Milhares de pessoas se mobilizaram no Dia Internacional da Mulher em vários países para exigir igualdade de gênero e o fim da violência contra a mulher. Os atos na França e na Espanha destacaram a luta contra o conservadorismo e revelaram divisões internas sobre direitos trans e prostituição, enquanto discursos também condenaram a guerra no Irã. A mobilização ainda trouxe à tona casos específicos de violações de direitos, como a situação de presas políticas na Venezuela e a prisão da advogada Ruth López em El Salvador.
Principais tópicos abordados:
1. Manifestações globais por igualdade de gênero e fim da violência contra a mulher.
2. Divergências dentro do movimento feminista (ex.: direitos trans, regulamentação da prostituição).
3. Denúncias de casos específicos de injustiça e prisão política contra mulheres em países como Venezuela e El Salvador.
4. Posicionamento político contra a guerra e em defesa de direitos, como no caso do Irã.
Milhares de pessoas se mobilizaram neste domingo (8), Dia Internacional da Mulher, em manifestações que pediam igualdade de gênero e o fim da violência contra a mulher.
Em Paris, um dos atos contou com a participação de Gisèle Pelicot, que tornou-se uma figura internacional da luta contra a violência de gênero após recusar o direito ao anonimato no julgamento que condenou seu ex-marido e outros 50 homens por estupros cometidos contra ela de 2011 a 2020. "Não renunciaremos a nada!", disse em seu discurso.
Os atos franceses buscaram defender direitos das mulheres, que, segundo os organizadores, são ameaçados pelo avanço do conservadorismo. Mais de 100 organizações, entre associações e sindicatos, convocaram manifestações em cerca de 150 locais do paÃs, incluindo cidades como Bordeaux, Lille e Marselha.
No centro de Madri, capital da Espanha, o movimento feminista se dividiu em duas marchas, refletindo divergências sobre os direitos das pessoas trans e a regulamentação da prostituição, e se posicionou contra a guerra no Irã.
Atos ocorreram também nas cidades de Barcelona, Valência, Sevilha, Granada, Bilbao, San Sebástian e Santiago de Compostela âna qual solicitou-se que apenas mulheres participassem.
Ambas as marchas de Madri contaram com a presença de ministras. Yolanda DÃaz, ministra do Trabalho e segunda vice-presidente da Espanha, defendeu a população iraniana em seu discurso. "Está em nossas mãos parar a guerra, parar a barbárie e conquistar direitos. Nós nos declaramos em defesa da paz, do povo iraniano e das mulheres iranianas", disse.
Para a mexicana Alexa Rubio, que vive em Madri, as questões mais urgentes a serem debatidas são a igualdade salarial e o combate ao assédio e à violência de gênero. "Estão matando mulheres por serem mulheres", disse à agência de notÃcias AFP.
Andrea Ricart, também mexicana, lamentou o que classificou de indiferença diante dos casos. "Alguém tem que ser morta para que as pessoas se sensibilizem com esses temas."
Na Venezuela, a mobilização colocou o foco nas prisioneiras que não foram beneficiadas pela anistia, muitas delas com complicações de saúde, segundo denúncias de organizações de defensoras de direitos humanos. Segundo a ONG Foro Penal, cerca de 526 pessoas, entre elas 56 mulheres, permanecem privadas de liberdade por razões polÃticas.
Organizações de mulheres e do Movimento de VÃtimas do Regime de El Salvador pediram a libertação da advogada Ruth López, uma crÃtica do governo do presidente Nayib Bukele e considerada presa polÃtica pela Anistia Internacional.
López, chefe da unidade anticorrupção da ONG de defesa de direitos humanos Cristosal, foi presa em 18 de maio e é acusada pelo Ministério Público salvadorenho de enriquecimento ilÃcito.
"Estamos levantando nossa voz para exigir mais uma vez a liberdade imediata de nossa querida companheira, defensora, como é Ruth López", disse a ativista Gloria Anaya durante a marcha.