Resumo objetivo: A família de Gustavo Guimarães, brasileiro morto pela polícia nos EUA, contesta a versão oficial de que ele sacou uma arma. Eles afirmam que ele estava em uma triagem de saúde mental, estava calmo e tinha medo de policiais, e que a chegada dos agentes desencadeou a crise. O caso está sob investigação das autoridades americanas, com acompanhamento do consulado brasileiro.
Principais tópicos abordados:
1. A divergência entre a versão da polícia (que alega ter havido uma arma) e o relato da família (que nega a agressividade e descreve um contexto de atendimento de saúde mental).
2. As circunstâncias que levaram ao encontro no estacionamento, focadas na busca de ajuda para problemas de saúde mental de Guimarães.
3. A investigação em andamento pelas autoridades dos EUA e o envolvimento diplomático do Consulado do Brasil.
A famÃlia do brasileiro Gustavo Guimarães, 34, morto na terça-feira (3) por policiais em um estacionamento de supermercado em Powder Springs, no estado da Geórgia, nos Estados Unidos, contesta a versão da polÃcia.
Segundo autoridades, Guimarães teria sacado uma arma durante a abordagem que resultou em sua morte. Porém, de acordo com um familiar que pediu para não ser identificado, o brasileiro estava recebendo atendimento de saúde mental no momento em que os agentes chegaram ao local âe estava calmo.
O parente disse à Folha que Guimarães não era uma pessoa agressiva e não acreditava em violência. Além disso, havia retomado contato com parentes nas últimas semanas depois de meses sem notÃcias.
Ele teria comunicado que finalmente havia conseguido emprego e que estava disposto a buscar tratamento para problemas de saúde mental com os quais convivia há anos. Embora Guimarães não tenha recebido um diagnóstico formal justamente por se recusar a buscar ajuda médida, a famÃlia diz que ele apresentava sinais de esquizofrenia.
Os parentes, então, entraram em contato com duas profissionais de saúde para fazer uma triagem. O encontro foi marcado para a terça-feira em um estacionamento de supermercado âum local público, escolhido justamente para ser um ambiente neutro.
Segundo a famÃlia, durante aproximadamente uma hora, Guimarães conversou com as duas profissionais. Ele próprio teria explicado que, em momentos de agitação ou medo, tinha o hábito de elevar o tom de voz, mas que não era uma pessoa violenta. Também contou que tinha medo de policiais.
Em determinado momento, segundo o relato do familiar, um grupo de ao menos seis policiais chegou ao local, atendendo a um chamado anônimo segundo o qual havia uma pessoa em crise de saúde mental no estacionamento.
O parente ouvido pela reportagem disse que a presença dos agentes alterou o estado emocional de Guimarães. Antes disso, segundo o relato, ele não apresentava nenhum sinal de surto.
Outra familiar que acompanhava Guimarães e que tem histórico de problemas cardÃacos começou a passar mal durante a abordagem e precisou ser removida de ambulância para um hospital. Ela resistiu em deixar Guimarães com os policiais, mas os próprios agentes a convenceram a ir, garantindo que o acalmariam e o encaminhariam posteriormente para atendimento psiquiátrico.
Meia hora depois de chegar ao hospital, ela foi informada por dois policiais de que Guimarães estava morto. Segundo a versão apresentada a ela, o brasileiro estava muito agitado, e os agentes optaram por atirar.
O Departamento de PolÃcia de Powder Springs afirmou, em nota, que Guimarães teria sacado uma arma de fogo durante a abordagem, o que teria motivado os disparos. A famÃlia nega.
O caso está sendo investigado pelo Departamento de Investigação da Geórgia e pelo gabinete do promotor do condado de Cobb. O Ministério das Relações Exteriores informou que o Consulado-Geral do Brasil em Atlanta está em contato com a famÃlia de Guimarães.