Resumo objetivo:
O PSOL rejeitou, por ampla maioria, a proposta de federação partidária com o PT para as eleições de 2026, configurando uma derrota para a ala do ministro Guilherme Boulos, que defendia a aliança. Apesar disso, o partido confirmou que apoiará a candidatura de Lula à presidência e não lançará um nome próprio. A decisão reflete um conflito interno entre quem via a federação como necessidade estratégica e quem temia a perda de independência política do PSOL.
Principais tópicos abordados:
1. Rejeição à federação com o PT.
2. Conflito interno e possível saída da ala de Boulos.
3. Apoio à candidatura de Lula em 2026.
4. Debate entre preservação da identidade partidária e estratégia eleitoral.
O PSOL não topou uma federação com o PT para as eleições de 2026. A ideia, debatida neste sábado (7) em reunião virtual do diretório nacional do partido, foi rechaçada em peso: 47 votos a favor e 15 contra.
Se tivesse embarcado na aliança, PSOL se associaria ao PT como se fossem uma sigla só, sob o mesmo estatuto, ainda que nomes e números de urna próprios fossem preservados. à esse cenário que a legenda descartou no que participantes do encontro definiram como uma derrota para o ministro Guilherme Boulos (Secretaria-Geral).
A decisão pode levar a uma saÃda da ala liderada por Boulos do partido, conforme apurou o Painel. A corrente, chamada Revolução Solidária, reúne algumas das figuras de maior projeção pública do partido.
Na videoconferência, os psolistas também definiram que apoiarão a tentativa do presidente Lula (PT) de buscar um quarto mandato presidencial e, portanto, não apresentarão candidato próprio ao Palácio do Planalto.
A possÃvel entrada do PSOL na federação composta por PT, PCdoB e PV provocou rusgas internas no PSOL. Lideranças como Boulos, ministro da Secretaria-Geral da Presidência, e a deputada Erika Hilton defendiam a união como tática necessária para enfrentar a extrema direita e garantir a sobrevivência parlamentar da sigla.
Em contrapartida, figuras históricas e correntes majoritárias da legenda temem a perda da independência polÃtica e a obrigação de apoiar candidatos de centro-direita endossados pelos petistas.
"Foi uma derrota muito pesada de Boulos", diz à Folha o vereador Roberto Robaina, de Porto Alegre, membro do diretório. Ele é aliado de Sâmia Bonfim e segue a mesma trilha argumentativa da deputada: "A federação faria do PSOL um puxadinho do PT, então seria uma derrota do projeto de fundação do partido".
Segundo Robaina, Boulos não discutiu sua entrada na Esplanada do presidente Lula (PT) com a direção do partido, "prometendo essa linha de federação que nada mais seria do que a subordinação do PSOL ao PT.
A deliberação, contudo, não impede que as duas legendas estejam na mesma plataforma em 2026. "Estamos unidos com o PT para enfrentar a extrema direita."
Boulos não estava na reunião, por não fazer parte do diretório nacional. Sua mulher, Natalia Szermeta, que deve concorrer à Câmara neste ano, foi a principal porta-voz do movimento pró-federação.
O deputado Chico Alencar, que também integra o diretório nacional, definiu o debate como "elevadÃssimo" e "tranquilo", sem "adjetivos ofensivos ou nenhum tumulto". Aproveitou para alfinetar colegas de BrasÃlia que, segundo ele, estariam inquietos com o escândalo envolvendo o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e seu potencial de respingar no universo polÃtico.
"Foi à altura de um partido doutrinário, que opera com ideias e causas, e ali absolutamente ninguém estava apreensivo com as planilhas e as mensagens de Vorcaro. Isso é um diferencial, não é? No Parlamento Nacional, a quase totalidade dos partidos está com o rabo preso com esse esquema. Nós, absolutamente não."
Em comunicado à imprensa, o PSOL optou por destacar que sua cúpula apoia "de forma unânime" a reeleição de Lula e que a federação com a Rede continuará válida para o próximo ciclo eleitoral.
Sobre o naufrágio da federação com o PT, a presidente nacional da sigla disse que "o tema foi acolhido e, assim como os demais, debatido de modo democrático e amplo, conforme nossa tradição partidária".