Principais pontos da notícia:
A obesidade no Brasil atingiu 25,7% dos adultos em 2024, um aumento de 118% desde 2006, distanciando o país da meta de redução para 20,3% até 2030. Entre crianças e jovens (5 a 19 anos), a taxa de sobrepeso ou obesidade já é de 38%, projetada para chegar a 50% em 2040, colocando o Brasil em 6º lugar no ranking mundial. O texto aponta a dificuldade crônica do poder público em implementar metas e defende ações integradas, como controle de ultraprocessados, promoção de ambientes urbanos ativos e melhoria do cuidado no SUS.
Principais tópicos abordados:
1. Aumento alarmante das taxas de obesidade em adultos e, especialmente, em crianças e jovens.
2. Falha no cumprimento das metas governamentais de combate à doença.
3. Fatores agravantes (consumo de ultraprocessados e sedentarismo) e propostas de soluções integradas.
São preocupantes os dados divulgados sobre obesidade no Brasil, ainda mais considerando que ela é um dos principais fatores de risco para doenças crônicas, como hipertensão e diabetes, infarto, além de vários tipos de câncer.
Levantamento do Vigitel (sistema de vigilância do Ministério da Saúde) divulgado em janeiro mostra prevalência de 25,7% da enfermidade entre adultos em 2024, ante 11,8% no inÃcio da série histórica, em 2006 âalta de 118%.
Em 2021, o governo federal instituiu um plano de ação para enfrentar doenças crônicas e agravos não transmissÃveis (Dant), com metas alinhadas aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU. Uma delas estabelece que a taxa de obesidade no paÃs deve cair para 20,3% (verificada em 2019) até 2030. Em 2020, contudo, ela foi superada (21,7%).
Trata-se de mais um exemplo de como o poder público brasileiro tem dificuldade crônica para tirar suas metas do papel.
Já o relatório da Federação Mundial de Obesidade, lançado na terça (3), indica que cerca de 38% de crianças e jovens no paÃs (de 5 a 19 anos) estavam obesos ou com sobrepeso em 2025, acima da média global de 20,7%. São 17 milhões de pessoas nesse estrato com Ãndice de massa corporal (IMC) considerado alto, sendo 7 milhões com obesidade.
Estamos em 6º lugar na lista de paÃses com maior número absoluto de crianças e jovens com excesso de peso. E a tendência é de piora: o texto projeta que a taxa deve chegar a 50% em 2040.
Sobrepeso e obesidade são condições de saúde complexas que exigem ações integradas.
O consumo de ultraprocessados, que tem aumentado principalmente nas classes mais pobres devido ao baixo preço, deve ser contido com campanhas de conscientização e informações claras no rótulos. Produtos do tipo também devem passar longe da merenda escolar. à preciso, ainda, facilitar a oferta de alimentos saudáveis nessas comunidades.
Com a profusão do uso de telas, cai a atividade fÃsica, notadamente nos estratos mais jovens. Uma urbanização focada em áreas verdes e esportivas é crucial nesse sentido.
No SUS, especialistas apontam que é preciso melhorar o diagnóstico e a prescrição de medicamentos, que não se resumem às famosas canetas emagrecedoras.
Tal força-tarefa envolvendo as três esferas é o único caminho para ao menos interromper a escalada da prevalência de uma doença capaz de impactar os custos do sistema de saúde âque será cada vez mais pressionado pelo envelhecimento populacional.