Resumo objetivo:
O Irã lançou ataques com drones contra Israel e uma base militar dos EUA no Catar, em resposta a agressões militares prévias de ambos os países. Israel reagiu interceptando mísseis e bombardeando alvos em Teerã, enquanto ampliava uma incursão terrestre no sul do Líbano. Os confrontos já causam centenas de mortes no Irã, deslocamento em massa de civis no Líbano e ocorrem em um contexto de tensões geopolíticas mais amplas, incluindo acusações sobre o programa nuclear iraniano.
Principais tópicos abordados:
1. Ataques recíprocos Irã-Israel-EUA: Ofensivas com drones e mísseis entre Irã, Israel e alvos americanos.
2. Expansão do conflito para o Líbano: Incursão terrestre israelense e ataques aéreos no sul do Líbano.
3. Impacto humanitário: Mortes em massa no Irã e deslocamento de civis no Líbano.
4. Contexto geopolítico: Ataques ocorrem durante negociações sobre o programa nuclear iraniano e tensões históricas entre os países.
O Exército do Irã anunciou nesta terça-feira (3) que lançou ataques contra Israel e contra uma base dos Estados Unidos no Catar em reação à agressão militar iniciada pelas forças estadunidenses e israelenses no último sábado (28).
Em comunicado divulgado pelo jornal Shargh, as Forças Armadas afirmaram que drones de combate atingiram “áreas militares do regime sionista nos territórios ocupados e as bases das forças americanas em Al Udeid, no Catar”.
Pouco depois, o Exército de Israel informou ter detectado o lançamento de novos mísseis a partir do Irã em direção ao território israelense. Explosões foram ouvidas em Jerusalém, segundo jornalistas da AFP. Em nota, os militares israelenses afirmaram que os sistemas de defesa estavam em operação para interceptar a ameaça.
As forças israelenses disseram ter bombardeado a presidência e o conselho de segurança do Irã, em Teerã. De acordo com o Exército, a Força Aérea atacou e “desmantelou instalações dentro do complexo da direção do regime” na capital iraniana. A emissora estatal do país também teria sido alvejada pelo atentado, segundo a rede Al Jazeera.
Autoridades sauditas relataram ainda que dois drones atingiram a embaixada dos Estados Unidos em Riad, provocando um pequeno incêndio e danos materiais.
Incursão terrestre no Líbano
O Exército de Israel realiza operações ao longo da fronteira com o Líbano e intensificou ataques aéreos no sul do país. O ministro da Defesa, Israel Katz, declarou ter autorizado o avanço de tropas para “assumir o controle de posições adicionais no Líbano”.
Segundo fonte do exército libanês, em relato à AFP, as forças israelenses entraram em uma área fronteiriça no sul do país.
“Tropas terrestres israelenses avançaram das barragens de Kfarkila e Khiam”, perto da fronteira entre Israel e Líbano, disse a fonte.
A fonte militar, segundo a AFP, expressou preocupação com “a intenção de Israel de estabelecer um amplo perímetro de segurança no sul do Líbano”.
Mortes e deslocamento em massa
O agravamento dos confrontos já provoca deslocamentos em massa. De acordo com a Agência da Organização das Nações Unidas para Refugiados (Acnur), ao menos 30 mil pessoas buscaram abrigo no Líbano desde o início das hostilidades entre Israel e o Hezbollah. Muitas outras passaram a noite em carros ou ficaram presas em congestionamentos, segundo a agência.
No Irã, o Crescente Vermelho informou que 787 pessoas morreram desde o início dos ataques conduzidos por Estados Unidos e Israel. Segundo a organização, mais de mil bombardeios atingiram 153 cidades e mais de 500 pontos em todo o país. O número de vítimas não pôde ser verificado de forma independente.
Ataques em meio a negociações diplomáticas
Os ataques conjuntos, não provocados e considerados ilegais pelas leis internacionais, dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, iniciados no sábado (27), ocorrem em meio a negociações sobre o programa nuclear iraniano. Apesar de o país persa afirmar cooperar com a Agência Internacional de Energia Atômica e se comprometer a usar seu programa nuclear exclusivamente para fins pacíficos, Israel e EUA – ambas potências nucleares – acusam Teerã de secretamente buscar a construção de armas atômicas.
Tel Aviv também acusa o Irã de ser “ameaça existencial” ao país, mas a acusação é rebatida por analistas que argumentam que o governo iraniano se encontra hoje muito enfraquecido pelos ataques de junho de 2025, pelas sanções impostas pelos EUA, protestos internos e o fim do corredor até o Líbano, após a queda de Bashar al-Assad na Síria.
A derrubada do governo em Teerã é um objetivo cultivado por Washington e Tel Aviv desde a instalação da República Islâmica, em 1979, que substituiu o regime vassalo do Ocidente e instituiu o governo teocrático nacionalista. Nos primeiros dias de ataques, bombardeios mataram lideranças iranianas, incluindo o líder supremo, o aiatolá Ali Khamenei, que governava o país desde 1989.
Terceiro maior produtor de petróleo do mundo, o Irã fechou, após o início das agressões, o Estreito de Ormuz, por onde é escoada a produção de vários países do Golfo. Por lá passa cerca de 20% do petróleo consumido globalmente, o que gera temores de uma crise inflacionária internacional. Outro temor, apontado por analistas, é que o conflito se expanda para outros países da região, com consequências imprevisíveis.