Resumo objetivo:
A pesquisa Datafolha revela uma clivagem religiosa acentuada nas intenções de voto para a Presidência, com o senador Flávio Bolsonaro sendo amplamente preferido pelo eleitorado evangélico, enquanto o presidente Lula tem maior apoio entre os católicos. Em cenários estimulados, Flávio chega a ter o dobro das intenções de voto de Lula entre os evangélicos. O senador tem se empenhado em consolidar essa base através de uma série de visitas a lideranças e igrejas evangélicas.
Principais tópicos abordados:
1. Divergência religiosa no voto: O contraste no apoio a Lula (maior entre católicos) e a Flávio Bolsonaro (maior entre evangélicos).
2. Cenários eleitorais: A performance dos pré-candidatos em diferentes simulações, incluindo nomes como Tarcísio de Freitas e Ratinho Jr.
3. Estratégia política de Flávio Bolsonaro: Seu esforço para estreitar relações com a liderança evangélica nacional.
Se dependesse só do eleitorado evangélico, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) teria um cenário eleitoral para lá de favorável. No embate com o presidente Lula (PT), o primogênito de Jair Bolsonaro (PL) chega a ter o dobro de intenções de voto nesse nicho cristão, segundo pesquisa Datafolha divulgada neste sábado (7).
Em disputas estimuladas, quando os nomes de pré-candidatos à Presidência são apresentados de antemão, Lula é o preferido de quatro em cada dez eleitores, com 45% entre católicos e no máximo 23% entre crentes. Já Flávio marca até 34% no total, mas alcança metade da parcela evangélica, enquanto tem 30% entre adeptos do catolicismo no melhor cenário possÃvel para ele.
O instituto apresentou vários arranjos eleitorais possÃveis, considerando pré-candidatos correndo por fora da polarização entre lulismo e bolsonarismo. Por exemplo, há simulações que levam em conta a presença dos governadores Eduardo Leite (PSD-RS) e Ronaldo Caiado (PSD-GO).
O Datafolha também pôs à prova um confronto sem Flávio e com o governador TarcÃsio de Freitas (Republicanos-SP) ocupando esse lugar à direita. TarcÃsio teria 21% dos votos, sendo a opção de 31% dos evangélicos e 19% dos católicos. A performance mais fraca pode ser efeito colateral da sua candidatura ser uma hipótese considerada remota, ao menos desde que o ex-presidente Bolsonaro cravou o endosso ao filho.
Nos vários cenários testados pelo Datafolha, o governador Ratinho Jr. (PSD-PR) é o terceiro nome mais bem posicionado entre os evangélicos. Vai a 13% quando TarcÃsio entra no páreo, e Flávio fica de fora.
A sondagem realizada entre 3 e 5 de março, com 2.004 entrevistados e registrada na Justiça Eleitoral sob o código BR-03715/2026, revela um clivagem religiosa acentuada entre Lula e Flávio.
Na menção espontânea de voto para presidente, quando o entrevistado responde sem ver lista de candidatos, o petista lidera na amostra universal com 25% e apresenta desempenho particularmente forte entre católicos, chegando a 30%. Entre evangélicos, porém, seu Ãndice cai para 12%.
O senador aparece com 12% no cômputo geral, mas tem desempenho mais robusto justamente entre crentes: 18%, contra 10% entre católicos.
"Atual presidente" e "candidato do PT", bem como Jair Bolsonaro, inelegÃvel e preso, também são citados pelos eleitores.
Católicos representam 48% das entrevistas feitas pelo instituto, e evangélicos, 28%, reflexo aproximado do recorte religioso do paÃs detectado pelo Censo 2022. A margem de erro é de três pontos para mais ou para menos entre fiéis alinhados ao Vaticano, e de quatro pontos no bloco derivado do protestantismo.
O contraste ajuda a explicar a força do campo bolsonarista no eleitorado evangélico, e Flávio vem se empenhando para estreitar relações com a liderança nacional do segmento.
Ele tem realizado uma série de visitas a grupos fortes do campo: CGADB (Convenção Geral das Assembleias de Deus do Brasil), Igreja Quadrangular, Universal do Reino de Deus e outras. Passou a virada do ano num megaevento gospel conduzido pelo pastor André Valadão, da Igreja Batista da Lagoinha.
Deve acontecer também uma reunião com o pastor Silas Malafaia, que já criticou sua chapa por achá-lo eleitoralmente fraco. Agora que Flávio se consolidou como competitivo na disputa contra Lula, a tendência é a de essas arestas sejam aparadas. O ex-presidente da bancada evangélica Sóstenes Cavalcante, lÃder do PL na Câmara e aliado de Malafaia, tem acompanhado o senador na peregrinação por igrejas.
Diferentemente do pai, que se aproximou dos evangélicos sem nunca deixar de se declarar católico, Flávio foi criado sob princÃpios batistas âigreja que era frequentada por sua mãe, Rogéria Bolsonaro. Ele diz que sua conversão para valer, contudo, aconteceu só em 2022. Hoje é ligado à Comunidade das Nações, do bispo JB Carvalho.