O Brasil atingiu um recorde de feminicídios em 2025, com quatro casos por dia, e a violência ocorre majoritariamente no ambiente doméstico, praticada por parceiros ou familiares. O artigo denuncia a conivência da sociedade com o silêncio diante de agressões e assédios, enfatizando que essa omissão é cumplicidade. Como solução, defende a ruptura coletiva desse silêncio, a responsabilização dos agressores e uma mudança na educação das crianças para combater a cultura machista.
Principais tópicos abordados:
1. A epidemia de violência contra a mulher no Brasil (feminicídio e estupro).
2. A naturalização da violência e a conivência social como parte do problema.
3. O chamado para ação coletiva, quebrando o silêncio e transformando a educação.
4. A necessidade do engajamento dos homens no combate ao machismo.
O feminicÃdio se alimenta do silêncio de quem vê e não age. O que ainda nos falta para romper esse silêncio? Em que momento a violência contra a mulher se tornou parte da rotina? Os números mostram uma realidade inaceitável: o Brasil nunca foi tão perigoso para as mulheres.
Em 2025, o paÃs bateu o recorde de feminicÃdios, com quatro casos por dia. A cada seis minutos uma mulher ou menina é estuprada. O maior perigo de uma mulher, no entanto, não está nas ruas escuras, mas dentro da própria casa. Na maioria dos casos, o agressor é o parceiro, o ex-companheiro ou um familiar. à no lar, que deveria ser o porto seguro, que muitas são violentadas e mortas.
Diante disso, o silêncio não é neutro âé cúmplice. Se você ouve uma "piada" agressiva ou presencia um assédio no ônibus e não faz nada, ou ignora comportamentos abusivos de amigos, está sendo conivente. A pergunta que fica é: você é parte da solução ou parte do problema?
A vida das mulheres não é negociável. Se você vir algo, ligue para 180 ou 190. Nossas vidas não são estatÃsticas. E, quando uma mulher denuncia, ainda é bombardeada com perguntas como "que roupa você estava usando?". Enquanto revitimizamos quem sobrevive, estamos cavando a cova de quem ainda vai sofrer. A culpa nunca é da vÃtima, e a vergonha tem que mudar de lado.
Se você não está horrorizado com a epidemia de violência contra a mulher, você é parte do problema. Não basta se indignar apenas quando um caso viraliza. à preciso romper o silêncio todos os dias, responsabilizar agressores e transformar a forma como educamos nossas crianças. Mudar a forma como criamos nossas crianças significa ensinar meninos a lidar com a frustração sem recorrer à violência e educar meninas a reconhecerem os primeiros sinais de abuso. Queremos um mundo onde as mulheres possam andar livres, sem medo. Onde estar viva e segura não seja privilégio, mas direito de todas.
Muitos homens dizem querer proteger suas famÃlias, mas proteger também é conversar, se posicionar e ser exemplo. Quando um caso de violência contra a mulher vem à tona, vocês, homens, falam sobre isso? Porque homem que cuida não se cala. Ele orienta, questiona e chama a responsabilidade. O machismo se combate entre homens. Quem não abusa, mas ri da piada machista do amigo, está dando permissão para que ele avance.
Dados do Anuário de Segurança Pública mostram que, dos 87.545 estupros ocorridos em 2024, 61% foram contra menores de 14 anos e mais de 85% das vÃtimas são meninas. Além disso, os estupros de meninos aumentaram 10% no último ano. Isso não é "assunto de mulher", é assunto de toda a sociedade.
à desprezÃvel que, há poucos dias, o Tribunal de Justiça de Minas Gerais, composto em sua maioria por homens, tenha autorizado que um homem de 35 anos abusasse de uma criança de 12 anos. Proteger mulheres não é "ideologia". à obrigação humana.
No ano passado, 1.568 mulheres foram assassinadas por serem mulheres âaumento de 4,7% em relação a 2024, quando foram registrados 1.492 casos.
Neste 8 de Março, lutamos por justiça, por respeito e pela vida de todas nós, mulheres. Um mundo com mulheres seguras e vivas não pode ser utopia.