Resumo objetivo:
O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, declarou que a Ucrânia está disposta a compartilhar sua experiência e tecnologia para combater drones iranianos com parceiros internacionais, desde que a defesa do próprio território ucraniano permaneça como prioridade absoluta. Ele afirmou que, por enquanto, não observa uma redução no fornecimento de armas do Ocidente devido ao conflito no Oriente Médio, mas reconhece que um conflito prolongado na região poderia afetar futuros suprimentos. Paralelamente, a Rússia condenou veementemente os recentes ataques dos EUA e de Israel ao Irã, classificando-os como uma agressão que prejudica a diplomacia e a estabilidade regional.
Principais tópicos abordados:
1. A oferta condicional da Ucrânia em compartilhar know-how contra drones iranianos.
2. A avaliação de Zelensky sobre o impacto do conflito no Oriente Médio no apoio militar ocidental à Ucrânia.
3. A forte condenação da Rússia aos ataques ocidentais ao Irã e sua leitura sobre os objetivos geopolíticos por trás deles.
O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, declarou nesta segunda-feira (2) que a Ucrânia está pronta para compartilhar sua experiência operacional e tecnologias para combater drones de fabricação do Irã com parceiros internacionais em meio aos ataques dos EUA e Israel contra o país.
Ao expressar a disposição no apoio de especialistas ucranianos, Zelensky ressaltou que seu foco imediato é a proteção contínua do território ucraniano, e que o este apoio aconteceria desde que a defesa das cidades ucranianas permaneça como prioridade.
“Minha prioridade é clara. Esta manhã, realizei uma teleconferência e discutimos novamente como proteger melhor [as regiões ucranianas] Kharkov, Sumy, Poltava, Dnipro, Kryvyi Rih e Kiev. Temos muitos desafios diferentes”, disse Zelensky.
O presidente observou que está plenamente ciente de suas responsabilidades e prioridades estratégicas em relação à segurança dos cidadãos ucranianos no atual cenário de segurança.
Os comentários do presidente ucraniano seguem uma declaração do primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, que indicou que o Reino Unido contrataria especialistas ucranianos para auxiliar os parceiros na interceptação de munições de ataque de fabricação iraniana. No entanto, Zelensky esclareceu que ainda não recebeu solicitações formais e diretas sobre o assunto.
“Não recebi nenhuma solicitação direta, nem da Grã-Bretanha, nem de nenhum dos parceiros, nem de representantes do Oriente Médio. Não conversei com ninguém sobre isso, então não há mais nada a dizer, para ser honesto”, disse o líder ucraniano a jornalistas.
Ao mesmo tempo, Volodymyr Zelensky, ao comentar o possível impacto da situação no Oriente Médio para o fornecimento de armas do Ocidente a Kiev, disse que a Ucrânia, no momento, não está observando uma diminuição no fornecimento de armas por parte de seus parceiros.
“Ainda não vimos esse impacto. Os suprimentos com os quais contávamos não diminuíram, mas passaram-se apenas 24 horas. Portanto, é muito cedo para tirar conclusões”, afirmou
Ao mesmo tempo, o presidente reconheceu que os riscos podem aumentar em caso de um conflito prolongado no Oriente Médio. “De qualquer forma, se houver hostilidades prolongadas no Oriente Médio, isso certamente afetará o fornecimento [de armas]. Tenho certeza disso”, disse Zelensky.
Rússia condena agressão dos EUA e Israel
A Rússia vem condenando de forma veemente à agressão dos EUA e Israel contra o Irã. Em uma declaração nesta segunda-feira (2), em meio a uma série de conversas telefônicas com líderes do Oriente Médio, o presidente russo, Vladimir Putin, afirmou que os ataques contra Teerã prejudicaram o progresso nas negociações sobre o programa nuclear iraniano.
“O progresso existente foi interrompido por um ato não provocado de agressão armada contra um Estado soberano em violação dos princípios fundamentais do direito internacional”, disse ele, citado pelo serviço de imprensa do Kremlin.
Em 28 de fevereiro, Israel e os Estados Unidos lançaram ataques aéreos em território iraniano. Como resultado, o Líder Supremo do Irã, Ali Khamenei, e vários altos líderes militares foram mortos. O Irã respondeu com ataques a bases militares dos EUA no Oriente Médio e em território israelense.
O Ministério das Relações Exteriores da Rússia, por sua vez, emitiu uma declaração condenando o ataque israelense a uma escola feminina na cidade iraniana de Minab, que resultou na morte de crianças.
“Quaisquer ataques contra alvos civis — seja no Irã ou em países árabes — são inaceitáveis e devem ser completamente descartados”, diz o comunicado
De acordo com a chancelaria russa, Washington e Tel Aviv estão tentando interromper o processo de normalização das relações entre o Irã e outros países árabes por meio do assassinato de altos funcionários iranianos.