Resumo objetivo:
Cerca de 350 turistas brasileiros estão retidos desde 28 de fevereiro no cruzeiro Euribia, ancorado em Dubai, devido ao conflito entre EUA/Israel e Irã, que tornou insegura a rota original pelo Golfo Pérsico. A empresa MSC organizou voos de repatriação, com o primeiro para o Brasil previsto para 7 de março, após adiamentos e incertezas que mantiveram o grupo confinado no navio por dias, ouvindo alertas de mísseis. O Ministério das Relações Exteriores afirmou prestar assistência consular, enquanto passageiros relataram ansiedade com a situação e críticas à demora no resgate.
Principais tópicos abordados:
1. Retenção de turistas brasileiros em cruzeiro em Dubai por causa da guerra.
2. Esforços de repatriação pela empresa MSC e voo marcado para o Brasil.
3. Assistência consular do governo brasileiro e relatos de insegurança dos passageiros.
4. Condições vividas no navio, incluindo confinamento e alertas de mísseis.
Um grupo de 350 turistas brasileiros está retido desde 28 de fevereiro a bordo do cruzeiro EurÃbia, da empresa MSC, no porto de Dubai, nos Emirados Ãrabes Unidos, graças à guerra entre Estados Unidos e Israel contra o Irã. O EurÃbia navegaria pelo golfo Pérsico, hoje zona de guerra, e visitaria Doha, no Qatar, o Bahrein e Abu Dhabi, nos Emirados, mas nem sequer saiu de Dubai.
Depois de outra previsão de saÃda dada pela empresa MSC Cruzeiros que não foi cumprida, o grupo de brasileiros recebeu a informação de que o primeiro voo que vai tirá-los do Oriente Médio decola neste sábado (7) do Aeroporto Internacional de Dubai com destino a Guarulhos (SP).
A dentista Mariana Militão, 47, natural do Rio de Janeiro, está no navio junto com a mãe e duas tias. "Como está tudo tão incerto, a gente não sabe se vai sair ou não. Essa é a segunda previsão de retorno pra casa que nos dão", afirma à Folha. Vários alertas de mÃssil foram enviados ao longo da semana enquanto o grupo estava no barco.
O Ministério das Relações Exteriores informou à reportagem que, "por intermédio da Embaixada do Brasil em Abu Dhabi, tem ciência e acompanha a situação dos brasileiros" no EurÃbia, "a quem presta assistência consular". Espanha, Itália e Estados Unidos já retiraram seus cidadãos do cruzeiro.
Questionada sobre o caso, a empresa MSC Cruzeiros disse que já organizou sete voos para os mais de 1.500 hóspedes do EurÃbia, "incluindo para o Brasil" âas pessoas ouvidas pela Folha não confirmaram essa afirmação. "Temos imenso orgulho de ver como toda a companhia está se unindo nessa operação de repatriação altamente complexa", disse em nota o presidente executivo da MSC, Pierfrancesco Vago.
Mariana e as parentes embarcaram no Rio de Janeiro rumo à Guarulhos na madrugada do dia 27. De lá, pegaram um voo para Dubai. Poucas horas após desembarcarem, a guerra começou. "A gente escutava as explosões, o barulho dos mÃsseis, ficamos bastante preocupados no começo", afirma a dentista.
Entre 28 de fevereiro e 5 de março, o grupo ficou dentro do navio. Somente nesta sexta-feira (6), foram autorizados a sair e passear por Dubai brevemente. "Circulamos por alguns pontos da cidade, mas não vimos muita destruição, apenas estilhaços. Pegamos até engarrafamento", relata Mariana.
Em um vÃdeo publicado em seu perfil numa rede social, o brasileiro João Ricardo Karamekian, também retido no EurÃbia, afirma que esperava que a embaixada brasileira nos Emirados Ãrabes fretasse voos para resgatar os turistas ao longo da semana. "Como são 350 brasileiros, seriam necessários vários aviões. à muito brasileiro aqui", diz.
No vÃdeo, o homem afirma ter sido escolhido como porta-voz do grupo de turistas brasileiros pelo capitão do EurÃbia e o Cônsul do Brasil nos Emirados Ãrabes. Ele afirma se sentir aliviado pelo fato de não estarem em alto mar, pois a depender do tempo de retenção, poderiam faltar suprimentos e o socorro seria mais difÃcil.