Resumo objetivo:
A tecnologia de interface cérebro-máquina desenvolvida pelo neurocientista brasileiro Miguel Nicolelis foi incluída como prioridade estratégica no 15º Plano Quinquenal (2026-2030) da China, no âmbito das "indústrias do futuro". A inclusão reforça a relevância internacional das pesquisas de Nicolelis, que já demonstraram aplicações médicas bem-sucedidas, como a reabilitação de pacientes paraplégicos. O plano chinês visa cultivar indústrias emergentes e liderar o desenvolvimento científico, colocando a tecnologia ao lado de áreas como computação quântica e IA.
Principais tópicos abordados:
1. Priorização estratégica pela China: A incorporação da interface cérebro-máquina no plano quinquenal chinês.
2. Relevância da pesquisa de Nicolelis: O reconhecimento internacional do trabalho do neurocientista brasileiro.
3. Aplicações e resultados médicos: Os avanços no tratamento de paralisia, com pacientes recuperando movimentos.
4. Contexto de inovação global: O posicionamento da China para liderar em tecnologias futuras.
Tecnologia desenvolvida por Nicolelis ganha ‘prioridade estratégica’ na China
Interface cérebro-máquina pesquisada pelo neurocientista brasileiro é incorporada ao Plano Quinquenal chinês que prioriza ‘indústrias do futuro’
A tecnologia de interface cérebro-máquina, pesquisada há décadas pelo neurocientista brasileiro Miguel Nicolelis, está entre as prioridades estratégicas do 15º Plano Quinquenal (2026-2030) chinês, apresentado durante a abertura da Assembleia Popular Nacional, em Pequim.
As interfaces cérebro-máquina foram listadas no Plano Quinquenal entre as áreas de “layout prospectivo”, ao lado de setores estratégicos como computação quântica, biomanufatura, energia de hidrogênio, fusão nuclear, inteligência artificial incorporada e comunicações 6G.
O plano, que apresenta as prioridades estratégicas do governo chinês, prevê o impulsionamento das chamadas “indústrias do futuro”, visando o crescimento econômico e industrial do país, e demonstrando a notória intenção chinesa de se tornar líder no desenvolvimento científico na próxima década.
No documento, Pequim afirma a estratégia de “cultivar e fortalecer indústrias emergentes e futuras, reforçando o fornecimento de tecnologia de origem e acelerando cenários de aplicação e ecossistemas industriais”, incluindo objetivo de liderar a geração de tecnologias biomédicas.
A inclusão da tecnologia desenvolvida pelo neurocientista brasileiro reforça a relevância internacional de suas pesquisas. No ano passado, Nicolelis recebeu o Prêmio da Amizade, a maior distinção concedida pelo governo chinês a cientistas estrangeiros.
Orgulho nacional
Há décadas Nicolelis vem demostrando que sinais do cérebro podem controlar máquinas e dispositivos robóticos, abrindo caminho para aplicações médicas e tecnológicas, como exoesqueletos para pessoas com paralisia e sistemas de interação direta entre cérebro e computador.
Recentemente, ele desenvolveu uma pesquisa pioneira no Hospital Xuanwu, da Capital Medical University em Pequim. O estudo combina interfaces cérebro-máquina não invasivas, realidade virtual e locomoção robótica e foi realizado com pacientes paraplégicos crônicos no escopo do Projeto Andar de Novo (Walk Again Project).
Os pacientes recuperaram parte dos movimentos das pernas e voltaram a andar autonomamente. Eles também apresentaram sinais de reversão da atrofia cerebral, causada pela lesão medular. A tecnologia também abre um universo de possibilidades de avanços e cura para várias doenças neurodegenerativas.
Nicolelis explica que “a abordagem funciona como um despertador neural, reativando circuitos que ficaram adormecidos por muitos anos e dando ao cérebro um novo contexto para reaprender funções motoras que haviam sido interrompidas pela lesão”.