Resumo objetivo:
O grupo do PSOL liderado pelo ministro Guilherme Boulos foi derrotado na proposta de formar uma federação com o PT, recebendo apenas 25% dos votos internos. Diante do isolamento, a corrente Revolução Solidária (que inclui Boulos e a ministra Sônia Guajajara) deve decidir em duas semanas entre permanecer no partido - sob novas condições - ou migrar para o PT.
Principais tópicos abordados:
1. A derrota interna da ala de Boulos na votação sobre a federação com o PT.
2. A possível saída do grupo do PSOL ou a necessidade de renegociar sua atuação no partido.
3. As razões do racha, com a ala moderada do PSOL se aliando a setores contrários por medo de ser "engolida" pelo PT.
4. O debate central entre unir a esquerda contra a direita versus preservar a autonomia partidária.
Derrotado neste sábado (7) na proposta de compor uma federação com o PT, o grupo do PSOL que tem no ministro Guilherme Boulos (Secretaria Geral) sua principal liderança deve decidir pela permanência ou não no partido nas próximas duas semanas.
Deve pesar na decisão a avaliação de que a direção partidária e correntes minoritárias decidiram aplicar uma derrota categórica em algumas das figuras com maior visibilidade e potencial eleitoral da legenda.
A corrente, chamada Revolução Solidária, reúne algumas das figuras de maior projeção pública do partido. Além do ministro, fazem parte a ministra Sônia Guajajara (Povos IndÃgenas) e a deputada federal Erika Hilton (SP), entre outros. A rejeição à federação teve 75% dos votos, isolando a ala de Boulos, que deu os 25% favoráveis.
Uma possibilidade forte é o grupo migrar para o PT. Mesmo que a decisão seja de ficar, será necessário repactuar as condições de atuação do grupo na legenda, diz uma pessoa da ala de Boulos.
O isolamento da ala dos dois ministros do PSOL no governo se dá em razão de um racha no campo mais moderado da legenda, que sempre atuou conjuntamente.
Desta vez, o grupo Primavera Socialista, da presidente da legenda, Paula Coradi, do seu antecessor, Juliano Medeiros, e do deputado federal Ivan Valente (SP), aliou-se às correntes contrárias à federação.
O argumento é que o PSOL seria engolido pelo PT e teria de apoiar candidatos a governador inaceitáveis para a legenda em alguns estados. Já os favoráveis à federação dizem que é preciso unir a esquerda para enfrentar a direita, que tem formado federações.