O chanceler chinês Wang Yi afirmou que 2026 será um ano importante para as relações sino-americanas, destacando que intercâmbios de alto nível já estão em discussão. Ele enfatizou a necessidade de ambos os países gerenciarem divergências e evitarem conflitos, comentando também sobre o esperado encontro entre os presidentes Xi Jinping e Donald Trump. Paralelamente, Wang condenou as ações militares dos EUA no Oriente Médio e na Venezuela, reafirmando que a cooperação da China com outros países, como os da América Latina, não deve ser perturbada por terceiros.
Principais tópicos abordados:
1. Relações diplomáticas e comerciais entre China e Estados Unidos.
2. Críticas da China às ações militares e estratégicas dos EUA no Irã e na Venezuela.
3. Cooperação da China com a América Latina e a rejeição a interferências externas.
O chanceler chinês, Wang Yi, afirmou que 2026 será um "grande ano" para a relação entre China e Estados Unidos, declarando também que intercâmbios de "alto nÃvel" já estão em discussão.
"As relações entre China e Estados Unidos mobilizam todas as partes e afetam o mundo inteiro. Se os dois paÃses deixarem de se relacionar, isso só levará a mal-entendidos e erros de cálculo; caminhar para conflito e confronto prejudicará ainda mais o mundo", disse em entrevista coletiva na manhã deste domingo (8), no horário local, como parte da reunião anual do Congresso chinês, que se estende pela próxima semana.
As declarações ocorrem à s vésperas de um esperado encontro entre o presidente americano, Donald Trump, e o lÃder do regime chinês, Xi Jinping, em Pequim. A reunião, ainda não confirmada, é aguardada desde o último encontro entre os mandatários em Busan, na Coreia do Sul, quando colocaram freios na disputa comercial que afetava os dois paÃses.
Wang também declarou estar satisfeito com o fato de que os chefes de Estado têm dado o exemplo e mantido bom contato apesar das diferenças.
"O que agora é necessário é que ambos os lados façam preparativos minuciosos, criem um ambiente adequado, administrem as divergências existentes e eliminem interferências desnecessárias. A atitude da China sempre foi positiva e aberta; o ponto-chave é que os Estados Unidos também avancem na mesma direção."
O encontro entre Trump e Xi ocorre após o americano realizar uma ofensiva coordenada com Israel contra o Irã, parceiro estratégico de Pequim e uma das principais rotas de expansão da iniciativa Cinturão e Rota.
O chanceler voltou a condenar a ação no Oriente Médio, pediu cessar-fogo imediato e afirmou que o conflito sequer deveria ter acontecido.
"Ter o punho mais forte não significa ter mais razão; o mundo não pode retroceder à lei da selva. Recorrer facilmente à força não prova a própria força, e a população civil não pode se tornar vÃtima inocente da guerra", disse.
Além de Teerã, Trump também avançou sobre outro parceiro do regime chinês, a Venezuela, culminando na captura do ditador Nicolás Maduro e de sua esposa, que aguardam julgamento em um centro de detenção americano.
O movimento é um desdobramento da estratégia de segurança nacional dos EUA, divulgada em novembro do ano passado, que declara que o governo passará a aplica a Doutrina Monroe. Trump também limitou as negociações de petróleo venezuelano, privilegiando acordos com empresas americanas.
O esforço trumpista é visto também como uma forma de barrar a influência chinesa na região, uma vez que Pequim já é, por exemplo, o principal parceiro comercial do bloco latino.
Em resposta a como a China reagirá à s ambições americanas na região, Wang afirmou que os paÃses devem decidir como serão usados os seus recursos e escolher os seus "amigos". "A cooperação entre China e América Latina não tem como alvo terceiros e tampouco deveria ser perturbada por terceiros", declarou.