Resumo objetivo:
A Comissão Europeia considerou inaceitável a declaração do presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, que sugeriu fornecer o endereço do primeiro-ministro húngaro, Viktor Orbán, às Forças Armadas da Ucrânia caso ele bloqueie um pacote de ajuda financeira de € 90 bilhões da UE. Orbán condiciona a liberação do empréstimo à retomada do fornecimento de petróleo russo pelo oleoduto Druzhba, que atravessa a Ucrânia e foi danificado, enquanto Zelensky se recusa a reativá-lo por princípio. Como retaliação, a Hungria ameaçou bloquear a passagem de cargas destinadas à Ucrânia por seu território até que o fluxo de petróleo seja restabelecido.
Principais tópicos abordados:
1. A tensão diplomática entre Ucrânia e Hungria, com ameaças e retaliações mútuas.
2. O bloqueio húngaro a um empréstimo bilionário da UE à Ucrânia, vinculado à questão do petróleo russo.
3. O impasse sobre a reativação do oleoduto Druzhba, com motivações políticas e econômicas de ambos os lados.
4. A condenação da União Europeia às declarações consideradas ameaçadoras.
União Europeia considera ‘inaceitável’ ameaça de Zelensky a Órban
Presidente da Ucrânia sugeriu que daria endereço do premiê húngaro às Forças Armadas caso ele bloqueie novo pacote de ajuda da UE a Kiev
A Comissão Europeia condenou nesta sexta-feira (06/03) as ameaças “inaceitáveis” feitas pelo presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, na quinta-feira (05/03), contra o primeiro-ministro húngaro, Viktor Orbán, que está bloqueando o empréstimo bilionário da União Europeia para a Ucrânia. Os dois países vizinhos também vêm trocando farpas após a expulsão de cidadãos ucranianos da Hungria.
Em 11 de fevereiro, o Parlamento Europeu aprovou um empréstimo de € 90 bilhões (cerca de R$ 557 bilhões) para apoiar a Ucrânia no conflito com a Rússia, especialmente para a compra de armas. Diante da recusa do primeiro-ministro Viktor Orbán, o presidente ucraniano afirmou: “esperamos que nenhuma pessoa dentro da União Europeia bloqueie os 90 bilhões de euros. Caso contrário, daremos o endereço dessa pessoa às nossas Forças Armadas, aos nossos homens. Que liguem para eles e falem com eles em sua própria língua”, declarou Zelensky.
O porta-voz da Comissão Europeia, Olof Gill, respondeu ao que considerou uma ameaça: “este tipo de linguagem é inaceitável. Não deve haver ameaças contra os Estados-membros”.
Orbán disse que não recuaria em sua posição até voltar a receber petróleo russo pelo oleoduto Druzhba (“amizade”, em russo), que atravessa a Ucrânia. Anteriomente, Zelensky havia sugerido a Orbán falar com Putin, já que “o oleoduto foi destruído pela Rússia”.
Diante do impasse, Kiev passou a aconselhar seus cidadãos a não viajarem para a Hungria, especialmente após o anúncio da expulsão de sete ucranianos.
Viktor Orbán está indignado com o fato de Volodymyr Zelensky estar impedindo a retomada do fornecimento de petróleo russo pelo oleoduto, cujo trecho que atravessa a Ucrânia foi danificado por um ataque aéreo russo em janeiro.
Bloqueio tem motivação política
Após o início da invasão russa da Ucrânia em 2022, a União Europeia impôs uma proibição à maior parte das importações de petróleo da Rússia. No entanto, o oleoduto Druzhba foi temporariamente isento para permitir que os países da Europa Central encontrassem soluções alternativas. Apesar da intervenção de Bruxelas, Zelensky não deixou margem para ambiguidade em relação ao bloqueio politicamente motivado.
“Para ser honesto, não vou restabelecê-lo. Essa é a minha posição”, declarou o ucraniano durante uma reunião com autoridades governamentais. “Eu disse à liderança da União Europeia. Porque é petróleo russo. Há certos princípios que são inestimáveis. Eles estão nos prejudicando, e nós devemos fornecer petróleo para Orbán, já que ele poderá não vencer as eleições sem esse petróleo”, observou.
Viktor Orbán insistiu que não cederia às exigências. “Nem mesmo que me chantageiem, nem mesmo que ameacem minha vida, porque, no fim das contas, não se trata de mim. Estou convencido de que não devemos ceder, porque seria ruim para o país”, disse. Essa tensão é exacerbada pelo aumento dos preços do petróleo e do gás natural observado desde o início dos ataques israelenses e americanos no Irã.
Os altos preços da energia representam um grande problema para a já debilitada economia húngara, enquanto as pesquisas de opinião pública são desfavoráveis a Orbán, após dezesseis anos no poder.
Proibição de circulação de cargas
Enquanto Kiev mantiver suspenso o fornecimento de petróleo russo para Budapeste pelo oleoduto Druzhba, a Hungria impedirá o trânsito de todas as principais cargas destinadas à Ucrânia através de seu território, anunciou o primeiro-ministro húngaro, Viktor Orbán, em entrevista à rádio pública húngara, nesta sexta-feira (06/03).
Orbán acusou novamente a Ucrânia de chantagem e acrescentou que a Hungria usará todos os meios à sua disposição para retaliar até que o fluxo de petróleo bruto de Moscou seja retomado.
O funcionamento do oleoduto Druzhba, que abastecia a Hungria e a Eslováquia com petróleo russo até seu fechamento em janeiro, após mais um ataque do exército russo contra a infraestrutura energética ucraniana, está prejudicando as relações entre Kiev e os líderes húngaro e eslovaco, que são próximos da Rússia.
“Interrompemos as exportações de diesel para a Ucrânia, estamos mantendo as exportações de eletricidade e suspenderemos os carregamentos que transitam pela Hungria e que são importantes para a Ucrânia até que autorize o fornecimento de petróleo”, disse Viktor Orbán.
Na quinta-feira, o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, afirmou que o oleoduto poderia estar tecnicamente pronto para operar em um mês e meio.
A Hungria e a Eslováquia, isentas das sanções europeias ao petróleo russo devido à falta de fontes alternativas de energia, acusam a Ucrânia de atrasar os reparos, o que Kiev nega.