O chanceler iraniano Abbas Araghchi acusou o presidente dos EUA, Donald Trump, de minar imediatamente uma oferta de paz e desescalada feita pelo Irã aos países do Golfo. Ele advertiu que qualquer tentativa de ampliar o conflito será respondida militarmente pelo Irã e responsabilizou os EUA pelas consequências, como altos custos financeiros e aumento no preço do petróleo. Além disso, Araghchi criticou a influência israelense na política de Trump, ironizando que a postura de "Israel em primeiro lugar" resulta em "América em último lugar".
Principais tópicos abordados:
1. Acusação de que os EUA sabotaram uma proposta iraniana de redução de tensões.
2. Ameaça de resposta militar iraniana a uma escalada do conflito.
3. Crítica aos custos econômicos e humanos da guerra para os EUA.
4. Denúncia da influência de Israel sobre as decisões do governo Trump.
Chanceler do Irã acusa Trump de minar paz ofertada aos países do Golfo
Abbas Araghchi ironizou ao dizer que republicano opta por ‘Israel em primeiro lugar’, o que sempre significa ‘América em último lugar’
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, afirmou que o Irã estava aberto à redução das tensões na região, mas que essa possibilidade foi “imediatamente anulada” pela Casa Branca.
Ele também advertiu o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de que qualquer tentativa de ampliar o conflito encontrará respostas das Forças Armadas iranianas.
Na manhã deste sábado (07/03), o presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, anunciou o cessar dos ataques e envio de mísseis contra os países vizinhos. Na sequência, Trump anunciou a intensificação dos ataques e prometeu destruir completamente o Irã, com ataques ainda mais intensos.
“A disposição do presidente Pezeshkian para a desescalada em nossa região — desde que o espaço aéreo, o território e as águas de nossos vizinhos não sejam usados para atacar o povo iraniano — foi imediatamente anulada pela interpretação equivocada do presidente Trump sobre nossas capacidades, determinação e intenção”, afirmou Araghchi.
“Se Trump busca a escalada, é precisamente para isso que nossas poderosas Forças Armadas estão preparadas há muito tempo e é exatamente o que ele obterá”, acrescentou, responsabilizando os Estados Unidos “por qualquer intensificação do exercício do direito de autodefesa do Irã“.
Custos da guerra
Araghchi destacou que “a aventura equivocada de uma semana do Sr. Trump já custou às Forças Armadas dos Estados Unidos US$ 100 bilhões, além das vidas de jovens soldados”.
Disse ainda que as ações da Casa Branca terão consequência na alta dos preços do petróleo no mercado global, alertando a população estadunidense: “quando os mercados reabrirem, esse custo aumentará ainda mais e será diretamente transferido aos norte-americanos comuns nas bombas de combustível”.
O chanceler iraniano lembrou que o próprio Conselho Nacional de Inteligência de Trump, “que reúne as avaliações das 18 agências de inteligência dos Estados Unidos, determinou que uma guerra contra o Irã está destinada ao fracasso”.
Ele também relatou ter advertido os enviados do presidente norte-americano de que uma guerra não melhoraria a posição do país nas negociações com o Irã. “Esses avisos foram transmitidos?”, questionou.
‘América em último lugar’
O comunicado termina destacando a influência do premiê Benjamin Netanyahu nas decisões do presidente norte-americano. Araghchi lembra que a população votou nos Estados Unidos para conter o envolvimento do país em conflitos na região do Oriente Médio.
No entanto, em vez disso e “após décadas de tentativas fracassadas”, o premiê israelense “finalmente conseguiu enganar [Trump] para que ele lutasse as guerras de Israel”.
“Esta é uma guerra de escolha conduzida por um pequeno grupo de ‘Israel Firsters’”, ironizou o chanceler, afirmando que “‘Israel em primeiro lugar’ sempre significa ‘América em último lugar’.”