Resumo objetivo: Em maio será lançado o livro "Negras Maneiras de Vestir: Moda, Memória e Arte afro-brasileira", de Hanayrá Negreiros. A obra busca resgatar e dar visibilidade às memórias e narrativas do vestuário da população afro-brasileira, combatendo a invisibilidade histórica. A autora utiliza fotografias, incluindo de seu acervo familiar, e pesquisa em instituições para reconstruir essas histórias e propor novas perspectivas curatoriais.
Principais tópicos abordados:
1. O lançamento do livro como um marco de resgate da memória e da moda afro-brasileira.
2. A moda como elemento de identidade, aprendizado familiar e resistência cultural.
3. A metodologia da obra, que combina pesquisa acadêmica, memória familiar e arte contemporânea.
4. O objetivo de criar narrativas positivas e reconstruir a história da diáspora africana no Brasil.
Em maio, chega às livrarias 'Negras Maneiras de Vestir: Moda, Memória e Arte afro-brasileira', primeiro livro da historiadora, curadora e professora de moda Hanayrá Negreiros. A obra propõe o resgate de memórias por muito tempo invisibilizadas do vestuário das populações afro-brasileiras ao longo dos anos e propõe um novo olhar sobre as narrativas da diáspora.
A publicação é da editora Paralela, selo da Companhia das Letras, e conta com quarta capa escrita pela criadora, apresentadora e empresária Ana Paula Xongani.
Por meio de fotografias, inclusive de sua própria famÃlia, a autora reconstrói um passado perdido e cria uma nova perspectiva para essa história. "Pensando em Brasil, um paÃs onde a população negra foi, e é, historicamente subjugada, elaborar imagens sobre nós e sobre a nossa comunidade se apresenta como uma possibilidade simbólica de criação de narrativas positivas para o futuro", afirma a autora na apresentação do livro.
Segundo Negreiros, apesar de a moda ter sido historicamente atrelada a um contexto de luxo e superficialidade, a maneira de se vestir é um "aprendizado transmitido dentro de casa, nas relações familiares, nos gestos cotidianos que constroem referências e identidades".
Vinda de uma famÃlia atravessada há gerações pela costura e pela moda, Hanayrá Negreiros diz que sempre se sentiu fascinada pelas fotografias de seus antepassados guardadas com carinho por familiares, com especial atenção à s roupas que avós, bisavós, tios e primos vestiam. Durante a pandemia de Covid-19, a autora passou a compor a árvore genealógica da famÃlia, guiada pelas imagens angariadas ao longo dos anos.
Quando publicou um artigo a respeito do tema, começou a receber mensagens de leitores compartilhando histórias semelhantes às suas. Percebeu, então, que não estava sozinha em seu interesse, e que as imagens familiares eram possibilidades de reconstrução de narrativas, em especial afrodiaspóricas.
Na imagem da capa, produzida pela fotógrafa e cineasta Juh Almeida, a autora veste criações de artistas negras como Angela Brito, Carol Barreto e Lane Marinho, estabelecendo um diálogo com uma cena de moda contemporânea.
A pesquisa que embasa o livro foi realizada a partir de acervos institucionais do Instituto Moreira Salles e da Biblioteca Nacional. A publicação aborda também religiosidades de matrizes africanas e propõe interpretações curatoriais a partir de práticas de artistas visuais como Rosana Paulino, Aline Motta e Larissa de Souza.
com DIEGO ALEJANDRO, JULLIA GOUVEIA e KARINA MATIAS