Dois fósseis brasileiros foram oficialmente repatriados e serão expostos no Museu de Paleontologia da Universidade Regional do Cariri, no Ceará: um crustáceo devolvido pela Argentina e um peixe apreendido pela polícia italiana. Na mesma data, a Embaixada do Brasil na Suíça recebeu a doação voluntária de mais 45 fósseis da Universidade de Zurique. Todos os itens repatriados ficarão sob custódia do museu cearense para pesquisa e exposição, em um esforço contínuo do governo para recuperar o patrimônio paleontológico nacional.
Principais tópicos abordados:
1. A repatriação de fósseis brasileiros de Argentina, Itália e Suíça.
2. A destinação dos fósseis para o Museu de Paleontologia do Cariri, no Ceará.
3. A importância da repatriação para pesquisa, patrimônio e popularização da ciência.
4. O contexto dos esforços internacionais em curso para recuperar mais fósseis do Brasil.
Após mais de três décadas que foram retirados do Brasil, os fósseis de duas espécies encontradas em território nacional voltaram ao país e, a partir de agora, vão ficar expostas no Museu de Paleontologia da Universidade Regional do Cariri, no Ceará.
O recebimento oficial dos dois fósseis foi realizado no Palácio Itamaraty, nessa quarta-feira (25/02). As duas peças são originárias da Bacia do Araripe, na divisa entre Ceará, Pernambuco e Piauí.
Foi restituído o fóssil de crustáceo de água doce, que estava na Universidad Nacional del Nordeste, na Argentina, desde 1993. Após negociação entre as autoridades, a peça foi entregue à Embaixada do Brasil em Buenos Aires em dezembro do ano passado.
O outro fóssil, do peixe Vinctifer comptoni, foi apreendido pela polícia italiana em 2024 e entregue para a Embaixada do Brasil em Roma. A espécie viveu há 113 milhões de anos e chegava a ter até 90 centímetros de comprimento.
Também na quarta, a Embaixada do Brasil em Berna, na Suíça, recebeu a doação voluntária para repatriação de fósseis que estavam na Universidade de Zurique. São oito caixas com peso total de 150 kg, com exemplares de peixes entre outros, celebrou a embaixadora Maria Luisa escorel.
“Acabamos de participar da cerimônia de restituição de 45 fósseis da região do Cariri. Estamos muito felizes com essa cooperação com a Suíça. Sabemos que isso é apenas o início.”
Todos os três lotes ficarão sob a guarda do Museu de Paleontologia Plácido Cidade Nuvens, em Santana do Cariri (CE). O acervo do Museu serve para diversas pesquisas que ajudam a entender as condições das mortes desses animais, a evolução das espécies e até a movimentação das placas tectônicas.
De acordo com o secretário de Ciência e Tecnologia, do Ministério da Ciência, Inácio Arruda, a “repatriação de fósseis para estudos e exposições é um debate central” tanto para o conhecimento e patrimônio, quanto para a popularização da ciência.
O Brasil possui uma das mais ricas diversidades de fósseis no mundo, especialmente na Chapada do Araripe.
O Ministério Público Federal já formulou 34 pedidos de cooperação internacional para repatriar fósseis cearenses, principalmente dos Estados Unidos e Alemanha.
Desde 2022, mais de mil fósseis de animais e plantas já voltaram para o Brasil, mas ainda existem solicitações feitas para o Reino Unido, Espanha, Holanda, Coreia do Sul, Austrália, França, Irlanda, Portugal, Japão e Uruguai, que mantêm exemplares do patrimônio brasileiro.
*Gabriel Corrêa é repórter da Rádio Nacional
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