Resumo objetivo:
No Dia Internacional da Mulher, atos em diversas cidades brasileiras protestaram contra a violência feminina, com destaque para casos recentes de estupro coletivo de adolescentes no Rio de Janeiro. As manifestações também lembraram as vítimas de feminicídio, citando dados que mostram aumento de 4,7% nesses crimes em 2025 e a predominância de mulheres negras como vítimas. A mobilização reuniu movimentos sociais, sindicatos, partidos políticos e autoridades.
Principais tópicos abordados:
1. Protestos pelo fim da violência contra as mulheres em múltiplas capitais.
2. Repercussão de casos recentes de estupro coletivo e a participação de estudantes.
3. Dados sobre feminicídio (aumento, perfil racial das vítimas e relação com agressores).
4. Caráter plural das manifestações, com apoio de entidades e representantes políticos.
Cidades brasileiras têm atos neste domingo (8) pelo fim da violência contra as mulheres. Mobilizações foram marcadas em ao menos 18 capitais, pelo Dia Internacional da Mulher.
No Rio de Janeiro, o protesto é marcado por lembranças à s investigações de casos de estupro coletivo a adolescentes que ganharam repercussão nacional nos últimos dias. Nesta semana, a PolÃcia Civil prendeu quatro acusados e apreendeu um adolescente, considerado pela investigação como mentor dos crimes.
Um cartaz mostra o rosto dos acusados sob a inscrição "estupradores". "Se as escolas sabiam do assédio às alunas por que não denunciaram?", diz o cartaz. Representantes de grêmios estudantis do colégio Pedro 2°, onde dois acusados estudavam, estão presentes.
Os casos também são lembrados em apresentações teatrais e discursos no carro de som. O ato acontece na praia de Copacabana, zona sul, e ocupa uma pista da avenida Atlântica ao longo de dois quarteirões.
A manifestação tem bandeiras de movimentos sociais, sindicatos e partidos de esquerda e do centro.
A ministra Anielle Franco (Igualdade Racial) e deputadas como Benedita da Silva (PT-RJ), Jandira Feghali (PC do B-RJ) e TalÃria Petrone (PSOL-RJ) estão presentes no ato.
Pela manhã, também estavam previstas manifestações nas cidades de Belo Horizonte, Belém, Salvador, Cuiabá, Goiânia, Aracaju, Maceió, Natal e Palmas, além das três capitais da região Sul âCuritiba, Florianópolis e Porto Alegre.
No perÃodo da tarde, estão previstas manifestações em BrasÃlia, São Paulo, Fortaleza, Manaus e Boa Vista.
Em Curitiba, o ato foi puxado nesta manhã por coletivos feministas, movimentos de mulheres indÃgenas, partidos polÃticos e sindicatos, e se concentrou nas escadarias do prédio da UFPR (Universidade Federal do Paraná), na praça Santos Andrade. Por volta das 10h30, elas seguiram em marcha pela avenida Marechal Deodoro.
Na escadaria, foram colocados pares de calçados das 87 vÃtimas de femicÃdio em todo o Paraná no ano passado. A iniciativa foi do CRP-PR (Conselho Regional de Psicologia do Paraná).
"Essas mulheres têm histórias. São filhas, mães, tias, colegas do trabalho, amigas, profissionais. E querÃamos dar materialidade a este número [87] frio", explica a psicóloga Semiramis Vedovatto, presidente da Comissão de Direitos Humanos do CRP-PR.
Segundo levantamento divulgado neste mês pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, o paÃs contabilizou 1.568 vÃtimas em 2025, um aumento de 4,7% em relação ao ano anterior.
A análise de 5.729 registros de feminicÃdio ocorridos entre 2021 e 2024 mostra que 62,6% das vÃtimas eram negras (3.587 mulheres), enquanto 36,8% eram brancas (2.107).
Na maioria das ocorrências, o agressor tinha relação direta com a vÃtima: 59,4% das mulheres foram mortas pelo parceiro Ãntimo e 21,3% pelo ex-parceiro.