Resumo objetivo:
O Brasil enfrenta uma epidemia de violência contra as mulheres, com recordes consecutivos de feminicídio (1.568 em 2025) e um estupro registrado a cada seis minutos. A violência tem um recorte racial marcante, sendo as mulheres negras as principais vítimas (62,6% dos feminicídios), e coloca o país entre os cinco que mais matam mulheres no mundo. A situação gera um medo crescente na população feminina e evidencia a urgência da luta por direitos e equidade de gênero.
Principais tópicos abordados:
1. A escalada dos índices de feminicídio e violência sexual contra mulheres no Brasil.
2. A posição do Brasil no ranking global de assassinato de mulheres.
3. A desigualdade racial como fator determinante, com mulheres negras sendo a maioria das vítimas.
4. O aumento do medo e a subnotificação dos casos.
5. A crítica à sociedade e a defesa da luta urgente por direitos e equidade de gênero.
A fúria, a misoginia e a raiva expressas nos altos Ãndices de feminicÃdio, estupro e violência contra as mulheres são sintomas de uma epidemia que acomete um número cada vez maior de homens e faz do Brasil um paÃs que não ama as mulheres.
Os casos de feminicÃdio bateram recorde nos dois últimos anos. Em 2024, foram 1.459 vÃtimas. Em 2025, o número subiu para 1.568, ou seja, uma média diária de quatro mulheres assassinadas (Ministério da Justiça e Segurança Pública) pelo marido, companheiro, namorado, pelos "ex-", ou pelo próprio pai.
São números absolutos que nos colocam na aterrorizante e escandalosa quinta colocação no ranking global de nações que mais matam mulheres âatrás de El Salvador, Colômbia, Guatemala e Rússia (Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos). Importante lembrar que nós, mulheres, somos a maioria (51,5%) do povo brasileiro (IBGE).
Quando aplicados marcadores de raça, a conexão entre o feminicÃdio e as desigualdades de caráter étnico-racial fica evidente, pois as pretas e as pardas são as principais vÃtimas. Segundo o estudo "Retrato dos FeminicÃdios no Brasil" (Fórum Brasileiro de Segurança Pública), 62,6% dos corpos tombados por esse crime hediondo entre 2021 e 2024 eram de mulheres negras; 36,8% de brancas; 0,3% de indÃgenas; e outros 0,3% de amarelas.
Além disso, a quantidade de brasileiras com "muito medo de sofrer um estupro" aumentou, passando de 78%, em 2020, para 82%, em 2025 (Instituto PatrÃcia Galvão). Não é para menos, já que no ano passado foram registrados 83 mil casos de estupro, ou seja, um estupro a cada seis minutos (Ministério da Justiça). E tudo indica que a situação é ainda pior e mais grave se considerarmos o fator subnotificação.
Em que pesem as várias conquistas femininas nas últimas décadas, a luta histórica das mulheres por direitos (sobretudo à vida), equidade de gênero e respeito nunca foi tão atual, necessária e urgente.
Fica a pergunta: até quando o Brasil será um paÃs que não ama as mulheres?