Resumo objetivo:
Os feminicídios no Brasil aumentaram 14,5% nos últimos cinco anos, com 1.470 registros oficiais em 2024 — a maioria cometida por parceiros ou ex-parceiros. Dados alternativos indicam números ainda maiores, sendo as mulheres negras, de 30 a 49 anos e residentes em periferias ou cidades do interior as principais vítimas. O Rio Grande do Sul exemplifica a gravidade do problema, com pouca estrutura de apoio (apenas 27 cidades possuem delegacias especializadas) e a recente recriação da Secretaria da Mulher, cuja efetividade é questionada.
Principais tópicos abordados:
1. Aumento dos casos de feminicídio e perfil das vítimas.
2. Falhas na estrutura de proteção às mulheres, especialmente no Rio Grande do Sul.
3. Questionamento sobre fatores agravantes, como redes sociais e masculinidade tóxica.
4. Crítica à insuficiência de políticas públicas e à possível descontinuidade de ações governamentais.
Os feminicídios cresceram 14,5% nos últimos cinco anos no Brasil. É o que indicam os registros oficiais. Apenas no ano passado, 1.470 mulheres foram assassinadas, quase sempre por companheiros ou ex-companheiros, estes inconformados com o final do relacionamento.
Outro levantamento, da Universidade Estadual de Londrina, traz números ainda mais trágicos. As mortes de 2025 seriam 2.149, média de quase seis mulheres assassinadas a cada dia no país. E houve 4.755 tentativas de feminicídio.
Relatório do Fundo Nacional de Segurança Pública, apresentado nesta semana, ressalta que as mulheres negras (pretas ou pardas), entre 30 e 49 anos, moradoras de um bairro periférico ou de uma cidade do interior formam a maioria das vítimas.
No Rio Grande do Sul, onde a situação se agrava, com casos chegando à imprensa com frequência e onde, só nos primeiros meses deste ano, houve 20 vítimas fatais, apenas 27 dos 497 municípios contam com uma delegacia especializada para receber mulheres vítimas de violência. Onde uma mulher ameaçada, atemorizada e brutalizada será acolhida?
O estado ficou 10 anos sem a Secretaria da Mulher. Somente em 2025, por pressão dos movimentos sociais, foi recriada. A pasta existe, mas há recursos para bancar políticas? Se sim, que expressão tem? Ou a estrutura existe apenas como fachada publicitária para angariar simpatias junto à sociedade?
O tema suscita muitas perguntas. Por exemplo, qual o papel das redes sociais na exasperação da violência contra a mulher? Qual a influência da masculinidade tóxica, verbalizada cotidianamente durante os quatro anos do governo Bolsonaro, na elevação dos ataques motivados por questões de gênero?
Todos esses assuntos estão nesta edição, véspera do Dia Internacional da Mulher. A entrevistada é a presidenta do Conselho Estadual dos Direitos da Mulher, Natália Fetter. Ela lembra, aliás, que o 8 de Março não é um dia de flores, mas um dia de luta.
O podcast De Fato é uma produção do Brasil de Fato RS em parceria com o SindBancários de Porto Alegre e Região. Todo sábado, um entrevistado ou uma entrevistada debaterá os principais fatos em destaque no Rio Grande do Sul, no Brasil e no mundo.
Ficha técnica da edição:
Apresentação: Katia Marko e Ayrton Centeno
Direção: Marcelo Ferreira
Produção: Saraí Brixner e Clara Aguiar
Roteiro: Ayrton Centeno
Trilha sonora original: Zé Martins
Edição e sonorização: Alexandre Garcia
Técnica: Diego Dorneles
Arte: Clara Aguiar
Voz das vinhetas: Nara Lacerda