Resumo objetivo:
O bilionário Marc Andreessen defende que a democracia é uma "farsa", pois, na prática, todas as sociedades são controladas por uma oligarquia organizada – da qual ele faz parte. Ele argumenta que, já que o domínio por uma elite é inevitável, o poder deveria estar com tecnocratas e empreendedores do Vale do Silício, capazes de impulsionar o progresso tecnológico e econômico sem regulações restritivas.
Principais tópicos abordados:
1. Crítica à democracia e defesa da "Lei de Ferro da Oligarquia" – a ideia de que elites sempre controlam o poder.
2. Promoção de uma tecnocracia de mercado – governança por uma elite tecnológica, sem amarras regulatórias.
3. Interesses econômicos e geopolíticos – desregulamentação da IA, expansão para setores como defesa e criação de um sistema financeiro paralelo baseado em blockchain.
“A democracia é uma farsa. Há sempre uma oligarquia (à qual pertenço) que detém o poder, porque as massas estão desorganizadas e dispersas. A democracia serve apenas para colocar a oligarquia no Congresso, no Poder Executivo e no Judiciário.”
Comentário de Marc Andreessen, um bilionário do Vale do Silício com um patrimônio líquido de US$ 2 bilhões, admite que os capitalistas controlam a “democracia” em todos os países e que isso lhes permitiu gerir o poder judiciário, executivo e político.
Em 96% das eleições parlamentares dos Estados Unidos (EUA), o político que recebeu mais dinheiro da oligarquia capitalista sempre vence.
O investidor de capital de risco e bilionário Marc Andreessen tem expressado visões céticas sobre a democracia, baseando-se no conceito sociológico da “Lei de Ferro da Oligarquia”, pasmem, de 1911.
Em entrevistas recentes, ele afirmou que a democracia “nunca é realmente algo real” e que todas as sociedades ao longo da história são, na verdade, oligarquias.
Andreessen argumenta que qualquer sistema de governo, independentemente de seus ideais fundadores, acaba sendo gerido por uma classe de elite.
O bilionário frequentemente cita Robert Michels (1876-1936), sociólogo alemão que formulou a teoria de que todas as organizações complexas (incluindo governos democráticos) tendem inevitavelmente para a oligarquia. O motivo, segundo o cínico Andreessen, é que elites pequenas conseguem se organizar, enquanto grandes maiorias não conseguem.
Em conversas públicas, quando questionado se os EUA vivem em uma democracia ou oligarquia, Andreessen respondeu categoricamente: “Uma oligarquia”. Ele também admitiu fazer parte dessa nova “contra-elite” ou nova oligarquia.
Em 2023, ele publicou um manifesto defendendo a aceleração tecnológica desenfreada, movida pelas forças de mercado, muitas vezes vista por críticos como uma visão que exclui a disputa democrática em favor de uma elite tecnológica.
Segundo a revista Jacobin, para Andreessen, a democracia é uma “farsa” porque as massas estão sempre desorganizadas, enquanto elites pequenas e focadas conseguem capturar as instituições. Ele argumenta que o debate real não deve ser sobre “democracia versus oligarquia”, mas sobre se a elite no poder é competente e orientada para o progresso (“builders”) ou apenas burocrática.
No seu “Techno-Optimist Manifesto”, Andreessen descreve os engenheiros e empreendedores como “conquistadores” que não devem ser freados por preocupações sociais “nebulosas”.
A junção dessas ideias sugere um modelo de sociedade onde a governança democrática tradicional é substituída por uma “tecnocracia de mercado”.
Se a oligarquia é inevitável, Andreessen prefere que o poder resida naqueles que criam tecnologia (a nova elite do Vale do Silício) em vez de políticos eleitos ou os burocratas de sempre.
Críticos na revista Jacobin apontam que essa retórica justifica a eliminação de qualquer regulamentação público-estatal sobre as Big Techs, criando um formato novo de “autoritarismo tecnológico”.
A ideia é “todo o poder às Big Techs”. Todo o poder aos tecnocratas digitais e seus mega-bilionários. Uma nova oligarquia de poucos com muito dinheiro e poder ilimitado.
Andreessen defende que a IA não deve ser regulada por questões de “segurança ética” ou “vieses”, pois isso atrasaria a corrida contra adversários globais – como a China.
Andreessen é um entusiasta do que chama de “reindustrialização da América”, na linha de Trump. Ele defende que as grandes empreiteiras de defesa tradicionais (como Boeing, Lockheed Martin, Northrop Grumman, General Dynamics, etc.) são lentas e caras (*).
Isso deixa claro que essa nova tecnocracia digital também está de olho nas oportunidades negociais rentáveis como a indústria armamentista e – por óbvio – a guerra.
Essa gente também é crítica do atual sistema financeiro mundial.
Eles lutam por criar uma infraestrutura financeira paralela baseada em blockchain (sistema de registro digital descentralizado que funciona como um “livro-razão” imutável) onde o código (programado por essa elite técnica) é a regra a ser seguida, eliminando a intermediação estatal e os impostos tradicionais.
O ponto mais controverso é que a oligarquia à qual Andreessen pertence não quer apenas “menos governo”, mas sim um governo que sirva como cliente e plataforma para suas próprias tecnologias.
No limite, o Estado deixa de ser um garantidor de direitos sociais para se tornar um comprador de soluções tecnológicas geridas por poucos indivíduos – todos muito endinheirados.
(*) As Forças Armadas USA abocanham cerca de 50% de todo o orçamento discricionário do país. Um dos motivos que explica o fato de os militares nunca terem tentado um golpe de Estado por lá. Afinal, eles já dominam a destinação do orçamento público, em especial o endereço das grandes empresas beneficiárias.
*Cristóvão Feil é sociólogo.
** Este é um artigo de opinião e não necessariamente expressa a linha editorial do jornal Brasil de Fato.