Resumo objetivo:
A economia chinesa desacelerou de forma estrutural, com a meta de crescimento para 2024 (entre 4,5% e 5%) confirmando uma tendência de perda de fôlego em relação às altas taxas do passado. O cenário é agravado por riscos externos, como a guerra no Oriente Médio (que ameaça o abastecimento de petróleo) e a possibilidade de retomada de tarifas comerciais dos EUA, e por desafios internos persistentes, como a crise imobiliária, o baixo consumo das famílias e o desemprego jovem.
Principais tópicos abordados:
1. Desaceleração econômica estrutural da China (queda do crescimento do PIB, meta reduzida para 2024).
2. Riscos geopolíticos e comerciais externos (guerra no Oriente Médio e possível retorno de tarifas dos EUA).
3. Gargalos domésticos (crise imobiliária, consumo interno fraco, desemprego jovem, baixa confiança do consumidor).
4. Limites das políticas de estímulo e desafio para atingir metas de longo prazo (como dobrar o PIB per capita até 2035).
A perda de fôlego da economia da China consolidou-se como fator constante nos cálculos do crescimento global na última década. A expansão de mais de 10% ao ano do PIB do gigante asiático jamais se repetiu após 2010. A meta recém-anunciada de uma taxa entre 4,5% e 5% neste ano indica um aprofundamento dessa tendência.
O teto coincide com o resultado do ano passado. O piso significaria o pior desempenho desde 1990 (3,9%), excetuando-se o auge da pandemia, em 2020.
Ao apresentar tal perspectiva, o establishment de Pequim considerou os cenários para a guerra desencadeada no Oriente Médio por EUA e Israel contra o Irã.
Embora a China detenha a maior produção de petróleo do planeta e reservas estratégicas invejáveis, cerca de 50% de suas importações do insumo provêm da região em conflito â12% do Irãâ e transitam pelo Estreito de Hormuz, no momento clausurado pelo regime de Teerã.
O horizonte temporal incerto da guerra expõe todos os paÃses aos riscos de queda do comércio e da atividade. Nesse sentido, a projeção não deixa de ser um alerta à parcela do mundo avessa à s iniciativas do americano Donald Trump.
A possÃvel retomada do tarifaço dos Estados Unidos sobre bens chineses em meados deste ano, quando expirarão as sobretaxas reduzidas a 10%, pode coincidir com dificuldades maiores para a realocação da exportação chinesa a outros mercados.
Se o cenário internacional ainda é movediço, maiores certezas há sobre os gargalos domésticos da China para impulsionar o crescimento econômico. Desde a crise financeira de 2008, o paÃs vem fracassando em sua tentativa de fazer do consumo interno o motor do PIB, ainda hoje alavancado por exportações e investimentos.
A persistente crise no setor imobiliário, o elevado desemprego entre jovens, os gastos sociais do governo aquém das necessidades da população e o veto ao acesso de migrantes rurais aos serviços públicos das cidades traduzem-se na falta de confiança do consumidor e na opção predominante pela poupança.
Os seguidos pacotes de estÃmulo ao consumo e a redução da taxa básica de juros, hoje em 3% ao ano, anunciados pelo governo de Xi Jinping pouco alteraram o quadro âque dificulta o cumprimento da meta de duplicar o PIB per capita chinês até 2035, incluÃda no 15º Plano Quinquenal divulgado na quinta-feira (5).
Sem expansão significativa da economia por longo perÃodo, o próprio regime ditatorial pode ingressar em uma era de incertezas.