Resumo objetivo:
O Congresso dos EUA prepara votações para limitar os poderes de Donald Trump no conflito com o Irã, reafirmando sua autoridade constitucional para declarar guerra. Parlamentares criticam a ação por falta de justificativa de "ameaça iminente" e buscam obrigar aprovação legislativa para continuidade das hostilidades. Enquanto isso, Trump defendeu os ataques listando objetivos militares e ameaçou escalar o conflito, incluindo possível envio de tropas.
Principais tópicos abordados:
1. Disputa constitucional entre Congresso e Presidência sobre autoridade para declarar guerra.
2. Críticas à legalidade dos ataques, focando na ausência de "ameaça iminente".
3. Objetivos militares declarados por Trump contra capacidades iranianas.
4. Ameaça de escalada do conflito, com possibilidade de tropas terrestres.
O Congresso dos Estados Unidos se prepara para votar nesta semana uma série de resoluções destinadas a limitar os poderes de Donald Trump nos ataques que lançou contra o Irã. Parte dos parlamentares quer reafirmar a autoridade do Congresso, único órgão habilitado pela Constituição dos Estados Unidos a declarar guerra, embora a maioria republicana provavelmente consiga frustrar essas iniciativas.
“Trump iniciou uma guerra desnecessária, idiota e ilegal contra o Irã”, declarou o senador democrata Tim Kaine na rede social X.
No fim de janeiro, o legislador apresentou uma resolução destinada a obrigar Trump a obter autorização do Congresso para qualquer conflito com o Irã. No sábado, pediu aos parlamentares que “retornem imediatamente” a Washington para votar o texto.
Em um artigo publicado no Wall Street Journal no domingo, Kaine afirmou que pode declarar “sem rodeios que não havia nenhuma ameaça iminente do Irã contra os Estados Unidos que justificasse” a operação militar.
A questão da “ameaça iminente” está no centro do debate sobre a legalidade da guerra ordenada por Trump.
O Congresso é o único órgão habilitado a declarar guerra. No entanto, uma lei de 1973 permite ao presidente iniciar uma intervenção militar limitada para responder a uma situação de emergência provocada por um ataque contra os Estados Unidos.
Em entrevista coletiva nesta segunda-feira (2), porém, o secretário de Defesa estadunidense, Pete Hegseth, utilizou o termo “guerra” para qualificar o conflito em curso com o Irã, e não apenas uma intervenção limitada.
Para Daniel Shapiro, do centro de estudos Atlantic Council, Trump “não explicou nem a urgência nem a ameaça iminente que tornava necessária uma guerra neste momento”.
Agora, o presidente precisa obter autorização do Congresso se quiser continuar as hostilidades contra o Irã além de 60 dias.
Pouco propenso a criticar Trump, o deputado republicano Thomas Massie denunciou os ataques no sábado.
Massie disse que apresentará, junto com seu colega democrata Ro Khanna, uma resolução para “forçar uma votação do Congresso sobre esta guerra com o Irã”.
Metas declaradas
Trump apresentou, nesta segunda, pela primeira vez, uma lista precisa de quatro objetivos para a guerra no Irã, em uma declaração feita na Casa Branca. Para justificar a operação militar lançada no sábado, assegurou que havia aproveitado a “última e melhor chance” para atacar.
“Em primeiro lugar, estamos destruindo as capacidades de mísseis balísticos do Irã”, declarou Trump, que falou sobre o conflito antes de uma cerimônia de entrega de condecorações.
“Em segundo lugar, estamos aniquilando sua Marinha”, acrescentou. “Em terceiro lugar, estamos garantindo que o principal patrocinador mundial do terrorismo nunca possa ter uma arma nuclear”, continuou.
“Por fim, estamos garantindo que o regime iraniano não possa continuar armando, financiando e dirigindo exércitos terroristas fora de suas fronteiras”, concluiu Trump, em referência aos grupos armados vinculados a Teerã no Oriente Médio, como o Hezbollah libanês ou o Hamas palestino.
Soldados no terreno
O presidente magnata disse ainda que não hesitaria em enviar tropas terrestres ao Irã se necessário e ameaçou a República Islâmica com uma nova “grande onda” de ataques.
“Não me acovardo em relação a tropas no terreno, como todos aqueles presidentes que dizem: ‘Não haverá tropas no terreno’. Eu não digo isso”, declarou Trump ao New York Post, em uma das várias entrevistas breves concedidas desde que lançou a operação contra o Irã no sábado.
Trump também antecipou uma escalada durante entrevista à CNN nesta segunda-feira. “Nem sequer começamos a atingi-los com força. A grande onda ainda não chegou”, disse ao canal estadunidense sem dar mais detalhes. “Está por vir”, acrescentou.