante as investigações sobre o empresário.
Parlamentares que integram a comissão afirmaram que o conteúdo recebido inclui diálogos íntimos que não possuem conexão com as suspeitas de fraudes previdenciárias apuradas pelo grupo.
Os integrantes da CPMI ficaram incomodados com a presença dessas informações no relatório oficial, alegando que a exposição de dados de natureza privada compromete a condução dos trabalhos legislativos.
A defesa de Daniel Vorcaro protocolou uma petição no STF solicitando a abertura de um inquérito para investigar o vazamento dessas comunicações. Os advogados argumentam que houve violação do dever funcional por parte das autoridades responsáveis pela guarda do sigilo, ao permitirem a divulgação de dados que expõem indivíduos alheios ao processo judicial.
Em nota, a defesa afirmou que a inclusão de mensagens íntimas no material enviado ao Congresso Nacional prejudica a integridade da investigação e fere direitos fundamentais de privacidade.
O compartilhamento de informações ocorre no contexto da Operação Compliance Zero, que apura a suposta existência de uma estrutura para pagamento de propinas e obtenção de dados privilegiados no sistema financeiro.
Além das mensagens de cunho pessoal, o conjunto de dados enviado à CPMI registra interações de Vorcaro com ministros de tribunais superiores, membros do Executivo e lideranças do Legislativo, nas quais são citados encontros e tratativas de interesses do banco.
Leia, abaixo, a íntegra:
“A defesa de Daniel Vorcaro informa que solicitou ao Supremo Tribunal Federal a instauração de investigação para apurar a origem dos sucessivos vazamentos de informações sigilosas provenientes dos telefones celulares apreendidos no curso da investigação.
O espelhamento dos dados dos aparelhos apreendidos foi entregue à defesa apenas no dia 3 de março de 2026 e o HD foi imediatamente lacrado na presença da autoridade policial, dos advogados e de tabelião, para preservar o sigilo das informações.
Apesar disso, diversas mensagens supostamente extraídas desses aparelhos passaram a ser divulgadas por veículos de imprensa nos últimos dias, mesmo sem que a própria defesa tenha tido acesso ao conteúdo do material. Conversas íntimas, pessoais e que expõem terceiros não envolvidos com os fatos, além de supostos diálogos com autoridades e até o ministro do STF, Alexandre de Moraes, provavelmente editadas e talvez tiradas de contexto, têm sido divulgadas para os mais diversos órgãos de comunicação.
Diante da gravidade da situação, a defesa requereu que seja instaurado inquérito para identificar a origem dos vazamentos e que a autoridade policial apresente a relação de todas as pessoas que tiveram acesso ao conteúdo dos aparelhos apreendidos.
A defesa ressalta que o objetivo do pedido não é investigar jornalistas ou terceiros que eventualmente tenham recebido informações, mas apurar quem, tendo o dever legal de custodiar o material sigiloso, pode ter violado esse dever.
Espera-se que as autoridades que violaram seu dever funcional de resguardar o sigilo sejam identificadas e responsabilizadas por atos que expõe pessoas sem relação com a investigação, bem como atrapalham os trabalhos de esclarecimento dos fatos.”