Dois importantes clérigos iranianos pediram a rápida escolha de um novo líder supremo, demonstrando desconforto com o conselho interino que assumiu após a morte do aiatolá Khamenei. O apelo ocorre em um contexto de aumento das tensões, com ameaças dos EUA e retaliações do Irã, incluindo decretos religiosos convocando vingança. Paralelamente, um relatório de inteligência dos EUA avalia que um ataque em larga escala teria dificuldade em derrubar o establishment iraniano, que manteria capacidade de organizar uma sucessão.
Principais tópicos abordados:
1. Sucessão do líder supremo no Irã e pressão interna para acelerar o processo.
2. Tensões geopolíticas com ameaças dos EUA/Israel e retórica de vingança do Irã.
3. Análise de inteligência sobre a resiliência do regime iraniano a ataques externos.
Dois clérigos influentes e linha-dura do Irã pediram a rápida escolha de um novo lÃder supremo em meio a uma nova onda de ataques dos Estados Unidos e de Israel, afirmou a imprensa do paÃs neste sábado (7).
Os apelos sugerem que pelo menos alguns membros do clero estão desconfortáveis com a ideia de deixar um conselho de três membros no comando, mesmo que temporariamente, após o assassinato do aiatolá Ali Khamenei.
O aiatolá Naser Makarem Shirazi disse que uma nomeação era necessária rapidamente para "ajudar a organizar melhor os assuntos do paÃs", segundo a mÃdia estatal. O aiatolá Hossein Nouri Hamedani também instou os membros da Assembleia de Especialistas, órgão clerical encarregado de escolher o novo lÃder, a acelerarem o processo de seleção do sucessor de Khamenei.
O pedido ocorre após o presidente Donald Trump afirmar que os EUA deveriam ter um papel na escolha do novo lÃder, uma exigência que o Irã rejeitou.
Seguindo as normas estabelecidas na Constituição do Irã, um conselho de três membros, composto pelo presidente, um clérigo de alto escalão e o chefe do Judiciário, assumiu o papel de lÃder supremo até que a Assembleia de Especialistas tome uma decisão.
A Constituição estipula que um lÃder supremo deve ser escolhido em até três meses, embora, com a guerra em curso, não esteja claro quão rápido o órgão, composto por 88 membros, poderá se reunir.
Na semana passada, duas importantes autoridades religiosas xiitas também emitiram fatwas, ou decretos religiosos, convocando muçulmanos de todo o mundo a vingar a morte de Khamenei. Makarem Shirazi afirmou que esse é um dever religioso para os muçulmanos "até que o mal desses criminosos seja erradicado do mundo".
Neste sábado, Trump disse que o Irã seria "atingido com muita força". "Estão sendo seriamente consideradas para destruição completa e morte certa, devido ao mau comportamento do Irã, áreas e grupos de pessoas que não eram considerados alvos até este momento", afirmou o republicano em sua plataforma, a Truth Social.
Apesar das ameaças, um relatório confidencial do Conselho Nacional de Inteligência visto pelo The Washington Post concluiu que dificilmente um ataque em larga escala contra o Irã conseguiria destituir o establishment e mudar o regime da república islâmica.
De acordo com o jornal americano, o documento foi concluÃdo uma semana antes de os EUA atacarem o Irã, no sábado passado (28). O relatório afirmaria que o clero e as Forças Armadas do Irã conseguiriam organizar uma sucessão tanto em uma campanha direcionada contra lÃderes quanto em um ataque mais amplo contra as instituições governamentais.
Trump vem apresentando objetivos contraditórios para a guerra. Ele já falou em uma possÃvel deposição das armas por parte das forças iranianas, mencionou protestos que derrubariam o regime e citou como inspiração a Venezuela, que atualmente colabora com os EUA após o ditador Nicolás Maduro ser capturado por Washington no inÃcio de janeiro.