Resumo objetivo:
No Dia Internacional da Mulher, manifestantes em todo o Brasil protestaram pelo fim da violência de gênero, em defesa da democracia e contra a escala de trabalho 6×1. As reivindicações incluíam mais recursos para combater a violência contra a mulher, acesso ao aborto seguro e a implementação da Política Nacional do Cuidado. Os atos ocorreram em meio a dados alarmantes de feminicídio, como os 1.565 casos registrados em 2025.
Principais tópicos abordados:
1. Protestos nacionais no Dia Internacional da Mulher com pautas contra a violência de gênero, em defesa da democracia e direitos trabalhistas.
2. Reivindicações específicas: mais recursos para políticas de proteção, acesso ao aborto seguro e implementação da Política Nacional do Cuidado.
3. Dados sobre violência: estatísticas de feminicídio em 2025 e a carência de serviços especializados, especialmente em cidades pequenas.
4. Menções a manifestações em diversos estados, com exemplos locais de violência e mobilização.
Mulheres das cincos regiões do país saíram às ruas neste domingo (8), Dia Internacional da Mulher. Na pauta, o fim da violência de gênero, a defesa da democracia, soberania e o fim da escala 6×1. Na última quinta-feira (5), a articulação nacional para realização do ato entregou uma carta manifesto à ministra das Mulheres, Márcia Lopes, em que enfatizam a necessidade de mais recursos para programas de combate a violência contra as mulheres. Na área de direitos reprodutivos, a carta defende o acesso ao aborto humanizado e seguro.
O documento pede ainda a implementação, por estados e municípios, da Política Nacional do Cuidado (PNC). A legislação coloca o cuidado como direito de todas as pessoas e determina a previsão de recursos públicos para que essas tarefas seja exercidas, tanto com a construção de estruturas públicas, quanto com a profissionalização das atividades, funções comumente assumidas pelas mulheres de forma não remunerada. A carta é assinada por mais de 300 organizações.
“Estamos nas ruas pela vida das mulheres trabalhadoras da cidade, do campo, das florestas e das águas, pelas mulheres negras, quilombolas, indígenas, lésbicas, bissexuais, transexuais e travestis, com deficiência, mães solo, atípicas, em situação de rua, atingidas por barragens, privadas de liberdade, mulheres de tradição de matriz africana, religiosas ou não, migrantes, jovens, idosas e meninas”, diz um trecho da carta.
Em 2025, 1.565 mulheres foram vítimas de feminicídio de acordo com dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública. A maioria dos crimes ocorreu em cidades com menos de 100 mil habitantes. Entre os municípios com esse perfil, apenas 5% têm delegacia da Mulher e 3% possuem Casa de Abrigo.
Em relação ao perfil das vítimas, 30% tinha entre 18 e 29 anos, 50% entre 30 e 49 e 15% mais de 50 anos. O estado com o maior número de feminicídios foi São Paulo, com 270 casos, seguido por Minas Gerais, com 177, e Rio de Janeiro, com 104. As maiores taxas na comparação por habitante estão no Acre (3,2), Mato Grosso (2,9) e Rondônia (2,7).
Manifestações
Santa Catarina teve protestos convocados em cinco municípios: Blumenau, Caçador, Chapecó, Joinville e a capital Florianópolis. O estado registrou 52 feminicídios em 2025 e um dado ainda mais alarmante: foram pedidas 30 mil medidas protetivas. Os dados são Procuradoria da Mulher da Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc). Em Florianópolis, capital do estado, o ato percorreu o centro da cidade.
Em Porto Alegre, o ato aconteceu no centro histórico da capital gaúcha, com início na Praça dos Açorianos. O número de atendimentos a mulheres em situação de violência alcançou 25.724 notificações na Defensoria Pública do Estado do Rio Grande do Sul (DPE/RS).
No Rio de Janeiro, a manifestação acontece na mesma semana em que quatro acusados por estupro coletivo foram presos, em um crime ocorrido no dia 31 de janeiro, que provocou sérias lesões corporais em uma adolescente de 17 anos. E, na sexta-feira (6), uma mãe denunciou o abuso sofrido por sua filha de 7 anos em uma escola municipal.
Em Maceió, capital de Alagoas, a manifestação foi marcada para às 8h na Praça 7 Coqueiros, na orla da cidade.
Em Salvador, o ato saiu do Morro do Cristo e foi até a orla do Porto da Barra. De acordo com o Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp), vinculado ao Ministério da Justiça, 103 mulheres foram assassinadas na Bahia em 2025, sendo mais de 80% das vítimas são mulheres negras, jovens e trabalhadoras.
No Norte e no Centro-Oeste do país, os atos estavam marcados para Brasília; Cuiabá (MT); capital do Amazonas, Manaus; e capital do Pará, Belém, além de outras cidades do interior do estado.
Em fotos divulgadas pelas redes sociais, as presentes pediram o fim da violência contra a mulher, registraram nomes de mulheres vítimas de feminicídio em cartazes e lembraram que não é normal sentir medo dentro da própria casa.
Na capital matogrossense, o ato foi realizado em frente a tradicional Feira do CPA II, onde as participantes pediram respeito e lembraram que flores não são suficientes: as mulheres querem vida.