Resumo objetivo:
A ONU pediu que a investigação dos EUA sobre o bombardeio de uma escola em Minab, no Irã, seja rápida e transparente, após indícios de que forças estadunidenses possam ter sido responsáveis. O ataque, que matou mais de 150 pessoas, principalmente meninas, foi descrito pelas autoridades iranianas como um ataque conjunto israelo-estadunidense, embora ambos os países não tenham admitido a autoria.
Principais tópicos abordados:
1. O pedido da ONU por uma investigação rápida e transparente sobre o ataque.
2. A disputa sobre a autoria do bombardeio, com EUA investigando sua possível responsabilidade e Israel negando envolvimento.
3. O impacto humanitário do ataque, com a morte de centenas de civis, principalmente crianças, em uma escola.
4. A violação do Direito Internacional Humanitário, que protege instituições educacionais em conflitos.
A ONU (Organização das Nações Unidas) pediu nesta sexta-feira (6) que a investigação dos Estados Unidos sobre o bombardeio de uma escola em Minab, no Irã, seja “rápida” e conduzida com “total transparência”, após o jornal New York Times revelar que o ataque pode ter sido realizado por forças estadunidenses. Nem Estados Unidos nem Israel admitiram ter cometido o bombardeio que matou mais de 150 meninas.
Segundo o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, o Pentágono conduz uma investigação. “Esperamos que seja rápida e se desenvolva com total transparência”, declarou o alto comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Volker Türk, em uma coletiva de imprensa em Genebra.
Segundo autoridades iranianas, a explosão em Minab, no sul do país, ocorreu no primeiro dia da guerra, no sábado passado (28/02). Imagens filmadas a partir de um estacionamento mostram fumaça preta saindo de um edifício destruído, decorado com murais que representam lápis de cor, crianças e uma maçã.
O local corresponde a um edifício em Minab, na província de Hormozgan, que parece ser uma escola. A televisão pública iraniana e um meio de comunicação local identificaram o local como a escola primária feminina Shajare Tayyebeh, em Minab. A agência de notícias AFP apontou que o edifício estava próximo de dois locais controlados pela Guarda Revolucionária, braço militar ideológico do governo.
A cidade de Minab está situada em um ponto estratégico, perto do estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais importantes do comércio mundial de hidrocarbonetos. O presidente iraniano, Masud Pezeshkian, descreveu como um ataque israelo-estadunidense contra uma escola e a imprensa local disse que ocorreram funerais de pelo menos 165 pessoas, incluindo alunas mortas, na terça-feira (3) no Irã.
A TV iraniana exibiu imagens que mostravam uma multidão reunida em torno de corpos envoltos em mortalhas brancas. Outras imagens mostravam caixões adornados com bandeiras iranianas, alguns com a fotografia de uma criança. Uma terceira sequência mostrava uma grande multidão ao redor de caixões idênticos com uma inscrição em persa: “Funeral das crianças mortas em Minab”.
Por sua vez, a agência Reuters, citando dois funcionários estadunidenses em condição de anonimato, informou, na quinta-feira, que investigadores militares dos Estados Unidos consideram “provável” que forças dos EUA tenham sido responsáveis pelo ataque que atingiu a escola, embora tenham acrescentado que as investigações ainda não foram concluídas.
O Exército israelense declarou no domingo não estar “ciente” de nenhum ataque contra uma escola.
“Neste momento, não estamos cientes de nenhum ataque israelense ou americano naquele local (…) Operamos com extrema precisão”, afirmou o porta-voz militar israelense, tenente-coronel Nadav Shoshani, em coletiva de imprensa ao responder perguntas sobre o ataque.
A organização de defesa dos direitos humanos Hengaw, com sede na Noruega, anunciou que investigará a identidade dos alunos que teriam morrido nesse bombardeio. Em comunicado, explicou que no momento do incidente havia aulas matinais na escola Shajare Tayyebeh, que o alvo dos ataques eram as instalações vizinhas da Guarda Revolucionária e que cerca de 170 alunos poderiam estar presentes.
Segundo a Convenção de Genebra de 1949 e o Direito Internacional Humanitário, agressões a escolas e áreas residenciais em conflitos armados são proibidas e consideradas grave violação dos direitos humanos, podendo configurar crime de guerra.
Mas na quinta-feira (5), Estados Unidos e Israel atingiram outras duas instituições escolares na cidade iraniana de Parand, a sudoeste de Teerã, segundo a agência iraniana Fars