O livro "While Israel Slept" analisa as falhas de inteligência e segurança que permitiram o ataque do Hamas em 7 de outubro de 2023, apontando como causas principais a excessiva confiança na tecnologia de fronteira e uma leitura política equivocada que subestimou a ameaça. Os autores detalham como uma cadeia de erros, incluindo a desativação progressiva de unidades de inteligência voltadas para Gaza e a rivalidade entre agências, levou a essa falha sistêmica. A obra também aborda o contexto histórico do relacionamento de Israel com o grupo, incluindo o apoio inicial na crença de que ele seria um contraponto à OLP.
"While Israel Slept", dos jornalistas Yaakov Katz e Amir Bohbot, é um livro de necropsia. Os autores examinam ao microscópio os erros dos serviços de segurança e do governo que possibilitaram o ataque terrorista do Hamas de 7 de outubro de 2023.
Israel tem o mais poderoso exército e os mais eficientes serviços de inteligência da região e ainda assim foi surpreendido pelo grupo palestino, que era considerado, tanto pelos militares como pelos polÃticos, o menos ameaçador dos três principais inimigos do paÃs (os outros dois são o Irã e o Hezbollah). Como isso foi possÃvel?
O livro não oferece uma resposta única porque a explicação está na famosa cadeia de falhas. Duas das mais flagrantes são o excesso de confiança na tecnologia e a leitura polÃtica equivocada. Os israelenses acreditaram erroneamente que a cerca de proteção hi-tech em torno de Gaza impediria qualquer infiltração. Também acreditaram que, apesar da retórica belicosa do Hamas, o Estado judeu e o grupo palestino haviam alcançado um "modus vivendi". Israel não interferia na administração de Gaza e vinha permitindo que o Hamas recebesse mais dinheiro de paÃses árabes, além de conceder mais permissões de trabalho para a população local atravessar a fronteira.
Não é que os israelenses nunca tenham recebido informações que contraditassem essa visão. Alguns analistas entenderam o que estava para ocorrer e repassaram a informação, mas os escalões superiores estavam tão convencidos de que a sua visão era a correta que ignoraram tudo o que a contrariasse.
O livro é bem detalhista. Mostra como os serviços de inteligência para Gaza foram aos poucos desativados (eles continuaram a funcionar bem no LÃbano e no Irã, onde Israel realizou operações secretas com sucesso), as rivalidades entre as diferentes unidades militares e agências civis. Conta também como os israelenses deram corda para o Hamas em seus primórdios, achando que os religiosos seriam um contraponto benigno à OLP de Iasser Arafat. Se arrependimento matasse...