Resumo objetivo:
A campanha militar conjunta de EUA e Israel contra o Irã obteve sucesso tático inicial, como a decapitação da cúpula do regime. No entanto, a falta de um plano estratégico claro de Donald Trump e a instabilidade gerada ameaçam desencadear uma guerra civil no Irã e uma crise econômica global devido ao bloqueio no Golfo Pérsico. Enquanto isso, o Irã, mantendo a aparência de controle, retaliou com ataques de mísseis pela região, prolongando o conflito.
Principais tópicos abordados:
1. Situação militar inicial: Sucesso tático da coalizão EUA-Israel e desorganização estratégica.
2. Consequências regionais e globais: Risco de guerra civil no Irã, bloqueio no Golfo Pérsico e ameaça de crise econômica mundial.
3. Reação e estratégia iraniana: Manutenção das aparências de controle interno e retaliação com ataques de mísseis para prolongar o conflito.
4. Instabilidade e incerteza: Ausência de um plano claro para o pós-conflito e previsão de grave desestabilização global.
Há várias formas de descrever os primeiros dias da campanha militar ilegal empreendida por Donald Trump e Binyamin Netanyahu contra a teocracia do Irã.
O sucesso inicial é inegável. O regime foi decapitado, com o assassinato do lÃder supremo Ali Khamenei e talvez de outros 40 integrantes de sua cúpula. Estados Unidos e Israel dominam boa parte do céu iraniano, enquanto a Marinha de Teerã afunda.
No entanto tal vantagem não garante vitória estratégica, e a responsabilidade é do instável presidente americano. Trump foi à guerra, instado por um Netanyahu sedento de ver o Irã destroçado, sem um plano factÃvel.
Seus "casus belli" já indicavam isso: um dia queria ajudar os manifestantes massacrados por Khamenei, no outro lembrou que havia um programa nuclear suspeito e, num terceiro, que o rival tinha perigosos mÃsseis.
O republicano recorreu repetidamente a formulações vagas a cada vez que falou sobre o conflito âem entrevistas e declarações que parecem destinadas mais a confundir do que a esclarecer.
Disse que a ideia era mudar o regime. Depois, que talvez o novo lÃder seja pior. Torceu para que o povo tomasse o poder, algo que já era improvável sem mÃsseis caindo. Agora, flerta com o caos de uma guerra civil ao empoderar minorias à s bordas do Irã.
Este último desenvolvimento é particularmente preocupante. Uma conflagração doméstica em nada aliviará o pandemônio gerado no golfo Pérsico, onde 90% dos petroleiros e navios com gás natural liquefeito lançaram âncora e estão esperando.
Como por lá passam 20% da produção dessas commodities, há risco de disparada de preços futuros. Se o barril Brent, que já está acima dos US$ 90, chegar a mais de US$ 100 por algum tempo, o impacto global na inflação e no crescimento será inevitável.
O regime sob fogo, por sua vez, tem dado uma lição de como manter as aparências. Nomeou o triunvirato constitucional para comandar a escolha de um novo lÃder, manteve controle das ruas e ofereceu uma retaliação que dispensou cadeia de comando logo no primeiro momento.
Fez chover mÃsseis e drones por todo o Oriente Médio, com foco particular nas vulneráveis petromonarquias do golfo. Ãcones da pujança árabe, como Dubai, viraram zonas de guerra para turistas abasbacados e governantes ante o impasse de reagir ou não.
Com isso, Teerã aposta no prolongamento do conflito e numa eventual captura dos europeus reticentes em participar do jogo, torcendo pelo desgaste de Trump âque só queria uma vitória fácil para vender nas eleições para o Congresso em novembro.
Na via inversa, com atrito ainda maior anunciado e capacidades cada vez mais reduzidas de reação do Irã, talvez mal haja paÃs para o aiatolá que assumir o poder. à tudo incerto, exceto que, desta caixa de Pandora, até a esperança já foi perdida no que se refere à estabilidade global.