Resumo objetivo:
O presidente russo, Vladimir Putin, classificou os ataques dos EUA e de Israel contra o Irã como uma agressão não provocada e uma violação flagrante do direito internacional, que interrompeu o progresso nas negociações sobre o programa nuclear iraniano. O Kremlin expressou preocupação com a escalada do conflito, defendeu o retorno ao diálogo diplomático e condenou especificamente os ataques a alvos civis, como uma escola no Irã.
Principais tópicos abordados:
1. A condenação russa aos ataques EUA-Israel contra o Irã como uma violação do direito internacional.
2. O impacto negativo desses ataques no processo de negociações sobre o programa nuclear iraniano.
3. A preocupação com a escalada do conflito e os apelos russos para uma solução diplomática.
4. A crítica aos ataques contra civis e a infraestrutura civil.
O presidente russo, Vladimir Putin, declarou nesta segunda-feira (2) que a agressão dos EUA e de Israel prejudicou o progresso nas negociações sobre o programa nuclear iraniano. A afirmação aconteceu durante o telefonema com o presidente dos Emirados Árabes Unidos, Mohammed bin Laden.
“O progresso existente foi interrompido por um ato não provocado de agressão armada contra um Estado soberano — um membro da ONU — em violação dos princípios fundamentais do direito internacional”, disse ele, citado pelo serviço de imprensa do Kremlin.
Putin observou que Moscou e Abu Dhabi fizeram muito para resolver a situação e encontrar soluções de compromisso. Ele também agradeceu ao seu homólogo por ajudar os cidadãos russos nos Emirados Árabes Unidos que se encontravam em uma situação difícil. O líder russo realizou uma série de conversações com líderes do Oriente Médio após a escalada da situação na região.
Em 28 de fevereiro, Israel e os Estados Unidos lançaram ataques aéreos em território iraniano. Como resultado, o Líder Supremo do Irã, Ali Khamenei, e vários altos líderes militares foram mortos. O Irã respondeu com ataques a bases militares dos EUA no Oriente Médio e em território israelense.
Já durante uma conversa entre Putin e o Emir do Catar, Tamim Bin Hamad Al Thani, o presidente russo afirmou que a agressão dos EUA e de Israel contra o Irã foi uma “violação flagrante do direito internacional”, que levará a “consequências graves e trágicas para o povo iraniano”.
“Foi expressada a preocupação mútua sobre os riscos de escalada do conflito e o perigo do envolvimento de terceiros países”, afirmou o Kremlin. Al Thani agradeceu a Putin “pelo apoio aos Estados da região em uma situação difícil”.
Nesta segunda-feira (2), o porta-voz da presidência russa, Dmitry Peskov, declarou que Moscou estava decepcionada com a “degradação” da situação no Oriente Médio, que chegou ao ponto de uma agressão declarada.
O Kremlin também disse que a operação de Washington e Tel Aviv não tem relação com a preservação do regime de não proliferação nuclear e exigiu o retorno às negociações. O Ministro das Relações Exteriores, Serguei Lavrov, enfatizou que Moscou está pronta para facilitar uma solução, inclusive por meio do Conselho de Segurança da ONU.
Chancelaria russa condena ataque contra civis
O Ministério das Relações Exteriores da Rússia, por sua vez, emitiu uma declaração condenando o ataque israelense a uma escola feminina na cidade iraniana de Minab, que resultou na morte de crianças.
“Quaisquer ataques contra alvos civis — seja no Irã ou em países árabes — são inaceitáveis e devem ser completamente descartados”, diz o comunicado
De acordo com a chancelaria russa, Washington e Tel Aviv estão tentando interromper o processo de normalização das relações entre o Irã e outros países árabes por meio do assassinato de altos funcionários iranianos.
A diplomacia russa também defendeu o fim das hostilidades por todas as partes para garantir a segurança das pessoas e da infraestrutura civil e fez um apelo para a resolução das divergências por meio da diplomacia.