Resumo objetivo:
O crescimento do PIB brasileiro em 2025 foi de 2,3%, uma desaceleração em relação aos 3,4% de 2024, mas ainda acima da previsão de 2% feita no final de 2024. Essa desaceleração, mais acentuada nos setores sensíveis à política econômica, é vista como um resultado positivo do aperto monetário e fiscal, criando condições para o início de um ciclo de queda dos juros. No entanto, a análise de médio prazo (2019-2025) revela um crescimento muito baixo da produtividade do trabalho (0,1% ao ano), indicando uma capacidade limitada de expansão da economia agora que o desemprego está baixo.
Principais tópicos abordados:
1. Desempenho e desaceleração da economia em 2025: Crescimento do PIB, comparação com 2024 e previsões, com destaque para a forte desaceleração da demanda privada e dos setores cíclicos.
2. Política econômica: Impacto do aperto monetário e fiscal para conter a inflação e a expectativa de início de um ciclo de queda da taxa de juros.
3. Análise de médio prazo e produtividade: Comparação do período 2019-2025 com o ciclo 2004-2011, focando na queda do desemprego e no preocupante baixo crescimento da produtividade do trabalho no ciclo recente.
Na terça-feira (3), o IBGE divulgou o desempenho da economia em 2025. Após quatro anos em que os analistas sistematicamente subestimaram o crescimento, em 2025 eles não foram mal. Em dezembro de 2024, a pesquisa Focus apontava 2% de crescimento para 2025. De fato, a economia se expandiu um pouco mais, 2,3%, apresentando expressiva desaceleração em relação aos 3,4% de 2024.
No entanto, a desaceleração foi ainda maior. Em 2025, a agropecuária cresceu 11,7%, ante recuo de 3,7% em 2024. Analogamente, a indústria extrativa mineral, que avançara 0,5% em 2024, no ano que passou cresceu 8,6%. Se considerarmos os setores mais cÃclicos, isto é, aqueles que respondem à polÃtica monetária e fiscal, a desaceleração foi de três pontos percentuais, de 4,5% para 1,5%. A demanda privada, a soma do consumo com o investimento privado, desacelerou de 5,7% para 1,7%. O investimento desacelerou de 6,9% para 2,9%. Sempre considerando a comparação de 2024 com 2025.
Em razão do forte aperto monetário e do freio do crescimento do gasto público primário âque cresceu 1,5% em 2025, ante 6% em 2024 e 9% em 2023â, a desaceleração não somente era esperada como é um bom sinal: a economia responde bem à polÃtica econômica. A polÃtica econômica induziu uma desaceleração pois temos a economia a plena carga com sinais de inflação de serviços muito elevada. A polÃtica macroeconômica de boa qualidade tem gerado as condições para um ciclo de queda das taxas de juros que deve se iniciar agora em março.
Com os dados para 2025, podemos olhar o desempenho da economia brasileira a médio prazo. Desde 2019, tomando como ano-base 2018, houve fortÃssima queda da taxa de desemprego. Ela se reduziu em 6,4 pontos percentuais, de 12,5% em 2018 até 5,8% em 2025.
Nos sete anos transcorridos de 2019 a 2025, tomando como base 2018, o crescimento da economia foi de 2% ao ano, a expansão das horas trabalhadas, de 1,9% ao ano, e, portanto, o crescimento da produtividade do trabalho foi de ridÃculo 0,1% ao ano!
Vale compararmos com o desempenho da economia brasileira nos oito anos de 2004 a 2011, tomando como base 2003. Esse foi outro perÃodo em que a taxa de desemprego apresentou expressiva queda, de 3,4 pontos percentuais, de 11,4% em 2003 para 8% em 2011.
Nos oito anos transcorridos de 2004 a 2011, tomando como base 2003, o crescimento da economia foi de 4,3% ao ano, o das horas trabalhadas, de 1,6% ao ano, e, portanto, o crescimento da produtividade do trabalho foi de belos 2,7% ao ano!
A péssima notÃcia é o comportamento muito ruim da produtividade do trabalho nos sete anos de 2019 até 2025. Crescer 0,1% ao ano significa que a capacidade de crescimento da economia, agora que a ociosidade no mercado de trabalho foi eliminada, é muito baixa.
Nos dois perÃodos, 2004 a 2011 e 2019 a 2025, tivemos um longo ciclo de aceleração do crescimento e queda da taxa de desemprego. No ciclo de agora, o crescimento e a ocupação da capacidade instalada não geraram ganhos de produtividade.
à tentador achar que a diferença seria que agora a desindustrialização teria sido mais intensa. Não é verdade. A preços constantes, a participação da indústria de transformação no PIB caiu 1,4 ponto percentual de 2004 a 2011 e 1,3 ponto de 2019 até 2025. Teremos de olhar para outro lugar.