Resumo da notícia:
O artigo aborda o resgate da obra da escritora francesa Claire de Duras, pioneira ao discutir o colonialismo pela perspectiva dos dominados no século XIX. Seu romance "Ourika", que narra a história de uma menina senegalesa escravizada, será publicado no Brasil pela primeira vez em 2027, junto com a novela "Édouard". O texto também menciona brevemente outros lançamentos editoriais, como uma coleção para pré-adolescentes e a tradução italiana do romance "Corsária", de Marilene Felinto.
Principais tópicos abordados:
1. O resgate póstumo da obra de Claire de Duras e seu impacto literário.
2. A publicação inédita de suas obras no Brasil pela coleção Clássicos Zahar.
3. Menções a outros lançamentos editoriais (coleção Feroz, tradução de "Corsária" e da "Correspondência Hamlet").
Nem na França se reconhece direito a extensão do pioneirismo da escritora Claire de Duras. Dona de um salão literário dos mais relevantes no começo do século 19, a duquesa foi autora de obras que provocaram alvoroço nos cÃrculos intelectuais, pautaram o colonialismo francês pelo viés dos dominados e produziram impacto confesso sobre autores como Stendhal, autor de "O Vermelho e o Negro".
A autora virou febre ao ler seus escritos em voz alta em rodas parisienses que incluÃam Alexander von Humboldt e o visconde de Chateaubriand, mas publicou muito pouco em seus 50 anos de vida. O romance "Ourika" foi o único a ter lançamento comercial mais amplo, sem identificação da autora, e esgotou rápido.
Se ainda se especulam as razões pelas quais a duquesa tinha reserva em tornar sua literatura mais conhecida do público âo maior suspeito é o ciúme de um marido possessivoâ, sua obra agora é objeto de um resgate que passa por coletâneas na prestigiosa editora francesa Gallimard e alcança o Brasil.
A coleção Clássicos Zahar vai lançar a primeira edição de sua obra no paÃs, reunindo "Ourika" e "Ãdouard", duas novelas curtas escritas em 1822. O livro deve sair em 2027 com tradução de Rosa Freire dâAguiar e prefácio inédito da camaronesa Léonora Miano.
"Ourika" é narrado e protagonizado por uma menina senegalesa que é escravizada, levada à França por um navio negreiro e criada nos costumes europeus. Essa perspectiva literária, rarÃssima no perÃodo, tem provável relação com o fato de a autora ter famÃlia com raÃzes na Martinica e uma irmã mais velha negra, filha de seu pai com uma mulher escravizada.
Diz-se que Claire de Duras definhou no fim da vida, com o abafamento de seu talento e vários casos de plágio por colegas escritores que ouviam suas tramas serem contadas nos salões. à uma história que começa a mudar.
CRIONÃASâSelo da editora Todavia voltado à s infâncias, a Baião inaugura em abril a coleção Feroz, voltada ao leitorado pré-adolescente âfaixa etária considerada pouco atendida pelo mercado editorial, por ficar numa espécie de limbo entre os livros infantis e juvenis. Outras editoras, como a Escarlate, já têm se recalibrado para mirar esse público, mas um diferencial da coleção da Baião é a autoria exclusivamente brasileira. Os dois primeiros livros serão "Lila Vampira e a Descoberta da Noite", de Tatiana Heide, e "Safira, a Caçadora de Parafernálias", de Gustavo Suzuki. Karin Hueck também lançará uma obra pela coleção.
PRONTA PARA EMBARCARâUm dos principais romances brasileiros do ano passado, "Corsária", de Marilene Felinto, fechou sua primeira publicação internacional. O livro lançado no Brasil em uma parceria das editoras Ubu e Fósforo vai ganhar uma tradução italiana pela Articoli Liberi no segundo semestre. "As Mulheres de Tijucopapo", o maior clássico de Felinto, já foi publicado em inglês, francês, holandês e catalão.
FACA NA CAVEIRAâNa onda de um dos principais filmes indicados ao Oscar do ano, "Hamnet", a Relicário e a PontifÃcia Universidade Católica do Rio de Janeiro publicam pela primeira vez no Brasil a "Correspondência Hamlet", com cartas entre o escritor Henry Miller e o crÃtico Michael Fraenkel que destrincham a peça de William Shakespeare de forma rigorosa e apaixonada. A tradução pioneira no paÃs é de Helena Martins e Marcia Schuback.