Resumo objetivo:
Empresas e ativistas contratados pelo governo israelense para campanhas de propaganda pró-guerra estão processando o Estado por não pagamento de serviços, com dívidas que somam milhões de shekels. As contratações foram feitas de forma improvisada para conter críticas internacionais às ações de Israel em Gaza, envolvendo influenciadores e produtoras privadas. Outros ministérios também destinaram vultosos recursos adicionais para financiar campanhas de diplomacia pública no exterior.
Principais tópicos abordados:
1. Ações judiciais contra o governo israelense por falta de pagamento a contratados em campanhas de propaganda.
2. A expansão improvisada de contratações privadas para influência internacional durante a guerra em Gaza.
3. Os valores e exemplos específicos das dívidas e serviços não pagos.
4. O envolvimento e investimento de múltiplos ministérios em orçamentos para diplomacia pública e contra-narrativa.
Governo israelense enfrenta processos por não pagar propaganda pró-guerra em Gaza
Empresas e ativistas cobram milhões em pagamentos atrasados por materiais divulgados para justificar genocídio contra palestinos
Empresas de comunicação e ativistas que atuaram em ações de propaganda pró-Israel durante a guerra em Gaza estão processando a Diretoria Nacional de Diplomacia Pública, vinculada ao gabinete do primeiro-ministro Benjamim Netanyahu. Eles afirmam não terem recebido pelo trabalho realizado.
A informação é do jornal israelense Calcalist que revela que a soma reivindicada por esses processos atinge milhões de shekels em pagamentos atrasados. Desde o início da guerra, as contratações de empresas privadas para blindar as violações israelenses em Gaza se expandiram frente a ausência de pessoal interno.
Muitos dos contratados não eram funcionários formais do governo e as produtoras privadas serviram para centralizar os pagamentos de influenciadores, ativistas, comentaristas e empresas de comunicação que atuaram no exterior.
As contratações, diz a reportagem, foram feitas de forma improvisada em meio à avalanche das críticas internacionais ao genocídio e às várias violações aos direitos humanos e ao direito internacional, perpetradas por Israel durante o enclave.
Milhões de shekels
Segundo a reportagem, duas produtoras privadas reivindicam cerca de 2 milhões de shekels (US$ 650 mil) em pagamentos atrasados. Uma delas disponibilizou um estúdio exclusivo para entrevistas de Netanyahu e do então ministro da Defesa Yoav Gallant, e agora cobra mais de 500 mil shekels (US$ 160 mil) por serviços não pagos.
A outra empresa, Intellect Production and Publishing Group, reivindica mais de 1,5 milhão de shekels (aproximadamente US$ 487 mil), alegando ter financiado viagens de influenciadores para Haia, no intuito de neutralizar manifestações pró-Palestina durante as audiências na Corte Internacional de Justiça (CIJ).
Até mesmo o ex-porta-voz do governo israelense, Eylon Levy, um britânico-israelense que ocupou o cargo oficial até março de 2024, ficou sem receber. Ele não aderiu ao processo.
Outros ministérios
Além da Diretoria Nacional de Diplomacia Pública, outros órgãos do governo, como o Ministério das Relações Exteriores e o Ministério da Diáspora, injetaram recursos ao orçamento pré-existente de 520 milhões de shekels (US$ 170 milhões) para fazer campanhas internacionais.
Como aponta a reportagem, em setembro de 2024, foi aprovado um orçamento adicional de 150 milhões de shekels (US$ 49 milhões) pelo Ministério das Relações Exteriores. No mesmo período, foi criada uma diretoria de diplomacia para o recrutamento de blogueiros e influenciadores digitais.
Em junho de 2024, o Ministério de Assuntos da Diáspora realizou uma campanha nas universidades norte-americanas visando influenciar debates legislativos sobre a definição de antissemitismo. No ano seguinte, em maio de 2025, o mesmo Ministério chegou a oferecer até um milhão de shekels (US$ 325 mil) a municípios localizados em assentamentos israelenses visando campanhas dentro e fora do país.