Resumo objetivo: Um indígena Marubo foi sequestrado, torturado e deixado à deriva por pescadores ilegais na Terra Indígena Vale do Javari, no Amazonas. A organização indígena Univaja registrou o caso na Polícia Federal e alertou para o risco de extermínio que criminosos armados representam para povos isolados da região, criticando a inércia estatal na proteção do território.
Principais tópicos abordados:
1. O ataque violento contra um indígena por pescadores ilegais.
2. A denúncia de invasões criminosas e a ameaça a povos isolados.
3. A crítica à falta de proteção estatal na Terra Indígena Vale do Javari.
4. Ações tomadas pela organização indígena (Univaja) em resposta ao crime.
Um indÃgena da etnia Marubo foi roubado e torturado por um grupo de pescadores ilegais na última terça-feira (3) na terra indÃgena Vale do Javari, no Amazonas, de acordo com a Univaja (União dos Povos IndÃgenas do Vale do Javari).
A vÃtima, identificada como Mateus Aurélio Paiva, ficou em uma canoa à deriva no meio de um rio por mais de um dia, com boca, mãos e pés amarrados. Ele teve sua espingarda e seu celular roubados.
A Univaja conta que Paiva viajava em comitiva retornando de Atalaia do Norte (AM), na região do alto rio ItuÃ, e resolveu entrar sozinho em um lago adjacente utilizando uma pequena canoa para pescar e conseguir alimento para o grupo. Por volta das 11h, ele foi cercado por pescadores ilegais não indÃgenas.
"Mediante grave ameaça e falsa acusação de que o indÃgena teria apreendido materiais da quadrilha, amarraram seus pés, mãos e boca", relatou a Univaja.
Amarrado, Paiva foi deixado na canoa à deriva no meio do rio. Ele só foi encontrado no dia seguinte, perto das 15h, por um grupo de buscas liderado pelo cacique Paulo Francisco Marubo. O cacique foi quem avisou a Univaja sobre a ocorrência.
A organização registrou o caso na PolÃcia Federal e pediu a abertura de inquérito para identificar os autores dos crimes. Também pediu providências à Funai (Fundação Nacional dos Povos IndÃgenas).
A Folha encaminhou perguntas à PF e à Funai no inÃcio da noite deste sábado (7) e aguarda respostas.
A região do alto rio Ituà abriga comunidades de recente contato, como os Matis, e também é uma área de ocupação e trânsito de povos indÃgenas em isolamento voluntário.
"A presença de organizações criminosas fortemente armadas, circulando livremente e praticando atos de tortura e tentativa de homicÃdio nesta exata localidade, representa uma ameaça de extermÃnio iminente aos grupos isolados", disse Eliesio da Silva Vargas Marubo, advogado e procurador jurÃdico da Univaja, em comunicado à Funai.
Segundo o advogado, há "inércia estatal", o que dificulta a proteção dos povos indÃgenas contra invasores no Vale do Javari.
"A invasão dessas áreas rompe o cordão sanitário e de segurança que deveria ser garantido pelo Estado, expondo populações de altÃssima vulnerabilidade imunológica e sociocultural a contatos forçados, epidemias e massacres", continuou o advogado.
Em 2022, a região do Vale do Javari ganhou holofotes por causa dos assassinatos do indigenista Bruno Pereira, 41, e do jornalista britânico Dom Phillips, 57. Pereira era membro da Univaja e servidor em licença da Funai.