O Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) realiza sua Jornada Nacional das Mulheres Sem Terra, integrada ao 8 de Março, denunciando o aumento da violência patriarcal e o avanço da extrema direita no Brasil. A pauta central é a luta pela reforma agrária, criticando a concentração de terras no agronegócio e a lentidão do governo nessa área, propondo um modelo alternativo de produção de alimentos. A mobilização também tem caráter internacionalista, expressando solidariedade a processos revolucionários, como os de Cuba e Venezuela, e reafirmando as origens socialistas da data.
Principais tópicos abordados:
1. Mobilização das mulheres do MST no 8 de Março.
2. Denúncia da violência contra as mulheres e do avanço da extrema direita.
3. Crítica ao agronegócio e luta pela reforma agrária.
4. Solidariedade internacionalista e defesa de processos revolucionários.
Em um contexto de avanço da extrema direita, aumento da violência contra as mulheres e concentração de terras nas mãos do agronegócio, o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) se prepara para mais uma Jornada Nacional das Mulheres Sem Terra, integrada às mobilizações do 8 de Março – Dia Internacional da Mulher Trabalhadora. A expectativa é reunir cerca de 14 mil mulheres em todas as regiões do país, em ações que combinam formação política, lutas massivas e simbólicas, e solidariedade internacionalista.
Beatriz Luz, integrante do Setor de Gênero do MST, abre sua análise no Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, com um diagnóstico contundente da conjuntura brasileira: “Esse ano a nossa conjuntura tem agravado a violência contra a vida das mulheres. Essa tem sido uma das nossas condições alarmantes em que o patriarcado tem declarado guerra contra a vida das mulheres”.
Para a militante, essa violência não é um fenômeno isolado, mas reflete o avanço do capital na sociedade e sua face mais perversa: “A extrema direita empoderada, que tem avançado nas consciências, em especial dos homens na sociedade”. O resultado, segundo ela, é fruto de um “capital racista e patriarcal” que demanda ação concreta das mulheres organizadas.
“Estaremos em marcha, estaremos em luta nesse processo de organização necessária pela vida das mulheres”, afirma Luz, destacando que as mobilizações ocorrerão em aliança com mulheres do campo e da cidade.
A reforma agrária é pauta central da jornada deste ano. A integrante do MST retoma que o governo Lula tem apresentado pouco avanço no tema, o que torna ainda mais urgente a pressão popular por políticas de democratização do acesso à terra.
“Nossa jornada traz como centralidade a terra e a necessidade de democratização da terra. Nós, mulheres sem terra, estaremos em luta denunciando o agronegócio no campo, esse avanço de um agronegócio que além de concentrar terras, destina terras para um projeto agroexportador que tem produzido fome e destruição ambiental”, denuncia.
Os números são expressivos: “Em cada quatro hectares de terras agricultáveis, três são destinados para soja, milho e cana-de-açúcar”. É contra esse modelo que o MST se levanta, anunciando a reforma agrária popular como alternativa.
“Reivindicamos a condição de sermos sujeitas da nossa história e de produzirmos novas relações humanas ao produzirmos com a terra, produzindo alimentos e relações verdadeiramente emancipadas”, reforça.
A jornada deste ano também carrega uma forte dimensão internacionalista. Diante dos ataques sofridos por Venezuela e Cuba, e das ameaças à soberania dos povos latino-americanos, o MST reafirma seu compromisso histórico com a solidariedade de classe.
A militante lembra ainda as origens do 8 de março: “É importante lembrar que o 8 de março é uma data que tem origem na luta das mulheres russas socialistas, por paz e por pão em um período de calamidade da Primeira Guerra Mundial. É com essa mística internacional de aliança que a gente reafirma esse legado das mulheres trabalhadoras, das nossas antepassadas que se mobilizaram e convocaram o 8 de março, que terminou desembocando na nossa grande Revolução de Outubro”.
A Jornada Nacional das Mulheres Sem Terra promete ocupar as ruas e os territórios com um “mar de bandeiras erguidas” — em defesa da vida das mulheres, da classe trabalhadora organizada e dos processos revolucionários em curso na América Latina e no mundo.
“É em defesa dos processos revolucionários que estão em curso na Venezuela, em Cuba, nos diferentes países do mundo que a gente se mobiliza e ergue nossas bandeiras”, conclui Luz.
Para ouvir e assistir
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