A merenda escolar da rede municipal de Foz do Iguaçu enfrenta novas críticas em 2026 devido a imagens que mostram excesso de gordura na carne servida, problema similar ao já identificado em 2025. A prefeitura alega ter trocado o fornecedor e não ter reclamações formais, mas não divulga dados essenciais de fiscalização, relatórios ou a lista de fornecedores vigentes. As denúncias recorrentes levaram sindicatos e a Câmara Municipal a formalizarem representações ao Ministério Público.
Principais tópicos abordados:
1. Problemas de qualidade na merenda (excesso de gordura na carne).
2. Falta de transparência da prefeitura (dados de fiscalização não divulgados).
3. Denúncias formais aos órgãos de controle.
4. Histórico de problemas similares em 2025.
Pelo segundo ano consecutivo, a merenda escolar da rede municipal de Foz do Iguaçu é alvo de questionamentos sob a gestão do prefeito General Silva e Luna (PL). Registros recentes, falhas reconhecidas pela própria prefeitura em 2025 e a falta de dados públicos sobre fiscalização e fornecedores em 2026 sustentam as críticas.
Fotos feitas na última semana em Centros Municipais de Educação Infantil (CMEIs) mostram o excesso de gordura gerada pela carne utilizada durante o preparo do alimento. Em uma das imagens, a carne aparece após o cozimento, com a gordura retirada ao lado. Em outra, a gordura removida está concentrada em um recipiente separado.
O material foi divulgado pela vereadora Valentina Rocha (PT) e atribuído a uma merendeira da rede municipal que pediu anonimato. O Sindicato dos Professores e Profissionais da Educação da Rede Pública Municipal (Sinprefi) confirmou a autenticidade das imagens.
Segundo a trabalhadora, a situação é recorrente no cotidiano das cozinhas escolares. “Quando a carne começa a cozinhar, solta muita gordura. Em alguns dias, precisamos retirar bastante antes de servir às crianças”, afirmou.
Problemas reconhecidos em 2025
Os registros atuais se conectam a episódios ocorridos no ano anterior. Em 2025, um vídeo que circulou publicamente mostrou embalagens de carne com etiquetas sobrepostas e informações divergentes sobre o teor de gordura no mesmo produto: 5% em uma etiqueta e 20% em outra.
Procurada à época, a Prefeitura de Foz do Iguaçu afirmou que foram identificados problemas pontuais na qualidade da carne moída fornecida à rede municipal, incluindo teor de gordura acima do limite previsto em edital. Segundo a administração, as entregas foram suspensas, o item foi retirado e um novo processo licitatório foi realizado ainda em 2025.
Para 2026, a gestão afirma que houve troca de fornecedor e sustenta que não há registros formais de reclamações sobre a carne moída nas unidades escolares.
Dados de fiscalização não divulgados
Apesar das explicações oficiais, informações centrais para a verificação independente do fornecimento seguem indisponíveis ao público. Até o momento, a prefeitura não divulgou resultados das inspeções realizadas nas escolas e CMEIs, registros de não conformidades e eventuais ações corretivas, mecanismos de monitoramento da qualidade durante o transporte de alimentos perecíveis, nem a lista nominal dos fornecedores vigentes em 2026, com itens e valores contratados.
Esses dados foram solicitados por meio de requerimentos encaminhados ao Executivo municipal, mas as respostas se limitaram à descrição genérica de procedimentos, sem apresentação de relatórios técnicos, laudos ou documentação comprobatória.
Denúncias aos órgãos de controle
A recorrência de episódios levou à formalização de denúncias. Na quinta-feira (26), o Sinprefi, conselhos da área da educação e a Comissão de Educação da Câmara Municipal formalizaram representações ao Ministério Público após relatos de desabastecimento e falhas administrativas no início do ano letivo de 2026.
Em manifestações públicas, Valentina Rocha afirmou que os registros reforçam a necessidade de vigilância permanente sobre a qualidade da merenda escolar e convocou a participação das famílias. “Pais e responsáveis precisam acompanhar o que está sendo servido aos alunos e registrar qualquer problema”, disse.
Procurada novamente sobre a divulgação dos relatórios de inspeção, o monitoramento do transporte e a relação completa de fornecedores vigentes em 2026, a Prefeitura de Foz do Iguaçu não respondeu até a publicação da reportagem. O espaço segue aberto às manifestações.