Resumo objetivo:
O presidente do BRB descartou a federalização do banco e citou pressões pela privatização, durante reunião com deputados para discutir um empréstimo público garantido por imóveis. Ele alertou que a não aprovação da proposta pode paralisar serviços essenciais, enquanto deputados criticam a falta de transparência sobre a real situação financeira da instituição. O BRB enfrenta risco devido à sua alta exposição ao Banco Master, que quebrou após o BRB ter comprado mais de R$ 12 bilhões em seus ativos.
Principais tópicos abordados:
1. Futuro do BRB: Debate entre federalização, privatização ou socorro público.
2. Proposta de socorro: Empréstimo governamental garantido por imóveis, cercado de dúvidas jurídicas e políticas.
3. Crise financeira: Exposição de alto risco do BRB ao Banco Master, comprometendo sua solidez.
4. Pressão política: Urgência da votação, questionamentos sobre motivações eleitorais e falta de clareza sobre a saúde do banco.
Durante uma reunião com deputados da Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF) na manhã desta segunda-feira (2), o presidente do Banco de Brasília (BRB), Nelson Antônio de Souza, descartou a possibilidade de federalização da instituição e disse que há uma pressão para optar pela privatização. A informação foi dada ao Brasil de Fato por interlocutores que acompanharam o encontro.
A reunião, feita a portas fechadas, tem como objetivo principal debater a proposta encaminhada pelo Governo do Distrito Federal, que concede nove imóveis como garantia de empréstimo para socorrer o BRB. No entanto, tanto os deputados da base quanto da oposição afirmam que não foram esclarecidas dúvidas sobre a real situação financeira em que a instituição se encontra.
“Corremos contra o tempo, porque esse projeto também está alinhado com a agenda eleitoral. Então, não sabe se ele serve mais à agenda eleitoral dos pré-candidatos de 2026 ou se ele serve realmente a salvar o Banco de Brasília. Tem várias dúvidas jurídicas, políticas e técnicas em torno desse projeto”, disse o deputado distrital Fábio Félic (Psol).
Segundo o presidente do banco, haverá consequências caso a proposta não seja aprovada na Casa, como interrupção de investimento em programas sociais operados pelo banco, caos no transporte público, paralisação da entrega de medicamentos de alto custo e suspensão das operações de crédito. De acordo com ele, o que está em debate “não é o passado, é a estabilidade futura”.
Futuro comprometido
O BRB foi o maior comprador de ativos do Master entre 2024 e 2025, mesmo após alertas de risco e sinais claros de que o banco privado enfrentava sérios problemas de liquidez. De acordo com o sistema IF.data do Banco Central, a carteira de crédito do BRB saltou de R$ 37 bilhões para R$ 57 bilhões, entre setembro de 2024 e setembro de 2025, um crescimento de R$ 20 bilhões em apenas 12 meses.
Deste total, ao menos R$ 12,2 bilhões são decorrentes de operações com o Banco Master. Ou seja, mais de 20% da carteira foi atrelada a papéis do banco que viria a quebrar. Trata-se de uma exposição que, segundo especialistas, compromete a solidez da instituição.
A combinação entre o rombo bilionário e o desgaste reputacional gera debate sobre o futuro da instituição. Em janeiro de 2026, o governador Ibaneis Rocha indicou Edison Garcia para o conselho de administração do BRB. Garcia é conhecido por ter conduzido, sob o governo Ibaneis, a privatização da distribuidora de energia do Distrito Federal (CEB), e hoje ocupa cinco conselhos da empresa que arrematou a estatal, a Neoenergia.