A China condenou veementemente os ataques coordenados por Estados Unidos e Israel que resultaram na morte do líder supremo iraniano Ali Khamenei e de altos comandantes militares. O governo chinês declarou apoio à soberania e ao direito de defesa do Irã, exigindo o cessar-fogo imediato e alertando para o risco de uma escalada que desestabilizaria toda a região. Além disso, enfatizou a violação do direito internacional pelos ataques, que não foram autorizados pelo Conselho de Segurança da ONU, e defendeu a solução da crise exclusivamente por meio do diálogo e da diplomacia.
Principais tópicos abordados:
1. Condenação chinesa aos ataques e apoio à soberania iraniana.
2. Exigência de cessar-fogo imediato e alerta sobre a escalada do conflito.
3. Crítica à violação do direito internacional e à falta de autorização da ONU.
4. Defesa da via diplomática como única solução para a crise.
O governo chinês condenou energicamente, nesta segunda-feira (2), os ataques coordenados pelos Estados Unidos e Israel contra o Irã, que resultaram na morte do líder supremo aiatolá Ali Khamenei, no cargo desde 1989, além de altos comandantes militares do país. Entre os mortos estão o chefe do Estado-maior das Forças Armadas, Sayyid Abdolrahim Mousavi, o ministro da Defesa, Aziz Nasirzadeh, e o comandante da Guarda Revolucionária, Mohammad Pakpour.
Em conversa por telefone, o ministro das Relações Exteriores da China, Wang Yi, disse ao chanceler iraniano Abbas Araghchi, que o país apoia o Irã em seu direito à defesa e afirmou que pressiona Estados Unidos e Israel para que cessem imediatamente os ataques.
Wang Yi reiterou o apoio da China à soberania, integridade territorial e dignidade nacional do Irã, reforçando a amizade tradicional entre os dois países e destacando a necessidade de proteger os direitos e interesses legítimos do Irã.
O chanceler chinês enfatizou ainda que a China instou publicamente EUA e Israel a cessarem imediatamente as operações militares, evitando assim uma escalada que poderia desestabilizar todo o Oriente Médio. Wang Yi demonstrou confiança de que o Irã, mesmo diante da situação grave e complexa, manterá a estabilidade interna, protegerá seus cidadãos e salvaguardará instituições estrangeiras presentes no país, incluindo as chinesas.
Durante a conversa, Araghchi destacou a situação crítica enfrentada pelo Irã, relatando que os Estados Unidos lançaram ataques militares contra o país durante negociações em curso, violando o direito internacional e desrespeitando as linhas vermelhas de Teerã. Ele ressaltou que, apesar de avanços positivos nas negociações, a agressão estadunidense obriga o Irã a defender sua soberania com todas as forças, em defesa da integridade e da segurança da nação.
Araghchi garantiu que o Irã está comprometido em assegurar a proteção do pessoal e das instituições chinesas, reafirmando o papel do país como ator responsável e cauteloso diante da escalada regional.
Durante o diálogo, os chanceleres também destacaram a necessidade de retomar o diálogo diplomático entre as partes envolvidas, reforçaram a coordenação regional para reduzir tensões e sublinharam o papel da China como mediadora imparcial e construtiva, contribuindo para prevenir uma escalada militar e humanitária na região e preservar a paz.
A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Mao Ning, afirmou que a prioridade imediata é cessar as operações militares e evitar que o conflito se espalhe para outros países vizinhos. “É preciso fomentar que os problemas se resolvam por meio do diálogo e da negociação, com o objetivo de manter a paz e a estabilidade na região e no mundo”, declarou Mao.
Ela denunciou que os ataques de EUA e Israel foram realizados sem autorização do Conselho de Segurança da ONU, violando o direito internacional e ameaçando a segurança de toda a região. “A China insta todas as partes a interromper as ações militares e a prevenir que o conflito se estenda ainda mais. A diplomacia é a única via para superar a crise e manter a segurança regional.”
Mao Ning destacou ainda a necessidade de respeitar a soberania e a integridade territorial dos Estados do Golfo. Além disso, a porta-voz valorizou a reunião especial dos ministros de Relações Exteriores do Conselho de Cooperação do Golfo (GCC), ressaltando que o diálogo e a diplomacia são a única forma de superar a crise atual e garantir a segurança regional.
Entre os episódios mais chocantes, um bombardeio atingiu a escola primária feminina Shajareh Tayyebeh, na cidade de Minab, matando dezenas de estudantes e funcionários e deixando centenas de feridos. Autoridades iranianas estimam que ao menos 165 pessoas morreram, a maioria meninas, e cerca de 96 ficaram feridas.
Sobre a morte do líder supremo, Mao destacou que se trata de uma grave violação da soberania do Irã e dos princípios da ONU. “Os ataques pisoteiam os propósitos e princípios da Carta da ONU e as normas básicas das relações internacionais. A China se opõe firmemente e condena energicamente esses atos.”
Mao Ning também alertou para a importância do Estreito de Ormuz e das águas adjacentes, destacando seu papel estratégico no comércio internacional de energia.
“A segurança do Estreito de Ormuz e das áreas adjacentes é de interesse comum da comunidade internacional. Pedimos que todas as partes cessem imediatamente as ações militares, para evitar que a tensão aumente e prejudique a economia mundial.”
Ela concluiu reforçando a necessidade de interromper imediatamente as ações militares e de que a comunidade internacional trabalhe de forma coordenada para preservar a paz e a estabilidade na região.
China na ONU
Durante a reunião de emergência do Conselho de Segurança da ONU neste domingo (1º), o representante permanente da China, Fu Cong, afirmou que os ataques militares dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã representam uma séria escalada das tensões regionais e colocam em risco a vida de civis inocentes:
“É chocante que os ataques militares tenham ocorrido em um momento em que negociações diplomáticas entre os EUA e o Irã estavam em andamento. A linha vermelha para proteger civis em conflitos armados não deve ser cruzada, e o uso indiscriminado da força é inaceitável… a China está profundamente entristecida pelo elevado número de vítimas civis”, declarou Fu.
Fu Cong também destacou a defesa da soberania, segurança e integridade territorial do Irã. “A China pede a cessação imediata das ações militares para prevenir novos ciclos de escalada. A China está pronta para trabalhar com a comunidade internacional para avançar nos esforços de paz e ajudar a restaurar a paz e estabilidade no Oriente Médio em breve.”
Rússia se une à China para proteger soberania iraniana
O membro do Birô Político do Comitê Central do Partido Comunista Chinês e ministro das Relações Exteriores chinês, Wang Yi, e o chanceler russo, Serguéi Lavrov, reafirmaram seu apoio à soberania iraniana diante dos ataques militares realizados por Estados Unidos e Israel, durante conversa por telefone.
Wang Yi também reforçou que a China leva muito a sério a segurança dos Estados do Golfo e apoia esforços regionais de moderação. “Essas ações violam o direito internacional e as normas fundamentais das relações internacionais, e colocam em risco toda a região do Golfo Pérsico.”
Por sua vez, Lavrov declarou que os ataques dos Estados Unidos e Israel comprometem gravemente a estabilidade regional e reafirmou a coordenação com a China para promover soluções diplomáticas, incluindo o pedido de cessar-fogo e retorno às negociações:
“Exigir um cessar-fogo imediato e o retorno ao processo de negociações diplomáticas é essencial para restaurar a paz e prevenir novas escaladas.”