Resumo objetivo:
O governo libanês proibiu todas as atividades militares do Hezbollah e exigiu que o grupo entregue suas armas ao Estado, após o movimento lançar foguetes contra Israel em solidariedade ao Irã. Em resposta, Israel intensificou seus ataques ao Líbano, matando dezenas de pessoas e emitindo alertas de evacuação em massa, enquanto os EUA consideram encerrado o cessar-fogo vigente desde novembro de 2024.
Principais tópicos abordados:
1. A decisão do governo libanês de proibir as atividades militares do Hezbollah e desarmá-lo.
2. A escalada do conflito, com ataques recíprocos entre Hezbollah e Israel, causando mortes e deslocamentos.
3. O envolvimento regional, com o Hezbollah agindo em solidariedade ao Irã e a posição dos EUA de não intervir contra Israel.
4. O impacto humanitário e a ruptura do cessar-fogo anterior, agravando a crise no Líbano.
O governo libanês proibiu as atividades militares do movimento pró-iraniano Hezbollah e pediu que entregue suas armas ao Estado, anunciou nesta segunda-feira (2) o primeiro-ministro, Nawaf Salam, após uma reunião do Executivo. Bombardeios israelenses no final de semana mataram ao menos 31 pessoas em Beirute e no sul do Líbano.
A decisão foi tomada depois que o Hezbollah lançou foguetes contra Israel em solidariedade ao Irã, que está sendo atacado pelos Estados Unidos e Israel. O movimento declarou que o ataque foi uma resposta ao assassinato do líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, morto no sábado por ataques israelenses à capital iraniana, Teerã.
O primeiro-ministro libanês anunciou, então, “a proibição imediata de todas as atividades militares e de segurança do Hezbollah” e exigiu que o grupo “entregue suas armas ao Estado libanês” e limite suas atividades à política. Também foi decretada a prisão dos responsáveis pelo lançamento dos foguetes.
Durante a noite desta segunda, o grupo respondeu aos ataques israelenses pela primeira vez em mais de um ano, disparando uma saraivada de mísseis e drones contra uma base militar israelense na cidade de Haifa, no norte do país.
Israel afirmou ter matado importantes líderes do Hezbollah nos ataques ao sul do Líbano e a Dahiyeh. Também emitiu avisos de deslocamento em massa para mais de 50 cidades e vilarejos no sul e leste do Líbano. As cenas de carros em fuga, para-choque a para-choque, remeteram aos piores dias da guerra de Israel contra o Líbano em 2023 e 2024.
Autoridades dos Estados Unidos disseram a um canal de TV libanês que agora consideram encerrado o cessar-fogo no Líbano, iniciado em novembro de 2024, e que não irão interferir para impedir os ataques de Israel contra o país. Eles disseram que não esperavam que o aeroporto ou os portos do Líbano fossem alvejados, mas exigiram que a designação do Hezbollah como uma “organização terrorista” pelo Estado libanês, “caso contrário, não haverá distinção entre os dois”.
Quando Israel, que tem atacado o Líbano quase diariamente apesar do cessar-fogo, respondeu ao bombardeio do Hezbollah, fortes estrondos acordaram os moradores da capital. O Ministério da Saúde Pública do Líbano informou que 31 pessoas morreram e 149 ficaram feridas.
Israel então emitiu alertas de evacuação para mais de 50 cidades no sul do Líbano e no Vale do Bekaa, levando a cenas que lembram o dia 23 de setembro de 2024, quando ataques mataram cerca de 500 pessoas e deslocaram mais de um milhão em um único dia.
Líbano tragado para o conflito
Durante a guerra de 2023-2024 entre Israel e o Hezbollah, Israel matou mais de 4 mil pessoas no Líbano, incluindo o secretário-geral do Hezbollah, Hassan Nasrallah, e a maior parte da alta cúpula militar do grupo.
Israel também invadiu o sul do Líbano e, apesar de ter concordado em retirar suas tropas no cessar-fogo de 27 de novembro de 2024, manteve o controle de cinco pontos no Líbano.
Entretanto, o país comandado por Benjamin Netanyahu continuou a atacar o sul do país e o Vale do Bekaa, apesar do cessar-fogo. Segundo relatos, Israel também enviou uma mensagem indireta ao Líbano de que atacaria infraestruturas civis, incluindo o aeroporto de Beirute, caso o Hezbollah decidisse retaliar.
O ataque do Hezbollah no final da noite de domingo e início da manhã de segunda-feira provocou fortes reações de seus críticos no Líbano, que o culparam por dar a Israel uma brecha para retomar uma retaliação generalizada.
O Hezbollah ainda não se manifestou sobre a decisão do governo libanês. O Irã é o principal benfeitor e guia ideológico do grupo, um membro fundamental do “eixo da resistência”, apoiado or Teerã. A aliança informal de grupos inclui o Hamas, os houthis do Iêmen, as Forças de Mobilização Popular do Iraque e, até sua queda em dezembro de 2024, o regime de Bashar al-Assad na Síria.
Analistas afirmaram que o Hezbollah provavelmente sabia, antes do ataque, que ele teria graves consequências para a comunidade xiita do Líbano, de onde o grupo obtém a grande maioria de seu apoio.