O Instituto Gabi, que atende pessoas com deficiência e autismo em São Paulo, suspendeu temporariamente suas atividades devido ao atraso no repasse de uma emenda parlamentar de R$ 500 mil destinada pela deputada Luiza Erundina. A Prefeitura, por meio da Secretaria de Assistência Social, nega atraso e afirma que o recurso está em fase final de processamento, enquanto a entidade alega que o dinheiro é vital para seu custeio e já causou a impossibilidade de pagar salários. O impasse levou a protestos de famílias atendidas, e a deputada foi informada de que o valor será liberado em sete dias.
Principais tópicos abordados:
1. A suspensão dos serviços de uma instituição social por falta de repasse de verba pública.
2. A divergência entre a entidade e a prefeitura sobre a natureza e a morosidade do processo.
3. O impacto concreto na vida das 52 famílias atendidas, especialmente na rotina de pessoas com autismo.
4. A mobilização das famílias e a intervenção da parlamentar para resolver o impasse.
O Instituto Gabi, que atende pessoas com deficiência e autismo na zona sul de São Paulo, suspendeu atividades temporariamente após um atraso no processo do repasse de emendas parlamentares à entidade por parte da Prefeitura de São Paulo.
Um repasse de R$ 500 mil foi destinado ao instituto pela deputada federal Luiza Erundina (PSOL) entre novembro e dezembro de 2025. Desde então, o valor está em análise na Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social.
à Folha, a pasta nega atraso, diz que o valor passou por análise técnica, a reserva dos recursos foi autorizada e está em fase final de processamento. Afirma ainda que o valor não tem como destino o custeio permanente do serviço, mas um aporte complementar.
O instituto atende 52 famÃlias de forma gratuita oferecendo terapias individualizadas, reforço escolar, oficinas de convivência e consultoria jurÃdica. O projeto tem 14 profissionais e, conforme o cofundador Francisco Sogari, depende de doações e da verba parlamentar.
"O nosso plano de trabalho aprovado pela Secretaria é muito claro. Tem todos os elementos que comprovam que é o custeio total da operação", diz. Sogari afirma que, ainda em dezembro, recebeu a informação de que o recurso seria liberado em janeiro. Já em atraso, em fevereiro, diz terem começado a exigir uma posição da Secretaria, que teria dito que o valor estaria disponÃvel em março.
"Nós tivemos que pagar os salários de janeiro, de fevereiro, entramos no mês de março e não temos dinheiro para pagar o salário. A partir da imprecisão da informação, nós fizemos uma reunião com as famÃlias e informamos que vamos ter que paralisar o atendimento", afirma.
Após a reunião, 18 pessoas atendidas se reuniram em frente à sede da Prefeitura de São Paulo na quarta-feira (4) em protesto para exigir uma data para o repasse.
Uma delas foi a gerente predial Sandra Aquino, 48, mãe de Lucas, 25. O jovem é atendido pelo Instituto Gabi há 13 anos. "Quando o Lucas chegou no Instituto Gabi, ele não falava. O que o instituto trouxe de evolução pra ele é surreal", afirma.
Segundo Sandra, Lucas tem atividades diárias no instituto, e a suspensão afeta profundamente a rotina do jovem autista. "Nessas semanas que a gente vai ficar em casa, eu vou ter bastante dificuldade em controlar, em tentar explicar", diz.
à Folha, a deputada Erundina afirma que, após horas tentando contato com a prefeitura nesta quinta-feira (5), foi informada de que o valor chegou à secretaria em janeiro, mas que inicialmente faltava um parecer técnico financeiro, elaborado pela própria gestão. Foi informada também de que o recurso será liberado em sete dias.
A parlamentar diz que manda recursos para o instituto há anos. "Não dá para entender a morosidade nesse caso", diz.